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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cheesecake de framboesa

Quando me lembro da primeira vez que tentei fazer cheesecake, não consigo deixar de me rir. Tudo o que havia para correr mal, correu: a massa desfez-se (pouca manteiga), o recheio ficou granulado, mole e com pedaços de gelatina a boiar e o doce ficou horrível (nem me consigo lembrar porquê). Ainda por cima era a minha contribuição para a passagem de ano (talvez de dois mil e quatro ou cinco) e pronto, lá ficámos sem uma das sobremesas da noite. Eu levei-o, mas acho que ninguém o conseguiu comer. Eu pelo menos não consegui...

Depois dessa, fiz outra tentativa, melhor sucedida mas ainda muito imperfeita (base boa, cobertura óptima, "recheio" nem por isso) até que finalmente entendi os dois passos que me estavam a falhar: amolecer o queijo e tratar convenientemente a gelatina, que era algo que eu não sabia fazer. A partir desse momento, o cheesecake passou para a minha lista de receitas rápidas e praticamente infalíveis. E, como tal, perfeita para uma festa de aniversário como a que houve cá em casa no fim-de-semana. E o resultado foi o que se segue... 


 Pretty, huh? Pois é, e fi-lo em cerca de trinta minutos. Como? Passo a explicar. 

Começa-se pela base: bolacha Maria e manteiga. Se se quiser fazer uma base plana, basta um pacote de bolacha (cento e oitenta gramas) para cento e vinte cinco gramas de manteiga. Eu fiz uma base com bordas, então usei duzentas e cinquenta gramas de bolacha para cento e cinquenta de manteiga. A melhor maneira de fazer uma base de bolacha é picar as bolachas e a manteiga na picadora. A minha é pequena, por isso divido o processo em partes. O objectivo é ficar com uma espécie de areia grossa, que depois se molda à medida da tarteira. Neste caso, usa-se uma forma de mola sem o fundo, que se coloca directamente no prato de serviço. É importante calcar bem a massa para o creme de queijo não verter.


Para o creme, amolece-se no micro-ondas uma embalagem de queijo creme, que se bate em seguida com cento e setenta e cinco gramas de açúcar até ficar um creme fofo. Hidrata-se cinco folhas de gelatina num copo que se enche de água fria durante um a dois minutos. Escorre-se a água, espreme-se ligeiramente a gelatina e leva-se ao micro-ondas até derreter (no meu demora quinze a vinte segundos na potência máxima). Junta-se ao creme, bate-se bem e incorpora-se um pacote e meio de natas batidas com vinte e cinco gramas de açúcar. Deita-se na forma e leva-se ao frio durante umas duas horas.


Entretanto, faz-se a cobertura: tão simplesmente um pacote de framboesas congeladas que se leva ao lume com cem gramas de açúcar (convém provar porque estes frutos podem ser ácidos e poderá ser necessário um pouco mais de açúcar). Quando estiverem cozinhados, tritura-se com a varinha, deixa-se arrefecer e, quando o creme de queijo estiver mais sólido, deita-se por cima. Este último passo pode ser feito antes ou depois de desenformar. Com a forma, o aspecto fica mais uniforme, caso esta seja retirada apenas antes de servir. Eu gosto de ver o molho a escorrer, então só o deito depois de desenformar.     


E este é o resultado final. Neste caso, enfeitei com framboesas frescas e um pouco de manjericão, para lhe dar um ar de festa. 

E foi com esta simples receita que ultrapassei o jinx dos cheesecakes.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tarte Tatin de Maçã

Há cerca de duas semanas tomei conhecimento do grupo Dorie às Sextas no Facebook, através do blog da Sofia. O conceito é engraçado: de quinze em quinze dias as administradoras do grupo escolhem uma receita do livro Baking, de Dorie Greenspan, e propõem aos membros do grupo que façam essa receita, com ou sem inovações. Quem assim o entender pode mostrar o resultado da sua receita na página. O mais interessante é encontrar várias combinações possíveis de uma mesma receita e ficar a conhecer uma série  de blogs com conteúdos deliciosos, dicas e conselhos diversos e, acima de tudo, uma série de pessoas com gostos parecidos com os nossos. 

Perante tudo isto, pedi para me incluirem no grupo e estreei-me esta semana com uma Tarte Tatin (para quem não conhece, é uma tarte feita ao contrário, com a maçã por baixo e a massa por cima). Já andava para fazer uma há vários meses, mas ainda não se tinha proporcionado. A festa de anos da Cat foi uma óptima desculpa e foi a oportunidade de testar a frigideira de ir ao forno que comprámos no outro dia.

Quando faço uma receita pela primeira vez procuro fazer poucas alterações. Por isso, limitei-me a cortar um pouco no açúcar e a polvilhar as maçãs com canela, já que esta é uma combinação que raramente dispenso. 

São precisas cinco maçãs. As reineta não estavam com o melhor dos aspectos, então comprei Starking, que descasquei, cortei em oitavos e polvilhei com a dita canela. 


