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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Soufflé só para mim


Para mim a comida é algo que se partilha. Não gosto de cozinhar só para mim e muito menos de comer sozinha. Esta semana o desafio das Dories foi um soufflé de chocolate. Sabendo de antemão que neste fim-de-semana não haverá tempo, tive que fazê-lo durante o dia para as fotografias saírem ao meu gosto. Por isso, foi feito na dose mais pequena possível - a de um ovo, com respectivos ajustes na receita - e resultou em dois pequenos soufflés de chocolate. Um fica para o André provar, pensei, já que ele gosta de bolos baixos e borrachentos. O outro como-o a preceito, acabado de sair do forno e a escaldar, como é suposto. Afinal, os soufflés são bichos temperamentais que devem ser comidos dois minutos depois de saírem do forno.


E assim pus mãos à obra. Piquei o chocolate, forrei as formas com manteiga e açúcar, derreti-o com o açúcar, um pouco de leite e uma noz de manteiga, incorporei a gema, bati as claras e levei-o ao forno durante doze minutos, de modo a ficar bem cozinhado por fora, mas ligeiramente cremoso por dentro. Tirei-o do forno, polvilhei-o com açúcar em pó e comi-o num instante, ainda a fumegar.


E sabem que mais? Soube-me tão bem que comi o outro também... Desculpa André!


*****

Chocolate Soufflé, Dorie Greenspan - "Baking with Dorie"

170 gramas de chocolate a 70 por cento
Meia chávena + 2 colheres de sopa de açúcar
Um terço de chávena de leite gordo
4 ovos grandes
2 claras de ovos grandes
Açúcar em pó

Ligar o forno a 220 graus. Barrar uma forma de soufflé (ou forminhas individuais) com bastante manteiga e polvilhar com açúcar. Levar a banho-maria o chocolate picado com o açúcar, mexer até derreter e juntar o leite, tirando do lume (como usei leite meio-gordo, juntei um pouco de manteiga). Deixar arrefecer e juntar as gemas uma a uma, batendo bem. Bater as claras até ficarem opacas e juntar as duas colheres de açúcar, batendo até ficar muito firme. Envolver as claras no chocolate, pôr a mistura nas formas e levar ao forno até estarem crescidos. Polvilhar com açúcar em pó e comer de imediato.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Um pão com espiral


O desafio da quinzena das Dories é um pão de passas em espiral, perfeito para ser o primeiro pão caseiro ao fim de mais de um ano sem me meter nessas andanças. Adoro fazer pão, comê-lo ainda quente, a fumegar, mas no último ano pura e simplesmente não usei a máquina. Um crime, aliás, porque se há coisa que eu detesto é ter em casa coisas a que não dou uso, sobretudo quando são trambolhos do tamanho de uma máquina de fazer pão. Espero que seja este suficientemente inspirador para voltarmos a ter pão caseiro com frequência.


Decidi também usar pela primeira vez fermento fresco. Até agora usava apenas fermento seco, mas já estava para dar o salto há algum tempo e esta pareceu-me uma boa oportunidade. Então ontem lá comecei a fazer o pão. Sim, comecei, porque com tanta coisa em que o Tiaguinho podia puxar a mim logo tinha que ser o não gostar de dormir durante o dia. Então digamos que este pão foi feito ao longo de quase vinte e quatro horas e a massa foi posta a levedar três vezes... contingências de ter um bebé...

Mas vamos ao que interessa. O primeiro passo foi dissolver o fermento. Depois de algumas pesquisas concluí que poderia replicar o processo descrito na receita original, apesar de este ser para fermento seco. Depois pus os ingredientes na máquina do pão e deixei-a tratar do resto no programa para massas, que apenas amassa e leveda.


Resultado: a massa cresceu imenso, mas ficou demasiado mole, pelo que tive que passá-la para uma tigela, acrescentar alguma farinha, amassar o resto à mão e deixar levedar novamente. Com tudo isto já não consegui fazer o pão ontem, por isso lá ficou a massa quietinha no frigorífico até hoje de manhã. Estiquei-a, cobri-a com a manteiga e o recheio de passas - que enriqueci com pedaços de chocolate - e lá tentei enrolar o pão bem apertadinho. Uff...


A minha forma de bolo inglês é bastante pequena e depois de ver o quanto esta massa cresce durante a levedura, decidi dividi-la e fazer também uns mini-pães numas forminhas de madalenas que comprei em tempos. Não ficaram com uma espiral perfeita, mas o sabor acaba por ser bem mais intenso.


