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domingo, 30 de janeiro de 2011

Três Cês



Hoje eu e a minha petite chef decidimos usar pela primeira vez o livro de bolachas e biscoitos que recebemos pelo Natal e fizemos Chocolate Chip Cookies, versão Soft & Chewy... A receita é muito simples e muito rápida, duvido que tenhamos demorado mais do que dez minutos entre fazer a massa e pôr os biscoitos no forno.

É só amolecer cem gramas de manteiga, que se bate com meia chávena de açúcar mascavado, uma chávena de açúcar amarelo e sal, juntar dois ovos grandes e extracto de baunilha, bater bem e misturar com farinha (duas chávenas e um quarto) e um pouco de fermento (meia colher de chá). A esta massa mistura-se os pedacinhos de chocolate (finalmente encontrei-os à venda no Cacao Sampaka). Com uma colher de sopa, distribuem-se bocadinhos de massa por um tabuleiro, deixando algum espaço entre eles, e leva-se ao forno durante cerca de dez minutos (até estarem dourados nas pontas).

Os de hoje cresceram muito, acho que para a próxima tenho que usar uma colher de sobremesa. Mas, grandes ou pequenos, deitaram um cheiro delicioso e foram o nosso lanche, acompanhados por leite, sumo ou chá, consoante o gosto do interveniente...
 


domingo, 16 de janeiro de 2011

Trabalho Para Casa

Há cerca de um mês, eu e a Mafalda fizemos um curso de iniciação à costura na Retrosaria, conforme se pode comprovar aqui e aqui. A Rosa deu-nos um TPC, à boa maneira dos mestres-escola, mas com Natal, Ano Novo e afins, só hoje conseguimos juntar-nos e pôr mãos à obra.

No início, ficámos a olhar para o linho e os pedaços de galão, sem nos lembrarmos muito bem das palavras proferidas no final daquela gloriosa manhã de Sábado. Mas... duas cabeças pensam sempre melhor do que uma e rapidamente reconstituimos as instruções.

Só que o bicho mais temido estava ali à nossa espera...


De manual em punho, lá conseguimos enrolar a linha nos carretos, fazê-la passar pelos sítios certos (o que, acreditem, é qualquer coisa...), puxar o fio de baixo com a agulha e, até, desmontar umas peças da máquina quando este teimou em enrolar-se...

Treinámos um pouco num retalho e, mesmo sem grande confiança, lá nos arriscámos a coser o galão, o que foi sem dúvida a parte mais difícil da peça.


A partir daí foi mais simples. Apesar de termos tido que coser e descoser algumas vezes, lá chegámos a bom porto, sempre sob o olhar atento da Catarina, entretida a fazer bolas com os restos das linhas e a espetar agulhas na almofada dos alfinetes...


Depois de virado do direito, um processo que também tem o que se lhe diga, enchemos os saquinhos com alfazema. Ficaram assim...


e assim...



Acho que da parafernália de coisas que gosto de fazer, esta é a que me dá mais orgulho: quando começo, apetece-me sempre desistir; quando chego ao fim, fico surpreendida com o resultado e feliz por o não ter feito. Mas, melhor do que tudo, é estar a fazê-lo em grande companhia...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Salta-pocinhas

Galochas! Saltar para dentro das poças de água é uma das grandes recordações da minha infância, por isso as galochas são provavelmente uma das melhores coisas que uma criança pode ter. Se a memória não me trai, as minhas eram verdes com uns olhos de sapo. A minha mãe confirmará quando ler isto. As da Catarina são da Hello Kitty (sinais dos tempos) e foram uma das prendas de Natal favoritas, como se pode comprovar pelo "Mãe, hoje está a chover?" que tenho ouvido todas as manhãs...

As recordações ficarão na sua cabeça. Os reflexos, esses, podem ficar aqui...  


domingo, 9 de janeiro de 2011

Tradição Além Tejo

Estou em Évora. Valverde, mais precisamente. A viagem deste fim-de-semana teve como principal propósito vir assistir ao concerto Cantos ao Menino, Reis e Janeiras, das Vozes do Imaginário, um grupo de vozes femininas que se dedica a difundir cantares tradicionais do nosso país, como este. Uma das Vozes é a da minha mãe e, finalmente, eu e a Catarina viemos assistir a um concerto. Ainda só conheciamos o projecto através do disco que gravaram há cerca de dois anos e que, sobretudo a pedido da Cat, rodou vezes e vezes sem conta no nosso carro. No ano passado, estes cantares foram alguma da música que passou na TSF nas vésperas de Natal. Este ano, foi na Antena 1.

