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domingo, 30 de outubro de 2011

O que me faz feliz: semana um

Na semana passada, através do Pedaços do Mundo da minha amiga M., fiquei a saber do desafio lançado pela Margarida, do Pano Pra Mangas: escrever pelo menos uma vez por dia algo que gostemos e  lê-lo tentas vezes quanto necessário. Aceitei o desafio e tenho escrito as minhas frases diariamente aqui. Esta semana foi assim...

Gosto do tempo que passa entre o despertar e o levantar, em que o meu mundo está silencioso e quente e confortável...


Gosto de estar com a minha avó e ouvir as mesmas histórias vezes e vezes sem conta, ver as mesmas fotografias, partilhar as mesmas memórias e, de vez em quando, ser surpreendida por algo que desconhecia...


Gosto dos Domingos de manhã, que são sempre o meu momento de preguiça na semana...

Gosto de passar o primeiro Domingo invernoso do ano em casa, a ver a chuva a cair e a ouvir o vento a soprar...

Gosto de fazer as primeiras fornadas de bolachas do ano e ficar com o seu aroma impregnado em cada canto da casa...

Gosto de ir buscar a minha filha à escola e de a ver correr para mim com o seu sorriso rasgado e sincero...

Gosto de escrever, de me perder na escrita, de me perder dentro de mim...

Gosto de massa com molho de tomate, sem mais chatices ou complicações...

Gosto de contar histórias a preceito, de fazer as vozes, de inventar os gestos, de dar vida ao que outros puseram no papel...

Gosto do céu pintado a aguarela, minutos antes de desaparecer o último raio de sol...




Para a semana há mais...

domingo, 23 de outubro de 2011

Bombons com creme Regina

Há anos que não comia os meus bombons favoritos, os bombons com creme Regina. Anos. É provável que os haja à venda em muitos sítios, mas nunca mais os vi. Ontem, no nosso passeio matinal pela Baixa, encontrei-os na Casa Pereira. 


E assim são eles, em forma de pequeno sino. Como quase sempre acontece com as coisas que me marcaram na infância, comê-los implica um ritual muito pessoal.


Vêm embrulhados em prata colorida, que se abre com cuidado para não rasgar...


... trinca-se e come-se a parte de cima ...


... lambe-se o creme...



... come-se o chocolate...


... e alisa-se a prata no final.

As saudades que eu tinha destes bombons e deste pequeno ritual.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Um desafio! Gosto disso!

A minha grande grande amiga M. referiu no seu blog Pedaços do Mundo, que sigo e recomendo, um desafio que anda a circular por alguns (muitos, pelo que parece) blogs: "escreverem, pelo menos uma vez por dia, algo de que gostem - e leiam-nas tantas vezes quantas quiserem". A ideia partiu da autora do Pano pra Mangas e é sem dúvida uma óptima ideia

A M. comentou "Numa época em que somos inundados de más notícias, nada como relembrarmo-nos diariamente das coisas que mais gostamos!". Eu não saberia dizê-lo melhor.

Entretanto, fui espreitar os blogs que foram sendo referidos:


De todas as frases que li, tiro sempre a mesma ideia de que são pequenas coisas, os pequenos momentos que nos fazem realmente feliz. Como a Amélie e os dedos enterrados no saco de feijões, lembram-se?

Por isso, parece-me bem aderir ao desafio e vou fazê-lo aqui e aqui. E, dos milhares de pequenas coisas que me estão a passar pela cabeça neste momento, parece-me mais do que justo e verdadeiro escrever a seguinte:

Gosto de ver que, mesmo ao fim de dezassete anos, a minha grande grande amiga continua a mostrar-me e ensinar-me coisas novas

E isso faz-me muito feliz!

domingo, 16 de outubro de 2011

Um belo aniversário

Sete de Outubro. Nada melhor do que completar trinta e quatro anos a brincar. Como já havia contado aqui e aqui, gostamos sempre de fazer alguma coisa diferente nos nossos aniversários e o deste ano foi mesmo diferente...

Para além de ser acordada com beijinhos e miminhos, o dia despertou soalheiro, apesar de frio. Tinham-nos dado no hotel a possibilidade de tomar o pequeno-almoço num dos restaurantes do parque, o que por sinal se revelou um pequeno-almoço perfeito para começar um dos melhores dias de anos que já tive.  


