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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Luzes e Sombras

Não me lembro de haver dias como os últimos num mês de Fevereiro. Temperatura amena, um sol magnífico, uma luz maravilhosa. Mesmo a propósito das nossas mini-férias... e um óptimo pretexto para um fim de tarde na praia, como foi o de quinta-feira. A Cat partilha comigo a paixão pelo mar e difícil foi convencê-la que não podia ir ao banho. Lá arranjámos um compromisso: água até aos tornezelos. É claro que tornezelos significou joelhos, mas eu ainda me lembro do que é achar que a água nunca está demasiado fria, por isso deixei passar este pequeno "erro" de anatomia...


E enquanto ela brincava, eu e a minha máquina perdemo-nos pelas sombras na areia e pelos reflexos no espelho de água que deixava a maré, ainda a vazar.


O mar estava pejado de surfistas, apesar da ondulação amena. Outros havia fora de água, que se limitavam a olhar para as ondas, talvez à espera que o mar se agitasse, talvez apenas a pensar na vida e naquela sua paixão.


Mais para o final do dia, chegaram alguns pais, ainda com roupas de trabalho, com os seus filhos, aproveitando para os afastar das consolas e dos computadores e devolvendo-lhes a alegria de brincar ao ar livre.


Outros, também vindos do trabalho, não quiseram perder um passeio ao pôr-do-sol.


A Catarina nunca tinha visto um pôr-do-sol até ao fim. Foi o primeiro. Eu fotografei-o a preceito e fiz um pequeno filme em slow motion, especialmente a pensar na minha melhor amiga, que adora a luz laranja que pinta o céu quando o sol se põe. Acho que ela não se importa se o puser aqui também.

video


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dias felizes

Um dia feliz! é uma expressão que se costuma usar quando se felicita um aniversariante. Mas o que é que pode tornar um dia de aniversário num dia verdadeiramente feliz? 

Bem, quando perguntei à aniversariante da semana como queria que fosse o seu dia de anos, a primeira resposta foi quero estar contigo e com o pai. Este não tinha que ser um pedido porque tiramos sempre férias nos aniversários uns dos outros para fazermos o que nos der na real gana. Mas vale sempre a pena lembrar, just in case... Os desejos secundários passavam por ir "aos brinquedos" (a.k.a. Pavilhão do Conhecimento) ir à escola só para apagar as velas. Primários ou secundários, foi um dia em grande. E, sem dúvida, um dia realmente feliz, onde houve tempo para...

... jogos de sombras...


... apanhar e ser apanhada...

 

... seguir as gaivotas...



... jogar às escondidas...


...espiar...


... reflectir...


... experimentar um gelado nunca antes saboreado...


... sentir a relva nos pés...


... comemorar com os amigos....


... experimentar vezes e vezes sem conta...


... receber um beijo virtual...


... voar...


... comer com pauzinhos...


... e, por fim, ceder ao cansaço de um dia memorável. 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Corvina divina

Tal como já disse algures, tenho tendência para me fidelizar a alguns vendedores de certos produtos frescos. Um deles é um senhor do Mercado de Algés que tem as melhores corvinas que eu alguma vez comi. Sempre que lá vou não deixo escapar a oportunidade de as comprar, inteiras ou em postas, e jamais deixarei de me surpreender com a frescura das ditas cujas. Num mundo perfeito, eu teria disponibilidade para ir à praça várias vezes por semana, mas como não tenho, não posso deixar de congelar o peixe que compro nos fins-de-semana em que vou ao mercado. Ainda assim, mesmo depois de congeladas, estas corvinas continuam brancas, suculentas, com cheiro a maresia e quase iguais ao que eram quando as comprei.

Hoje fiz uma massada de corvina para o almoço. Geralmente cozinho e lasco o peixe, mas desta vez resolvi usar as postas inteiras. Ficou absolutamente divinal... e é mesmo mesmo fácil de fazer.


