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sexta-feira, 29 de junho de 2012

A tarte dos morangos escondidos

Não tenho tido paciência para muito. As últimas semanas de gravidez estão a roubar-me a energia e como meti na cabeça que vou trabalhar até ao fim, ando completamente exausta. Por isso, poucos projectos, poucos cozinhados, poucos passeios... e só os desafios da Dorie vão alimentando este pobre blogue, que tão ao abandono anda... espero redimir-me durante os meses de licença que aí vêm, isto se o Tiago deixar... pelo menos a cabeça fervilha de ideias, mas quando toca a bebés, o resultado é sempre uma incógnita... 

O desafio da quinzena chama-se Hidden Berry Cream Cheese Torte e é uma tarte (que deveria ter sido uma torta) de queijo creme e requeijão, com uma camada de compota de frutos silvestres entre a massa e o recheio. Fiquei muito entusiasmada com a receita (como não? Frutos vermelhos, requeijão e queijo creme...) e lá arranjei coragem e tempo para a fazer, apesar do caos que foi o fim-de-semana que passou. E foi feita a quatro mãos, já que a Catarina tinha saudades de me ajudar na cozinha, onde tenho passado tão pouco tempo... e até ficou bonita, mas...


... foi de longe o desafio que pior me correu até hoje. O que é que correu mal? A única alteração que fiz foi na compota. Não tinha nenhuma de frutos silvestres, então usei doce de morango. E foi precisamente aí que falhei. Teria sido um bom substituto se eu tivesse cortado mais no açúcar da receita original. Como não cortei, a tarte ficou doce demais para o meu gosto, um problema que temos tentado ultrapassar comendo a tarte fresca. Acontece que esta base não fica muito bem no frigorífico, ficando dura e perdendo o seu toque areado, em parte porque ficou espessa demais. Como se não bastasse, a minha falta de paciência fez-me passar a tarte para o prato antes de arrefecer convenientemente... e é claro que se partiu um bocado.

Mas vamos por partes. A massa em si é boa e saborosa. É uma massa areada feita com gemas e um toque de baunilha. Como não tenho processador, misturei a farinha, o açúcar e a manteiga na picadora, o que é um pouco mais trabalhoso, mas nada de transcendente. Depois contei com a ajuda da Cat para espalhar a base pela tarteira, mas deixámo-la demasiado espessa. Para além disso, vai duas vezes ao forno (tipo biscotti), antes e depois de levar o recheio, o que a torna necessariamente mais rija. 


Saindo do forno, coloca-se uma camada de doce e, por cima, o recheio feito com requeijão, queijo creme, ovos e canela.


Volta ao forno durante uns bons quarenta e cinco minutos. Como já disse, não esperei que arrefecesse para passá-la para o prato de servir, então tive que arranjar maneira de disfarçar o facto de se ter partido nalguns sítios. Qual a melhor maneira? Morangos frescos e açúcar em pó...


E assim ficou. Não se pode dizer que esteja um desastre e a receita tem potencial. Mas para a próxima vou fazê-la de maneira diferente. Vou usar compota de frutos silvestres comme il faut; vou cortar no açúcar e, sobretudo, vou fazer a base com bolachas e manteiga, que não só fica bem a qualquer temperatura como é também a minha favorita.

Bem, espero arranjar coragem para participar em mais um desafio antes do Tiago nascer... isto se ele não me fizer uma surpresa na próxima semana.

*****


Hidden Berry Cream Cheese Torte, Dorie Greenspan, "Baking with Dorie"

Para a base

1¾ chávenas (cups) de farinha de trigo
Meia chávena de açúcar
¼ colher de chá de sal
12 colheres de sopa de manteiga fria
2 gemas grandes
1 colher de chá de extracto de baunilha

Colocar a farinha, o açúcar e o sal numa picadora (mais fácil se se tiver um processador, que não é o meu caso), acrescentar os pedaços de manteiga e misturar até ficar com a consistência de areia grossa. Misturar as gemas e a baunilha com um garfo, juntar à massa anterior e picar até que a massa fique em grumos, mas sem que se forme uma bola. Eu tive que fazer esta fase em três vezes, a minha picadora é pequena...

Forrar uma tarteira de aro amovível com papel vegetal, colocar o areado e calcar bem até ficar uma base de tarte com cerca de três centímetros de altura. Quanto mais fina ficar a massa, melhor. Levar ao frigorífico durante trinta minutos. Cobrir a massa com papel de alumínio barrado com manteiga, colocar umas pedrinhas ou feijões e levar a forno pré-aquecido a cento e noventa graus durante vinte minutos. Retirar o papel e deixar dourar. Retirar do forno e deixar arrefecer.

