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domingo, 29 de janeiro de 2012

Évora do meu coração

Nos últimos três meses tive um défice de energia tão grande que apenas conseguia ter forças para as tarefas habituais do dia-a-dia. Não tenho saído para fotografar, pouca coisa tenho feito dos meus crafts, não tenho tido sequer pachorra para escrever e os blogues têm andado meio ao abandono... enfim, o que interessa é que, finalmente, começo a sentir-me novamente eu e a ter vontade de voltar para o meu ritmo antigo. 

Foi por isso que ainda não vos mostrei a minha última visita a Évora. O André teve um torneio e eu e a Cat metemo-nos à estrada, no meio de um temporal épico, e fomos para casa da mamã... da minha, claro está. Não teremos muito mais oportunidades de ficar naquela casa de aldeia que, apesar de gélida no Inverno e infernal no Verão, tem qualquer coisa que me vai fazer sentir muitas saudades de lá ir e ficar.

Nesse fim-de-semana de Novembro, um dos meus planos era passear pela cidade e fotografá-la como ainda não fiz até hoje. Évora está na minha memória e no meu coração  desde pequena, dos dias de Verão em casa dos meus tios, a destilar de calor e ansiosamente à espera da trégua do cair da noite, que trazia um fresco ímpar, à semelhança do clima do deserto. Sinto dever a essa cidade uma dedicatória como deve ser, mas não foi ainda daquela vez porque esteve quase sempre a chover. Ainda assim, saímos de manhã como planeado para ir ao mercado, passar pela Praça do Giraldo e espreitar a restrosaria mais antiga da cidade em busca de galões diferentes para os meus projectos de costura.


O mercado sofreu obras profundas, que o transformaram numa amálgama de mármore, vidro e pequenas lojas. Para os fãs de mercados abertos e espaçosos, o resultado final é uma desilusão. Mas fora de portas há bancas ao ar livre com legumes, azeitonas, massa de pimentão, ervas aromáticas, numa explosão de cores e cheiros acompanhada e enriquecida pela conversa de vendedores e clientes.



Depois de algumas compras, estava na hora de subir até ao centro da cidade...


A caminho da Praça do Giraldo, pernas mais pequenas ficam cansadas pela subida e, trocando a mão da avó, lá arranjam um transporte alternativo bem mais confortável...


Passear por Évora com alguém que lá more é um desafio ao tempo: todos se conhecem, todos se cumprimentam, todos vão sabendo uns dos outros... nada como em Lisboa, onde a pressa constante vai eliminando quase todos os tipos de contacto humano.



E assim continuamos, entre conversas, ruas estreitas e esplanadas encaixadas em sítios mais ou menos exíguos, em busca da tal retrosaria.



Um portão fechado que dá para lado nenhum guarda uma escultura de um artista local...


... e, bem perto, o estilo único da Oficina da Terra faz-se imediatamente anunciar.


E finalmente chegamos à retrosaria. Encavalitada num muro, mal se percebe o que está dentro daquela porta. Mas digo-vos, vale a pena a visita. Vale tanto que, com o entusiarmo, nem fotografei o local. Fica para a próxima...

A hora de almoço aproximava-se a passos largos. O fumo dos assadores de castanhas impregnava as ruas perto da Praça do Giraldo e o céu estava a fechar-se novamente, ameaçando novo temporal. Era hora de voltar...



... não sem antes correr e saltar para assustar os pombos...


Com este pequeno passeio, fica a promessa e a vontade de passear por todos os recantos da cidade e fazer-lhe aqui a homenagem que merece. Talvez na Primavera...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O Bolo da Luísa

A Luísa, seja ela quem for, deu-me a inspiração para o seu bolo, que podem espreitar aqui. Mas, como sempre, há que dar-lhe um twist para passar a ser o bolo da Susana, que passou também a ser um dos eleitos cá de casa (e dos colegas do André também, pelos vistos...). A receita já vem para aqui com quase três semanas de atraso, mas mais vale tarde do que nunca...

Começa-se por fazer três decilitros e meio de chá preto bem forte. Às ameixas da receita original, juntei alperces e figos, todos eles secos, e a perfazer cerca de quatrocentas e cinquentas gramas. Descaroçadas as ameixas, fervem-se as frutas no chá em lume brando durante cinco a dez minutos. Escorrem-se bem, reserva-se o chá e cortam-se as frutas em pedaços.  


Entretanto, faz-se a base do bolo: trezentos gramas de açúcar amarelo, que se bate com duzentas e cinquenta gramas de manteiga amolecida até ficar uma massa fofa. Juntam-se seis gemas e bate-se muito bem. Peneira-se quatrocentos gramas de farinha e uma colher de sopa de fermento para cima da massa e, antes de envolver, acrescentam-se as frutas. Bate-se muito bem a massa e juntam-se as claras em castelo.


Deita-se a massa numa forma de mola e leva-se ao forno a cento e setenta e cinco graus. Entretanto, leva-se novamente o chá ao lume com três colheres de sopa de açúcar, que vai reduzir até formar uma calda. A meio da cozedura, retira-se o bolo do forno...


... dá-se uns golpes...


... rega-se com a calda...


... e volta ao forno para acabar de cozer. O bolo fica meio caramelizado por cima, mas não de forma excessiva, o que é bom para quem, como eu, não é fã de caramelo.