Enquanto o peixe toma de sal, refoga-se em azeite uma cebola e uns dentes de alho, ambos picados, temperando o refogado com salsa e uma folha de louro. Quando estiver a dourar, junta-se tomate fresco - em pedaços ou triturado - e um pouco de vinho branco. Deixa-se cozinhar. Junta-se as postas, tapa-se o tacho e, passado uns minutos, vira-se as postas para selarem do outro lado.


Baixa-se o lume e deixa-se cozinhar com o tacho tapado. Junta-se a massa e acrescenta-se água a ferver, em quantidade suficiente para cozer a massa. Desliga-se quando estiver al dente.


Com várias costelas alentejanas, acho que o último passo deve ser juntar um bom molho de coentros picados. Como cá em casa sou a única a concordar com esta teoria, limito-me a juntá-los ao meu prato. Eles é que não sabem o que é bom...


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Dias difíceis?

Há dias mais difíceis de levar. Dias em que o trabalho não corre como planeado. Dias em que a cabeça dói, o nariz está entupido e a constipação que dura há quinze dias me impede de estar bem. Dias em que me custa aguentar a correria do dia-a-dia, em que não me apetece acordar às seis e um quarto para cumprir sem atraso as rotinas da manhã. Dias em que não me apetece estar ao frio na paragem do autocarro para ir trabalhar. Ou para voltar. Dias em que me esqueço em casa do livro que estou a ler ou de uma caneta para escrever no meu caderninho. Há dias menos bons.

Mas eu não gosto de ter dias menos bons, sobretudo quando o são por ninharias. A vida é tão curta que temos a obrigação de tirar o melhor partido possível dos nossos dias ... por isso, fui buscar a Cat, cheguei a casa e escolhi um CD para pôr a tocar. Foi este:


Enchi um copo de vinho, pus o jantar a fazer e estivemos as duas a dançar na cozinha até irmos para a mesa. Trinta minutos apenas, boa música, um copo de bom vinho e umas boas gargalhadas bastaram para fazer um dia menos bom valer a pena... e é tão simples, basta darmos valor às coisas certas...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Momentos

Ter filhos traz muitas coisas. Tira outras, é certo. Dá perspectiva. Tira-nos tempo. Traz responsabilidade. Tira liberdade. Dá-nos alegria. E também tristeza, por vezes. Mostra-nos o que é simples. Mostra-nos o que é complicado. Ensina-nos a descomplicar. Tira-nos descanso. E sossego. E, já agora, horas de sono. Mas lembra-nos o que é viver. E mostra-nos o que é ter alguém a depender de nós. Tira-nos alguma sanidade. Torna-nos pessoas melhores. Ensina-nos, acima de tudo, o que é o amor incondicional.  

Ter filhos dá-nos momentos. Momentos felizes. Momentos difíceis. Momentos de angústia. Momentos de prazer. Momentos de absoluta contemplação. Por vezes, os piores momentos do dia. A maioria das vezes os melhores... como o primeiro sorriso da manhã quando a vou a acordar. Ou o abraço de pura felicidade que recebo quando a vou buscar à escola.  Ou ouvir "és a mãe mais querida do mundo!". E também as gargalhadas que partilhamos. Entre tantos outros.

Mas um dos meus favoritos é quando, antes de me deitar, passo pelo quarto para lhe aconchegar os lençóis, sinto o seu calor, o seu cheiro e percebo pela serenidade do seu rosto que é uma criança feliz. E isso vale por tudo. 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quem diria?

Confesso: nunca pensei ser capaz. Sabia que me ia demorar demasiado tempo, sabia que iria errar e achava que iria desistir antes de terminar. Mas... cá está ela: uma mala feita por mim. E, apesar de uns pontos tortos, até ficou bem! Estou tão orgulhosa!


Há alguma batota aqui pelo meio. Os tecidos - lindos, lindos, lindos - já vinham cortadinhos e faziam parte deste livro espectacular que me deram nos anos, quando a ideia de aprender a coser à máquina já andava a pairar aqui no sótão.