Derrete-se cem gramas de manteiga em lume branco, inclinando a frigideira para untar os lados. Retira-se do lume e polvilha-se com meio copo de açúcar (usei branco, mas para a próxima experimento com mascavado, conforme várias sugestões no grupo). 


Dispõe-se as maçãs com a parte redonda para baixo e tenta-se apertar ao máximo porque as maçãs vão encolher com a cozedura.


Leva-se de novo ao lume (médio) e deixa-se ferver durante cerca de quinze minutos. O açúcar vai caramelizar e quando isso acontecer fica com um tom acastanhado. Não sou fã de caramelo, por isso deixei o meu bastante suave. 


Quando estiver pronto, retira-se do lume e cobre-se com massa folhada estendida. Eu usei da congelada, mas pode usar-se da fresca que já vem estendida ou fazê-la em casa (algo em que ainda não me aventurei até à data). Cortei a minha à medida da frigideira, mas podem deixá-la ligeiramente maior ou dobrar as extremidades para um folhado extra.


Vai ao forno até folhar e ficar dourada.


E desenforma-se rapidamente para o prato de serviço.


O cheiro é divinal. O aspecto é o que vêem. O sabor, é incrivelmente leve.


A não perder...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

E vão seis...

Há precisamente seis anos, tudo mudou após este momento...


... e entre choros, fraldas, banhos, primeiros sorrisos, primeiras papas, primeiras sopas, seis meses passaram...


... e veio o infantário, as otites, os dentes, as rotinas, o bacio e muitas muitas horas de desespero para comer... mas também as primeiras palavras, o gatinhar, os beijinhos, os abraços... e assim se passou um ano...


... e com ele mais palavras, os primeiros passos, as primeiras quedas, a praia, o sol, as primeiras férias fora de casa, mais desespero para comer, dois dentitos partidos... e dezoito meses nas nossas vidas...


... e daí até aos dois anos foi só uma questão de nova sala no infantário, birras, pesadelos, muitas palavras, frases, muitas corridas, as primeiras canções, Noddy e Pocoyo até não poder mais... 


... e aos dois começou lentamente a trégua às refeições e o adeus à chucha, substituídas por noites muito, muito más e birras muito muito grandes... mas também os primeiros desenhos "a sério", a sala dos crescidos, a primeira amiga... e os três chegaram sem se dar por eles...


... e tudo começou a acalmar... novo infantário, colegas mais velhos, uma grande evolução a todos os níveis, a primeira melhor amiga, as primeiras rivalidades, alguma vaidade à mistura, a febre das princesas... e chegámos aos quatro... 


... e aí ficámos mais próximas, começaram as grandes conversas, as grandes perguntas, uma grande cumplicidade, as nossas brincadeiras, os nossos passeios... até chegarmos aos cinco...


... a melhor idade até agora. Nunca estivemos tão próximas. Nunca partilhámos tanto. Nunca nos rimos tanto, nem nos divertimos tanto como ao longo do último ano. 


E a partir de hoje são seis. Seis anos passados. Os melhores seis anos da minha vida. 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Oitenta e Quatro

Não somos nada sem os outros. Quer dizer, alguma coisa seremos, mas são os que nos rodeiam que nos tornam humanos, que despertam em nós o nosso melhor lado e, por vezes, o pior. Toda e cada uma das pessoas da nossa vida nos marcam de alguma maneira. Todas têm algum tipo de significado para nós. A nossa vida é uma amálgama de trabalho obrigações, rotinas, tarefas e cada vez nos comportamos mais como máquinas. Cada vez nos ligamos mais a elas, nos relacionamos mais através delas, gastamos uma boa parte do nosso tempo livre, quando existe, com essas máquinas. Como se elas fossem a nossa referência. A nossa raiz.

E as pessoas? Continuaremos a ser pessoas sem as outras pessoas? Poderemos ter raizes sem elas? Eu diria: não! Não é possível. Por isso, há que manter as pessoas da nossa vida por perto. Há que dedicar parte do nosso tempo a quem realmente importa. A quem nos marca. A quem nos define.

Ontem, uma das pessoas mais importantes da minha vida fez anos. Quantos? Oitenta e quatro anos, trinta e quatro dos quais eu tive a felicidade de partilhar. Falo da minha avó. Da minha avó que cuidou de mim desde os primeiros dias de vida. Da minha avó que me mudou fraldas, me deu a papa, que me dava banho e me levava à praia, com quem eu passava quase todas as horas da minha infância. Que me dava pequeno-almoço, almoço e, tantas vezes, jantar, que me levava à escola e ia buscar, que me levava ao jardim e a andar de escada-rolante na estação do Rossio. Que me aturava as manias e as birras, que me ajudava com a sua paciência infinita a fazer casas de lençóis e tendas e as macacadas que eu gostava de fazer quando era pequena. E que me levava ao colo quando eu estava com preguiça e fingia estar a dormir. A minha avó ao lado de quem cresci. Que esteve sempre lá para mim. Sempre. Na minha adolescência. Quando me tornei adulta. Quando a Catarina nasceu. Ontem. Hoje. Ainda agora, enquanto escrevo estas linhas. Temos as nossas coisas. As boas e as más. Faz parte.

