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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Bolachas de Outono


Bem-vindo, Outono! Já lá vai uma semana, mas a receita que marca o meu regresso aos desafios das Dories foi feita no dia vinte e dois, precisamente quando que começou a minha estação do ano favorita. É-o pelas cores, pelas temperaturas amenas, pelas mangas compridas, pelos dias em que já apetece ficar em casa e porque, claro está, se aproxima o meu aniversário. E eu adoro fazer anos!!!

Para o desafio desta semana foi escolhida uma receita de bolachas de melaço e especiarias. Assim que vi as palavras 'canela' e 'gengibre' tive a certeza que haveria de arranjar um bocadinho durante uma sesta do Tiago para fazer as bolachas. Ainda me lembro da primeira vez que provei bolachas de gengibre... foi em Londres, durante um curso, e estava à conversa com uma colega dinamarquesa (se a memória não me trai) que me instou a prová-las. Assim fiz e pura e simplesmente detestei e nunca mais pensei no assunto. Uns anos mais tarde uma colega de trabalho levou uma lata das ditas cujas e lá me atrevi a voltar a provar... e desta vez fiquei fã. Por isso, já andava para as fazer em casa há séculos, mas ainda não tinha surgido a oportunidade. Daí ter ficado tão entusiasmada com a ideia.

É claro que quando toca a fazer bolos e bolachas, tenho sempre companhia, quanto mais não seja para lamber a taça no final. Como a massa é ligeiramente picante, o processo foi sempre acompanhado por um água!, água!, água!, que nem por isso impediu que a taça ficasse quase a brilhar, sem qualquer vestígio da massa.

Ao contrário do que é habitual - não costumo alterar receitas quando as faço pela primeira vez - fiz umas quantas aldrabices. Cortei na manteiga, substituí o melaço por mel, passei a pimenta de caiena e pus dois ovos em vez de um. Este último passo tornou a massa mais mole do que me parece ser suposto: a receita pedia um ovo grande e eu só tinha em casa uns ovos que são caseiros e, por isso, mais pequenos. Decidi usar dois, mas esqueci-me de pôr só metade da clara no segundo ovo como faço habitualmente. Outra das coisas que pode ter sido determinante na consistência da massa foi o facto de ter tido que aquecer o mel. Como é mel não refinado estava bastante cristalizado, o que dificultaria muito a medição e a mistura com os outros ingredientes. Como tal, tive que usar um pouco mais de farinha do que a receita pede. Mas no final tudo se compôs. O passo de enrolar no açúcar ajudou a moldar a massa em bolinhas, que ficaram com óptimo aspecto depois de esborrachados pela base do copo.

Para além de estas bolachas ficarem muito bonitas, com um aspecto meio caramelizado, a casa fica a cheirar maravilhosamente, como se quer num primeiro dia de Outono. A Cat levou umas quantas para a escola e fizeram sucesso. As cá de casa desapareceram num instante. Acho que vão ser uma presença constante nos próximos meses, sobretudo quando chegar o frio e apetecer uma chávena de chá. 





***

Sugar-topped molasses spice cookies, Dorie Greenspan

Desafio Dorie às Sextas

2 1/3 chávenas de farinha de trigo
2 colheres de chá de bicarbonato de sódio (usei fermento)
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de chá de gengibre em pó
1/2 colher de chá de canela em pó
1/4 de colher de pimenta da Jamaica (não usei)
1 pitada de pimenta moída
12 colheres de sopa de manteiga sem sal, à temperatura ambiente (cortei para oiti)
1 chávena de açúcar mascavado claro
1/2 chávena de melaço (substituí por mel)
1 ovo grande
cerca 1/2 chávena de açúcar, para enrolar

Misturar a farinha, o bicarbonato ou fermento, o sal, o gengibre, a canela, e as pimentas. À parte, bater a manteiga amolecida até ficar cremosa. Juntar o açúcar mascavado e o mel ou melaço e tornar a bater. Juntar o ovo e misturar até ficar homogéneo. Juntar os ingredientes secos e misturar bem. Dividir a massa ao meio e levar ao frigorífico durante pelo menos uma hora, embrulhada em papel filme.
Colocar o açúcar numa tigela pequena e dividir cada rolo em doze partes. Formar bolinhas, que devem ser passadas por açúcar e espalmadas com o fundo de um copo. Deve-se ir passando o fundo do copo pelo açúcar para a massa não aderir demasiado. Assar as bolachas num tabuleiro forrado com papel manteiga durante 12 a 14 minutos a 180º. Ficarão ligeiramente caramelizadas.

domingo, 23 de setembro de 2012

A prática e a perfeição

Há uns meses atrás a Cat decidiu que quer ser estilista. Desde então os seus desenhos resumem-se quase sempre a vestidos, sapatos, malas, jóias, coroas e tiaras. E somam-se cá em casa pilhas e pilhas de folhas dedicadas a este tema. A prática faz a perfeição, não é verdade? Pois bem, ontem foi feito o seu melhor desenho até à data. Este.


Raramente nos tornamos aquilo que queremos ser aos seis anos. Mas, como em tudo, o caminho é sempre a melhor parte e, mesmo que no futuro escolha ser outra coisa, pelo menos vai ficar com a recordação desta sua obstinação prematura.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pudim de lagosta (ou lagosta fingida)

Nem tudo o que parece, é. Este prato foi descoberto pela minha mãe há muitos anos. Há trinta, provavelmente. Pelo papel onde a receita foi apontada, ter-lhe-á sido dada por alguma colega de trabalho. Na minha memória, sempre foi prato para dias de festa ou para algum jantar mais especial lá em casa. Foi também uma das primeiras receitas que aprendi a fazer, provavelmente por ser tão fácil. E o resultado, esse, é extraordinário. Como deve ser comida fria, é ideal para o Verão. Numa palavra: perfeita.    


A receita leva apenas três ingredientes: pescada congelada, ovos e tomate em lata. Chama-se pudim de "lagosta" porque o peixe fica com a cor e a consistência daquele marisco. Mas sempre lhe chamámos lagosta fingida. 


Tendo o peixe cozido e lascado, demora pouco mais de dez minutos a fazer. Depois basta levar ao forno, deixar arrefecer, desenformar e servir com maionese, acompanhado por uma boa salada. 



Já não fazia este pudim há uns bons anos. Fi-lo na semana passada para o aniversário do André, que foi passado cá por casa com os pais dele. Como éramos poucos, cortei nas quantidades e, em vez de pescada, usei rascaço, que tem uma carne muito firme e um sabor a mar bastante pronunciado. Ficou óptimo, muito suculento e fresco. Acho que vou voltar a fazê-lo antes dos dias frios, mesmo que seja só para nós. Soube mesmo bem...

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Pudim de "lagosta"

1 kg de pescada
850 gramas de tomata pelado
8 ovos

Coze-se e lasca-se a pescada. Batem-se os ovos, que se juntam ao tomate, que deve estar limpo de graínhas e bastante espremido. Junta-se a pescada e leva-se ao forno numa forma de chaminé (ou numa de bolo inglês), que terá que estar muito bem untada. Fica no forno a cento e setenta graus durante cerca de uma hora. Desenforma-se depois de frio e leva-se ao frigorifico durante umas horas. Serve-se com maionese.


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