Ainda assim, não se pode dizer que tenha sido propriamente fácil. Até conseguir montar a dita mala e fazer uma malfadada T-junction - que é o que lhe dá estrutura -, cosi e descosi os tecidos duas vezes. Se tivesse sido um fim-de-semana normal, certamente teria mandado tudo às urtigas e ido fazer algo mais produtivo. Mas considerando que não conseguia fazer nada que envolvesse grande esforço físico, não havia boas desculpas à mão de semear...  


Ultrapassada a questão da T-junction, tudo o resto foi relativamente simples. Tudo excepto o fecho. Era suposto fazer um tubo em tecido, que consiste em coser uma tira fina do dito cujo, juntando pelo avesso os dois lados mais compridos, cosendo a meio da tira e fazendo uma terminação em viés. Depois é "só" atar um fio à ponta, passar essa ponta pelo tubo e virar o tecido pelo direito. Só? Desafia as leis da física e perde! Não sei se o tecido é demasiado grosso ou se sou eu que sou demasiado naba, mas ao fim de algumas tentativas - e de ter a tira quase a metade (afinal, o tecido desfia) - declarei que o exercício é uma impossibilidade prática. Talvez um dia volte a tentar. Ou não...

Bem, neste ponto e com a mala já feita, tinha que arranjar uma alternativa. Como me sobraram duas tiras de tecido (vinham com o kit, mas nem uma palavra sobre onde as coser), usei uma delas para fazer um fecho. E até consegui fazer com relativo sucesso uma casa para o botão. Como foi feita à mão, não ficou lá grande coisa, mas depois da experiência falhada do tubo, não me ia deixar desanimar por um detalhe desses.  


E assim nasceu a primeira mala feita por mim, contra todas as minhas expectativas de sucesso. A Catarina, que foi acompanhando atentamente o processo, queria ficar com ela. No way, disse-lhe eu, esta é para mim... 

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Bolo de Nuvem

Apesar do sol magnífico e do tempo quente, estou pelo segundo dia consecutivo fechada em casa. A minha asma é suficientemente simpática para só me incomodar quando me constipo, mas quando isso acontece, deixa-me de rastos... Por isso, aqui estou, sem conseguir fazer grandes esforços e caladinha a maioria do dia, totalmente afastada do rebuliço que é sempre o meu Sábado, com as actividades habituais delegadas ao André... o que me está a garantir um fim-de-semana bastante sossegado que tenho aproveitado, entre outras pequenas coisas, para um projecto um pouco mais difícil... 

Estava eu entregue ao dito projecto, quando oiço: Ó mãe, há tanto tempo que não fazes um bolo de nuvem! Podemos fazer um hoje? Não me apetecia, confesso, mas também tinha ali um monte de limas a terem que ser usadas... e como é um bolo fácil de fazer, lá reuni a coragem necessária. Mas o que é afinal o bolo de nuvem? É uma tarte de limão merengada, que costumo fazer a partir desta receita a que, como é habitual, faço algumas alterações. Hoje resolvi experimentar com limas e, francamente, acho que fica ainda melhor.


O sumo e a raspa das limas (cinco) são misturados nas gemas (quatro) batidas com uma lata de leite condensado.


Esta mistura deita-se sobre a base da tarte, que é feita com bolachas (eu prefiro usar Maria, com Shortcake fica muito doce) picadas com manteiga. Enquanto a tarte vai ao forno (pré-aquecido a duzentos e vinte graus), faz-se o merengue, mas em vez de cento e cinquenta gramas de açúcar, uso só cem, o que faz com que não fique tão caramelizado quando arrefece, e menos enjoativo, é claro. Deita-se o merengue por cima da tarte e leva-se novamente ao forno, desta vez a cento e cinquenta graus. 


Apesar de eu não ser grande fã de doces, este está definitivamente no meu top.

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