Para o Recheio

Meia chávena de compota espessa de morangos ou frutos vermelhos
Uma embalagem de queijo creme
Um requeijão
¾ de chávena de açúcar (recomendo um pouco menos)
¼ de colher de chá de sal
Uma pitada de canela
Uma pitada de noz moscada
Dois ovos
Açúcar em pó

Misturar a compota e espalhá-la sobre a parte inferior da base. Amolecer o queijo creme no micro-ondas, juntar e bater bem com a batedeira até a mistura estar suave e acetinada. Adicionar o sal, o açúcar e as especiarias e voltar a bater, adicionando os ovos inteiros. Deitar a mistura sobre a compota e levar ao forno a cento e setenta e cinco graus até o recheio estar inchado (cerca de quarenta e cinco minutos). Deixar arrefecer bem antes de desenformar e refrigerar. Enfeitar com morangos ou frutos silvestres e polvilhar com açúcar em pó antes de servir.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Biscotti com amêndoas (e limão... e sementes de papoila)



Depois de ter saltado o último desafio do Dorie às Sextas - era pudim flan e eu não consigo gostar de pudim flan -, nesta quinzena a proposta lançada foi Lenox Almond Biscotti. Confesso que não sabia o que eram biscotti, mas quando surgiu a receita, lá fui eu perguntar ao senhor Google... e fiquei com água na boca apenas pelas fotografias e descrições...

Os biscotti são uns biscoitos italianos que têm a característica de ir ao forno duas vezes, ficando bastante estaladiços. Segundo li, a dupla cozedura torna-os mais duradouros, sendo por isso favoritos nos tempos de antigamente para levar nas viagens, quando estas eram mais lentas e mais distantes do que são hoje... no fundo, são bolos do tipo lembas bread (esta é para os fãs do Senhor dos Anéis, mil perdões para quem não leu os livros ou viu os filmes).

A receita é fácil de fazer e seria bastante rápida se não tivesse que ir duas vezes ao forno. Assim demora um  pouco mais de tempo. Depois de misturar farinha de trigo, fermento, farinha de milho, sal e amêndoas laminadas a uma massa feita com manteiga, ovos, açúcar e extracto de amêndoas, molda-se dois troncos rústicos com quatro centímetros e largura e trinta de comprimento. Por distração, fi-los um pouco mais largos e não me arrependo, acho que deu aos biscotti um tamanho perfeito. Por serem dois troncos, decidi acrescentar à segunda metade da massa a raspa de um limão e cobrir o tronco com sementes de papoila, just for fun.


Leva-se ao forno durante dez a quinze minutos, retirando-se os troncos (que vão estar ligeiramente moles por dentro), deixando arrefecer durante trinta minutos e cortando-os em fatias com um ou dois centímetros.


Colocam-se as fatias novamente no tabuleiro, com a parte de dentro virada para cima, e leva-se ao forno durante mais dez ou quinze minutos.


Et voilá! Tostados em todos os lados. Os verdadeiros biscotti.


Bem, quando provei o primeiro, pensei imediatamente no quão bom ficaria com um copo de leite fresco. E não me enganei... a combinação é perfeita e o difícil é parar...



A Cat provou e gostou tanto que quis levá-los para os colegas, por isso restaram apenas uns quantos na lata, que têm sido saboreados aos poucos... mas demasiado rapidamente para testar a sua durabilidade.   

Definitivamente, mais uma receita a repetir e mais um desafio superado.


*****

Lenox Almond Biscotti, Dorie Greenspan

  • Uma medida (cup) e meia de farinha
  • Uma colher e meia de chá de fermento
  • Um quarto de colher de chá de sal
  • Meia medida de farinha de milho amarela
  • Cem gramas de manteiga sem sal
  • Uma medida de açúcar
  • Três ovos pequenos ou médios
  • Uma colher e meia de chá de extracto de amêndoa
  • Três quartos de medida de amêndoa laminada 
  • Raspa de um limão
  • Sementes de papoila

Pré-aquece-se o forno a cento e setenta e cinco graus e forra-se um tabuleiro com papel vegetal. Mistura-se bem os quatro primeiros ingredientes numa tigela e junta-se as amêndoas laminadas. Noutra tigela, bate-se a manteiga amolecida com o açúcar, junta-se os ovos inteiros e mistura-se até ficar um creme homogéneo, ao qual se junta o extracto de amêndoa. Junta-se esta massa à mistura dos secos e envolve-se bem. 

Com parte da massa, forma-se um tronco de oito por trinta centímetros em metade do tabuleiro. À outra parte da massa, junta-se a raspa de um limão, mistura-se bem e faz-se novo tronco na outra metade do tabuleiro, que se enfeita com as sementes de papoila. Leva-se ao forno durante dez a quinze minutos, até ficar dourado, mas não deixando secar a massa. Deixa-se arrefecer durante trinta minutos, volta a ligar-se o forno a cento e setenta e cinco graus e corta-se os troncos em fatias com um ou dois centímetros de espessura, que se distribuem no tabuleiro com a parte de dentro virada para cima. Voltam ao forno durante dez ou quinze minutos.

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