De barriga bem cheia, seguimos para a única área que ainda não tinhamos explorado, a Discoveryland. Começámos pelas naves espaciais do Orbitron, onde o meu medo das alturas me fez passar um mau bocado. A Catarina delirava com a altura e a velocidade, eu encolhia-me e esperava que aquilo passava depressa e o André, na nave atrás da nossa, fazia malabarismos para fotografar-nos e manter a nave em altitude ao mesmo tempo.


Em seguida, demos uma mãozinha ao Buzz no seu implacável combate ao temível Zurg. Não se pode dizer que eu tenha sido grande ajuda, a minha inépcia para tiro ao alvo, ainda por cima em movimento, ficou comprovada. Duas vezes! Na primeira, fiz uns seis mil pontos, contra os quarenta e três mil do André. Na segunda, fiquei-me pelos cinco mil e quinhentos (nem com treino lá vou) e até a Cat fez quase mais pontos do que eu...



Terminámos o nosso périplo pela Discoveryland no simulador de vôo do Star Wars, que nos dá um pouco da sensação de uma viagem espacial atribulada. O André foi também ao Space Mountain, a montanha-russa que há dez anos me curou da febre das montanhas-russas e me fez jurar que jamais  voltaria a pôr os pés numa coisa daquelas) e, daqui, fomos ver o que nos faltava da terra das princesas.



No It's a Small World, os costumes de todo o mundo são retratados por bonequinhos risonhos e canções alegres. No diorama de Portugal dançava-se uma das nossas danças típicas, talvez o vira. Não percebi bem o que era e não consegui fotografar o nosso espaço naquele pequeno grande mundo.


Novamente na rua, o sol dava outra luz e outra beleza aos cenários. Está tudo feito com tanto cuidado e pormenor que nos sentimos realmente noutro mundo...


Só nos faltava uma atracção para experimentarmos tudo o que havia para ver e fazer: dar a volta ao parque no combóio. É magnífico! Cada zona do parque tem uma estação, desenhada de acordo com o seu tema, mas o que eu gostei realmente foi do combóio propriamente dito. Mais uma vez, o pormenor a conquistar o meu coração...



Finda a volta, tinhamos o resto do dia para repetir os divertimentos favoritos. Os Piratas das Caraíbas estão no meu top porque não só a viagem em si é emocionante (tem uma pequena dose de thrill e a possibilidade de levarmos um banho não está excluída) como toda a envolvente é simplesmente fabulosa: escura, húmida e quente. Todos os vícios dos piratas do nosso imaginário colectivo estão bem representados e caricaturados: tesouros (Yo), pilhagens (Oh), mulheres (Oh)... and a bottle of rhum! Brilhante! Para além disso, há um restaurante (Blue Lagoon) lá dentro e que viamos sempre no início da viagem. Foi a minha escolha para o almoço de aniversário. Para além de os pratos serem (supostamente) das Caraíbas e para além de estarem deliciosos, o ambiente em si é fenomenal. Foi sem dúvida um dos pontos altos da viagem.


Depois do almoço tardio, ficámo-nos pela zona do Big Thunder Mountain e da Casa Assombrada (obviamente) e como não podia deixar de ser, tivemos todos os vilões à nossa disposição. A melhor cena do dia, que não fui a tempo de fotografar, foi ver a bruxa da Branca de Neve a correr atrás de um grupo de miúdos (e respectivos pais) que berravam e riam desalmadamente.


Foi um grande dia de aniversário.  É impossível não ter um dia feliz aqui.

Dia oito de Outubro foi o dia do regresso. Tinhamos ainda a parte da manhã para queimar os últimos cartuchos, mas o Sábado é definitivamente um mau dia para estar na Dísney. Perde-se mais tempo nas filas do que em qualquer outra coisa e nem o Fastpass é uma boa alternativa. Aproveitei a manhã para fotografar a Main Street, por onde passávamos todos os dias e que ainda não tinha recebido a devida atenção da minha lente. E bem a merece.


Acabaram assim as nossas mini-férias na Disney. A grande surpresa. O aniversário perfeito. Aproveitámo-los ao máximo pois sabemos que tão cedo não será possível voltar. Mas trouxemos connosco grandes memórias e histórias para contar.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Princesas? Não! A Casa Assombrada, por favor...