Este ficou mais baixo porque não foi feito com as quantidades que vos indiquei aqui. Se respeitarem as quantidades, ficam com um bolo alto, mais parecido com o da receita original, mas mais escuro do que esse por causa do açúcar amarelo.


Esta fatia foi para mim. Comi-a a ferver, como eu gosto. Sempre gostei dos bolos de fatia acabados de sair do forno, a fumegar. E, ao contrário do que dita a sabedoria das avós (e para horror da minha sempre que me via fazê-lo), nunca me causou uma dor de barriga...

sábado, 7 de janeiro de 2012

Natal

Os últimos meses do ano foram algo complicados, o que se deve ter reparado pelas poucas vezes que aqui vim. Não foi tanto pelo trabalho, que foi muito mas não mais do que o habitual, não foi apenas por ter tido mais do que fazer em casa do que costumo ter. Talvez tenha sido também um pouco por me meter em demasiadas coisas ao mesmo tempo mas foi, sobretudo, por uma enorme exaustão que, se bem que por bons motivos, me tem esgotado completamente a energia habitual.

Ainda assim, não podia deixar de dedicar algumas horas às coisas que mais me dão prazer na altura do Natal: decorar a casa, preparar a ceia ao pormenor e fazer algumas pequenas lembranças para dar. Há muitos anos que faço coisas para dar no Natal. Não têm que ser coisas complicadas, basta serem coisas feitas com amor e a pensar em quem as vai receber: uma moldura com uma fotografia especial, uns brincos, um colar, um calendário com fotografias, compotas, azeites aromáticos, açúcares fragantes, bolachas... há tanto que se pode fazer e tanto a que podemos recorrer para nos afastarmos da habitual compulsão consumista que passou a caracterizar esta quadra e que roubou parte da sua magia. 

Este ano comecei a fazê-las em Outubro. Não variei tanto como no ano passado, mas os vários galões que fui comprando desde o Verão tinham que ser usados e só conseguia pensar em almofadinhas de cheiro. E cá estão elas...


Fiz também um saco quente para a minha avó, com bagos de arroz lá dentro, que basta aquecer no micro-ondas e usar por cima de qualquer músculo dorido. Experimentei-o no pescoço e fiquei fã, não tarda farei um para mim...


Fiz ainda uns cremes para as mãos com manteiga de cacau, manteiga de Karité, óleo de amêndoas doces e essência de alfazema, mas não consegui tirar-lhes fotografias decentes para mostrar. Para a minha mãe, um colar de troçado com umas pedras que já havia comprado há anos e que ainda não tinha usado. 


O jantar e a ceia de Natal também foram cá em casa. Fiz bacalhau, tronco de Natal, mexidos e panna cotta, mas não tive oportunidade de fotografar nenhum dos pratos. A casa estava decorada a preceito, como gosto, e as mesas bem postas e cheias de velas aromáticas. Mas, acima de tudo, foi um serão bem passado, com boa conversa, boa comida e algumas boas gargalhadas.


 Isto é, para mim, o Natal: dar, uma casa cheia, alegria e paz.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Crumblin' Crumble

Para a passagem de ano calhou-me fazer a sobremesa. Depois do corropio do Natal, não me apeteceu fazer nada muito complicado, por isso um crumble pareceu-me uma boa ideia, de simples e rápida concretização.

Uma caixa de frutos silvestres congelados e quatro colheres de açúcar mascavado. Lume muito brando, apenas para descongelar, sem ferver, sem amolecer e gerando o mínimo de calda possível...


Maçãs. Usei três, duas granny smith e uma royal gala, mas a melhor maçã para o crumble (e para a generalidade dos pratos com maçã) é sem dúvida a reineta. Cortá-las em pedaços pequenos e finos, de modo a cozinharem no forno sem se desfazerem. Misturar os pedaços com açúcar (prefiro sempre o amarelo) e canela, um pouco a olho dependendo da acidez da maçã. 


Juntar os frutos à maçã e misturar bem. Como vêem, é impossível não gerar calda, mas o importante mesmo é os frutos silvestres ficarem firmes.


Fazer o crumble. Método infalível: numa picadora usar duas partes de farinha para uma de manteiga (pode ir até uma e meia, se se quiser menos seco) e uma de açúcar. Para estas quantidades, usei quatrocentas gramas de farinha para duzentas de manteiga e duzentas de açúcar. Deve partir-se a manteiga aos pedaços antes de a picar com os outros ingredientes. O resultado final é uma espécie de areia grossa. À parte, pode picar-se grosseiramente algumas amêndoas para dar uma consistência mais estaladiça.


Espalha-se a mistura de fruta num pirex, cobre-se com o crumble e leva-se a forno a cento e oitenta graus. 



O que fiz ontem deveria ter estado menos uns minutos no forno, ficou um pouco seco demais para o meu gosto. Eu diria que trinta minutos será suficiente, mas deve ficar com o aspecto deste...


E fica assim por dentro, a fruta misturada com uma massa amanteigada que se esfarela no garfo e desfaz na boca.


Pode ser servido quente, morno ou frio, com ou sem gelado. Para mim é a ferver e sem mais nada a acompanhar. 

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