O projecto é muito interessante: recupera um conjunto de músicas tradicionais, na sua maioria minhas desconhecidas, de vários pontos do país e que, por vezes, se fazem acompanhar por tambores, gaita de foles, adufes, flauta, bilhas ou sarroncas.


O concerto foi em Estremoz. A primeira música foi cantada no mercadinho e teve o mérito de levar para a Casa de Estremoz parte do público que assistiu ao espectáculo que, diga-se, foi dado para uma casa cheia. Uma grande ideia... 


A Catarina ainda se lembrava de algumas letras e adorou ouvi-las ao vivo, sempre com vontade de ir para o pé da avó. Eu achei a combinação das vozes e a simplicidade das letras algo de espectacular. Umas graves, outras límpidas e melodiosas. E os sons da flauta, dos tambores e da gaita de foles, que tocam cá dentro, bem no fundo? Arrepiei-me e tive vontade de voltar a pisar um palco...


Gostei também do público. É bom saber que, pelo menos aqui no Alentejo, há calma e vontade suficiente para se assistir a um concerto de um grupo não muito conhecido a um Sábado de manhã. E que pode haver uma sala cheia que apreciou o que ouviu, tal como pude comprovar pelas conversas que apanhei durante as compras que fui depois fazer ao mercado.

Mas, acima de tudo, é bom saber que há quem faça de facto alguma coisa para que não se percam as boas tradições do nosso país. E, melhor ainda, poder dizer que a minha mãe faz parte de algo assim...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Foi você que pediu... chocolate com chocolate?

A sobremesa que levei para a passagem de ano foi uma das minhas favoritas: bolo de chocolate com mousse de chocolate preto com bolo de chocolate com mousse de chocolate branco e café. Não, não deixei de saber escrever, este é mesmo o melhor nome que lhe posso dar. Da primeira vez que o fiz foi para o Natal de dois mil e oito e tinha três camadas de chocolate (preto, de leite e branco). Visualmente, fica espectacular, mas para o (meu) palato fica um pouco excessivo. Por isso, comecei a fazê-lo só com duas camadas. Desta vez foi com chocolate preto e chocolate branco com café.
  
Não é uma receita rápida, mas ainda assim é muito simples. Eu limito-me a fazer a minha receita de mousse de chocolate várias vezes e com pequenos twists consoante o bolo que queira fazer.  


A minha mousse é muito simples: por cada ovo, vinte e cinco gramas de açúcar, vinte e cinco gramas de manteiga e vinte e cinco gramas de chocolate (ok, aqui faço batota e costumo pôr mais uns quadrados...). Bato as gemas com o açúcar, derreto a manteiga e o chocolate e junto esta mistura às gemas. Bato as claras em castelo (costumo juntar aqui um pouco mais de açúcar para ficarem mais firmes) e envolvo bem o chocolate com as claras. Mais fácil do que isto será difícil...

1) Faço a base de bolo de chocolate. Uma mousse de seis ovos com os restantes ingredientes nas proporções indicadas e com chocolate preto. Juntei duas colheres de sopa de farinha e uma de fermento. Como só tenho uma forma redonda, dividi a massa e levei-a ao forno em duas vezes, de modo a ficar com dois bolos baixos (como leva pouca farinha, a solução de fazer um só bolo e cortá-lo ao meio não é lá grande coisa... been there, done crap, perdão, that... por isso, mais vale demorar um pouco mais...)


2) Faço nova mousse, desta vez com três ovos e também com chocolate preto. Não é imprescindível, mas não faz mal nenhum acrescentar-se duas folhas de gelatina ao chocolate derretido. Reserva-se no frigorífico.

3) Faço uma terceira receita de mousse, igual em tudo à anterior, mas com chocolate branco e com café. Aqui sim, é necessário juntar gelatina - duas ou três folhas é suficiente. É necessário ter cuidado com a quantidade de café: eu tirei um normal na máquina e usei-o na totalidade, o que fez com que a mousse ficasse demasiado líquida. A gelatina corrige o problema, mas afecta o aspecto final do bolo. Meia chávena de café será o ideal. O da fotografia ficou meio irregular porque, uma vez que abusei na quantidade de café,  a mousse teve que solidificar um pouco antes de ir para o bolo.

4) Começo a montar o bolo. Aqui uso um método um bocado arcaico mas que ainda não me falhou. Colo com fita-cola três meias folhas de papel, de modo a fazer uma forma redonda à volta de uma das bases do bolo. É conveniente ficar com o mínimo de folga possível para a mousse não escapar. A ordem será: primeira base, mousse preta, segunda base, mousse branca.