Seis de Outubro.

E que tal se a primeira coisa da manhã for andar na Big Thunder Mountain? Três vezes! De seguida! É claro que sim! Há que aproveitar bem os primeiros quarenta e cinco minutos da manhã, em que quase não há filas e em que o Fastpass não é necessário. É uma excelente forma de começar o dia... para além de que nos permitiu ver detalhes no caminho que a entrada rápida não permite.


Mas o que eu queria realmente era andar no barco. Apesar do tempo (sim, apanhámos chuva, para variar um pouco do tempo que esteve nas nossas férias... ano azarado, hein?), eu sabia que o passeio de barco daria algumas das melhores fotografias da viagem. Acho que não me enganei...



O verdadeiro desejo da Cat era ir à Casa Assombrada, num misto de receio e curiosidade. Explicámos-lhe que era tudo a fingir, mas que poderia haver algumas coisas assustadoras. Isso não a demoveu. Fomos recebidos por um porteiro que desempenhava tão bem o seu papel, que olhou para ela com um ar misterioso e meio comprometedor. Também não a demoveu. Lá dentro, fazia-se ouvir uma música de fantasmas meio arrepiante, mas que recebeu o comentário: esta música é linda, mãe! E não a demoveu. Só quando a porta se fechou e começámos a ouvir uma voz de mordomo a dar-nos as boas vindas, é que houve um quero ir embora daqui, por favor, saído de um pequeno fio de voz, mas lá a convencemos a ficar para ver como era. Mais de cinco anos e meio disto ensinaram-me que basta vender bem a ideia: comecei a comparar os pormenores da casa a coisas dos filmes dela e.. bem, digamos que foi a atracção favorita e que perdi a conta ao número de vezes que por lá andámos, nesse dia e nos dois que se seguiram. 



No fundo, entre Big Thunder Mounten e Casa Assombrada, passámos a maioria do nosso tempo na Frontierland.


A chuva limitou-nos um pouco, mas deu-nos para explorar a maior parte do parque. Passámos ainda algum tempo na Adventureland, em particular nos Piratas das Caraíbas (uma das melhores atracções, na minha opinião) e andámos nos divertimentos clássicos da Fantasyland - o voo do Peter Pan, o Pinóquio e a Branca de Neve. O flash é o ponto fraco da minha máquina, por isso as poucas fotografias que tirei no escuro ficaram demasiado más para virem para o blog. Sou esquisita, eu sei...
  

As meninas de cinco anos deliram quando vêem as princesas e perseguem-nas quase ferozmente. No nosso caso, dada a preferência marcada pela casa assombrada, vimos sobretudo os vilões, que se reunem por essas bandas. Confesso que não tive pachorra para ir à caça de autógrafos. A Catarina não quis tirar fotografias com ninguém (são estranhos, não se tira fotografias com estranhos, mãe), bom ou mau, vilão ou princesa. Mas perdemos algum tempo a ver o espectáculo, que dava grande destaque ao Homem Sombra e à Maléfica... Afinal, os vilões também têm direito a  algum protagonismo, ou não?


O que vos posso dizer mais? Só que terminámos a tarde com quatro (!) voltas na Big Thunder Mountain. E chega, não? 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um segredo bem guardado

Cinco de Outubro. Feriado em Portugal. A hipótese para dormir um pouco mais e para recarregar energias. O que é que estão a fazer acordados?, disse ela, num fio de voz, disse ela que apesar de não saber ver bem as horas, sabe como qualquer criança que se preze que, aos cinco anos, só custa levantar cedo quando é para ir para a escola. Aos fins-de-semana e feriados, levantar cedo é sinónimo de ver os desenhos animados da manhã, que lhe estão proibidos durante a semana, a bem do sucesso da rotina diária. Feriado seria sinónimo de acordar antes dos pais, de acordar os pais - e não de ser acordada - mas algo de diferente se passava naquele dia.

Temos que nos despachar, temos uma surpresa para ti. O ar de estupefacção instalou-se no pequeno rosto, sendo seguido por um rol interminável de perguntas, que não receberam mais do que evasivas. As malas à porta, um táxi à espera, uma ida ao ...Porto?!? Porque é que vamos para o Porto de táxi? Mas não era para o Porto, era para o aeroporto, para a sua primeira viagem de avião.