A minha avó está por cá há oitenta e quatro anos. Sei que dentro de algum tempo deixará de estar. Espero que ainda falte bastante até chegar esse momento. 

Não sei como suportarei quando não puder sentir as suas mãos enrugadas... 


... ou ver o seu rosto afável e carinhoso...


... ou afagar o monte de neve fofa que são os seus cabelos...


... mas quando esse momento chegar, logo se verá. O que interessa realmente agora é que posso fazer tudo isso. Posso aproveitar o tempo que ainda temos juntas. Seja ele aquele que for. Hoje. Agora. Afinal, o que importa mais do que as pessoas da nossa vida?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Aprendendo a tricotar

Quando era miúda, a maioria das minhas camisolas eram feitas pela minha avó que, mais tarde, me ensinou também as bases do tricot: a liga e a meia. Acho que então era mais preguiçosa do que agora e nunca me preocupei realmente em aprender a "fazer malha" a sério. Fiz uma (enorme) camisola nos meus tempos de faculdade mas tive ajuda para as partes difíceis: reduções, cavas, golas e para coser as peças. Por isso nunca aprendi muito mais do que fazer peças a direito.

Como acontece com tantas outras coisas, a minha amiga M. partilha este desejo de saber fazer estas coisas bem feitas. Por isso, lá fomos as duas para um curso de tricot para aprender a aumentar, reduzir, decifrar os códigos dos livros e melhorar um pouco a nossa técnica. O curso foi aqui e, tal como o outro, foi difícil, desafiante e muito divertido.  


Os conhecimentos da turma estavam bastante equilibrados (com uma excepção, que claramente apanhava as coisas mais depressa) e isso permitiu-nos acompanhar bem todo o exercício. O resultado final não tem grande aspecto, mas naquela pequena peça que mais parece um rato morto estão quase quatro horas de trabalho, muitas carreiras desmanchadas, alguns "gatos" e a certeza de que, com treino e persistência, lá chegarei.


Tenho comigo as cábulas para voltar a refazer a peça. Vou tentar ver onde errei e fazê-la sem erros. E, depois disso, terminar a camisola que tenho em curso para a Catarina, quem sabe ainda antes da Primavera.

    

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Semear...

Chegou Fevereiro e com ele a vontade de voltar a prestar atenção ao "jardim". Dezembro e Janeiro são tipicamente meses em que negligencio as minhas varandas, no primeiro porque nunca há tempo, no segundo porque nunca há paciência. Sim, se Dezembro é para mim um dos melhores meses do ano, Janeiro é invariavelmente o meu mês "não", um mês que me deprime até ao âmago. Mas em Fevereiro já se nota que os dias são mais longos, o sol já inunda as varandas, já começam a despontar os primeiros rebentos nos vasos, a nascer timidamente uma ou outra flor - ainda fechadas, claro está - e eu volto a ter vontade de passar a tarde na varanda a aproveitar o sol. Por isso, na semana passada enchi-me de coragem e estive a preparar a terra dos vasos, a arrancar ervas daninhas e a tirar folhas secas e esta semana começámos a semear. A maioria das sementes que tenho são para Março, mas Fevereiro é mês de plantar tomate e beringela. Como está muito frio e um vento inclemente, semeámos dentro de casa, nuns vasinhos improvisados que se revelaram bem catitas. A Cat gosta sempre de me ajudar nestas coisas e foi ela que fez praticamente tudo. No ano passado andava quase tão entusiasmada com a nossa horta na varanda quanto eu e este ano vamos dar um passo em frente, diversificar a produção e plantar quase tudo através de semente. 

O primeiro passo foi pôr alguma terra nos nossos recipientes. Resolvemos experimentar usar caixas de ovos, que parecem ter uma boa profundidade para deixar os rebentos crescer. Como usámos terra de um vaso que já levou outras coisas, foi necessário limpá-la de uma ou outra raiz que tivesse ficado por lá...


Limpa a terra, plantámos as sementes. Duas ou três em cada espaço, enterradas a um centímetro de profundidade. Nada como dedos pequenos e fininhos para o trabalho ficar bem feito.


Plantámos dois "vasos" de tomate-cereja, seis de tomate-chucha "de compra" (ou seja, das sementes que retirámos de uns tomates que comprámos no fim do Verão), seis de tomate-chucha biológico (sementes retiradas de um tomate nascido do nosso tomateiro no ano passado) e duas de beringelas.


Foi tudo devidamente identificado para não haver confusões quando transplantarmos os rebentos. Por fim, é só regar e pôr perto de uma janela. 


Dentro de uma semana ou duas, já devemos ter novidades. 

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