Vai ao frigorífico durante algumas horas. Tira-se o papel, alisa-se o exterior com uma faca e decora-se com chocolate em pó e raspas de chocolate... ou com outra coisa qualquer que ligue bem... 


Para o André é o melhor bolo de chocolate do mundo. Eu não diria tanto, mas é definitivamente um dos meus orgulhos culinários...

domingo, 2 de janeiro de 2011

O que fiz para o Natal

Agora que a maioria das prendas está entregue, já posso mostrar as coisas que fiz para dar neste Natal. Já conhecem isto, isto e isto, mas também fiz...

... alguns mimos para o pequeno-almoço de uns amigos, como um preparado para panquecas e scones, que guardei numa embalagem feita por mim a partir de uns papéis espectaculares que comprei na Casa, ao que juntei açúcar aromatizado com baunilha, canela e cravinho, guardado num açucareiro triplo e duas latinhas para chá, forradas com o mesmo papel e cheias com Pu Ehr de Canela e com Darjeeling, dois dos meus favoritos... 


... ou um preparado para biscoitos de chocolate, com a respectiva receita e também numa embalagem feita por mim, complementado por uns cortadores de bolachas e um livro para outras inspirações...


... e também um cubo mágico forrado com fotografias da Catarina para o papá babado... sou péssima a cortar papel (e nota-se, claro...), mas valeu pela ideia, que descobri algures pela internet...

... e ainda... esfoliante caseiro para os pés, feito com sal marinho e com um delicioso cheiro a hortelã-pimenta e a alfazema... ou um porta-chaves para a minha companheira da hidro-ginástica pôr no cacifo... ou também uns brincos com pedrinhas compradas na minha última viagem a Londres...


É indescritível o prazer que me dá fazer e oferecer estas coisas... espero que quem as recebeu também tenha gostado.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Três horas depois...

Isto de cozinhar e fotografar ao mesmo tempo tem muito que se lhe diga... acho que sou melhor cozinheira do que fotógrafa, mas quando se trata de juntar as duas coisas, o que é que pode acontecer? Três horas a fazer o jantar, que saiu ligeiramente fora dos padrões habituais... para pior... e as fotografias, essas, não estão brilhantes... Enfim, o que interessa é que com o meu ar de taradinha, uma colher de pau na mão e a máquina a tiracolo, diverti-me a valer, mesmo tendo que deixar o jantar para o dia seguinte... ninguém ia jantar às dez e meia da noite...

O malfadado prato foi a tagine, na qual usei as abóboras do outro dia. Faltou-me a lima, que substituí por limão, as tâmaras, que troquei por passas e resolvi trocar as natas por um pouco de leite... não foram as melhores escolhas do mundo...mas pelo menos ficou bonito... e minimamente saboroso...


O primeiro passo é temperar a carne. Deve fazer-se com borrego, mas como eu não sou grande fã costumo usar peitos de frango, que parto em cubos e tempero com sal, o suco do gengibre (tira-se a casca, rala-se e espreme-se bem depois de ralado) e pimenta moída na altura.  


Enquanto a carne tempera, corta-se abóbora butternut em cubos (as outras abóboras desfazem demasiado), feijão verde em pedaços (sem o fio, de preferência) e as tâmaras descaroçadas em rodelas. 


Aloura-se a carne em azeite. Enquanto isso, prepara-se a parte mais importante do prato: num almofariz esmaga-se a casca de uma lima ralada (e não limão, como na fotografia), um pouco de massa de pimentão, dentes de alho, e pequenas porções de mostarda (eu uso sementes, mas pode ser em pó), canela, cominhos, cravinho, açafrão, colorau e cardamomo. Rega-se com o o sumo da lima e mistura-se muito bem, de modo a fazer uma pasta. Tira-se a carne do tacho, refoga-se no azeite (pode ser necessário acrescentar mais um pouco) uma cebolinha (ou chalotas) e junta-se a pasta de especiarias, que se vai mexendo para libertar os seus aromas (deliciosos, diga-se). 


Junta-se novamente a carne, que se envolve bem para tomar o gosto das especiarias, e acrescenta-se a abóbora, o feijão-verde e as tâmaras, tapando o tacho para deixar os legumes a suar. Quando começarem a ficar macios, acrescenta-se um pouco de água e cerca de meio pacote de natas misturadas com um bocadinho de maizena. Mexe-se até engrossar e... está pronto. Fica melhor se se comer uns minutos depois de terminado e pode acompanhar-se com couscous (que, depois de envolvido num pouco de azeite, pode ser aberto em chá para ganhar sabor). E fica definitivamente melhor se não se tentar tirar fotografias ao mesmo tempo...

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