O destino, só o soube quando anunciado pelo Comandante: Paris. Vamos à Disney? Eu queria tanto!!! Pois queria, mas só desde Junho ou Julho, quando uma amiga lá foi e maravilhou os colegas com as suas histórias. Quando marquei a viagem, em Maio, ela nem desconfiava que pudesse haver algo assim. Mas achava que só lá iria quando fosse mais crescida e a ideia nem lhe passava pela cabeça. E nós conseguimos guardar o segredo de quase todos, para que ninguém distraidamente lhe falasse no assunto. Só posso dizer, dos segredos bem guardados saem as maiores surpresas. E esta foi a surpresa perfeita.


O Outono fazia-se sentir no seu esplendor. Com mais de trinta graus em Portugal neste Outubro de dois mil e onze, foi com uma enorme alegria que senti o frio próprio da estação e que vi as árvores carregadas de folhas vermelhas, um espectáculo que para mim é dos mais belos que a natureza nos dá. Espectáculo engrandecido pelo enorme lago perto do nosso hotel e por onde passámos todos os dias, num passeio tão agradável que nos afastou, mesmo com chuva, dos autocarros que transportam os visitantes ao parque.


Chegámos por volta das quinze e conseguimos por isso aproveitar ainda o final da tarde. O fascínio começa logo à entrada, com o magnífico Disneyland Hotel que, apesar da cor, é a melhor porta que pode haver para um mundo de completa e absoluta magia. Aliás, o que mais cativa na Disneyland é a forma como nada é deixado ao acaso. Para uma amante dos detalhes, como é o meu caso, um sítio onde nenhum pormenor é descurado origina o mais profundo deslumbramento. Isso sobrepõe-se à menos agradável proliferação de lojas, lojinhas e lojecas com variadíssimos artefactos, Made by Disney, que deixam os miúdos loucos de desejo e os pais num ligeiro estado de desespero com tanto "eu quero, vá lá, por favor!!!".   


Mas voltemos ao que realmente interessa, o parque. O espaço está dividido em cinco zonas e, dado que tinhamos pouco mais de duas horas nesse dia, fomos directos à Frontierland, onde está a única montanha-russa que eu consigo adorar: a Big Thunder Mountain. A dose de thrill é quanto baste para nos deixar emplogados e ganha por trocar as descidas vertiginosas que eu detesto por um passeio de cinco minutos, que em tempo de montanha-russa é notável. 

Uma das ideias mais geniais é a do Fastpass, um bilhetinho que está disponível para os divertimentos mais concorridos e que nos indica um determinado intervalo de tempo em que devemos voltar, sem filas, sem esperas, sem perder tempo. É que em vez de estarmos a apodrecer numa fila apertada, podemos ir visitando outras coisas, tendo apenas que regressar às horas indicadas. Pudemos assim, enquanto esperavamos, visistar a Frontierland e dar um pulo à Adventureland. Algumas das atracções estavam em manutenção, mas é o preço que se paga por ir em época baixa e com menos confusão.


Depois do Thunder Mountain, houve ainda tempo para visitar a Fantasyland, mais conhecida como a "zona das princesas". O castelo da Bela Adormecida causou o seu impacto, reforçado pela magia das ruas de contos de fadas. 


Já o carrossel e as chávenas do chapeleiro louco, nem tanto. Mas, apesar do nível de diversão limitado que proporcionam, a sua beleza é inegável...


O que foi realmente divertido nesta zona e nesta visita-aperitivo foi o labirinto da Alice. É espectacular e faz-nos mesmo andar perdidos à procura da saída.
  

Tomámos mesmo um pequeno duche, cortesia da água saltitante...


E, depois de muito andar, sob a ameaça de acabarmos com a cabeça cortada, lá chegamos ao castelo. Como sempre, o pormenor com que tudo está feito é extraordinário.


Com tudo isto, rapidamente chegaram as seis da tarde, hora do fecho do parque. Depois de um jantar em horário nórdico, lá seguimos para o hotel, que à noite se veste de luz e dá uma outra vida ao lago.



Simplesmente magnífico. É claro que caímos redondos na cama, depois de um dia com tantas aventuras. E ainda só estavamos no início...

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