E assim ficou concluído mais um desafio. Gostei muito da mistura das passas com o cacau, o chocolate e a canela mas para a próxima não vou barrar o topo dos pães com manteiga. Talvez a substitua por ovo ou por um doce qualquer. Mas o que é certo é que este pão semi-doce vai muito bem com um belo café bem forte.



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Raisin swirl bread, "Baking with Dorie" de Dorie Greenspan

  
Para a massa:
§  20 gramas de fermento fresco (ou 2 colheres de chá de seco)
§  50 gramas de açúcar branco
§  300 mililitros de leite morno
§  50 gramas de manteiga à temperatura ambiente, partida em pedaços
§  3/4 de colher de chá de sal
§  1 ovo grande ligeiramente batido
§  1/4 colher chá de extracto de baunilha ou raspa de meia laranja ou uma pitada de noz moscada (usei noz moscada)
§  470 gramas de farinha de trigo (usei cerca de 550 gramas)

Para o recheio:
§  1 colher de sopa de açúcar
§  2 colheres de chá de canela
§  2 colheres de chá de cacau
§  Meia medida (cup) de passas
§  Meia medida (cup) de chocolate amargo em pedaços pequenos 
§  50 gramas de manteiga amolecida

Como fazer: 
Pôr o fermento numa tigela pequena, acrescentar uma pitada de açúcar e 60 mililitros de leite morno, deixar repousar durante 3 minutos e mexer bem. Na máquina de pão, colocar os ingredientes pela ordem descrita e seleccionar um programa para massa. Se, em alternativa, se fizer com batedeira, misturar o restante leite, a manteiga e o açúcar, adicionar o sal, o ovo e a baunilha/raspa/noz moscada, batendo bem. Incorporar bem a farinha, batendo sempre até que a massa esteja lisa e brilhante. Colocar a massa numa tigela untada, que se põe num local morno durante hora e meia de modo a dobrar de tamanho. Vai ficar uma massa mole em qualquer dos processos, pelo que deverá ir ao congelador durante trinta minutos, envolta em película aderente. A minha ficou no frigorífico durante a noite.

Untar com manteiga uma forma de pão ou de bolo inglês. Numa tigela, misturar o açúcar, a canela, o cacau, as passas e o chocolate. Pôr a massa numa superfície grande, levemente polvilhada de farinha, e estendê-la num rectângulo de 30 por 45 centímetros. Barrar a massa com 2/3 da manteiga e polvilhar com a mistura do açúcar e das passas. Começando por um dos lados mais curtos, enrolar o pão de modo a ficar bem apertado. Encaixar o rolo na forma untada, com a costura para baixo.

Cobrir a forma com papel vegetal untado com manteiga e colocar num local morno, deixando levedar até que cresça ligeiramente acima do limite da forma, aproximadamente durante 45 minutos. Quando a massa estiver quase pronta, pré-aquecer o forno a 190ºC, derreter o restante terço de manteiga e pincelar o topo do pão. Colocar a forma sobre o tabuleiro e cozer durante 20 minutos. Cobrir com papel de alumínio e assar durante mais 25 minutos, até que o pão esteja dourado e o fundo soe oco. Transferir a forma para uma grade e deixar arrefecer 5 minutos. Desenformar e deixar arrefecer antes de servir (é claro que não liguei a isto e comi logo um dos pãezinhos ainda a ferver).

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um grande dia

Ontem foi um bom dia. Começou com um grande pequeno-almoço numa mesa bem posta, mesmo ao meu gosto. O André fez-me sumo de laranja, iogurte grego com framboesas e muesli caseiro. Recebi desenhos e mimos. E muitos beijos.

Depois fomos almoçar aqui, na esplanada, com vista para o rio e para o Padrão. Estivemos também no Jardim das Oliveiras do CCB, a aproveitar um dia de Verão em pleno Outono. O Tiago dormiu ao ar livre. A Catarina aproveitou para andar na relva. Descalça, como deve ser. A fazer piruetas para a fotografia. E eu fotografei. A sério... 


...e a brincar...

 
O Tiago acordou e aproveitou o bom tempo. Sentiu a relva nos pezinhos. É bom ser um bebé de Verão... 


Mais ainda não era tudo. Para o jantar, o André fez sushi. Os makis de sapateira, abacate e queijo creme que me apetecia comer há tanto tempo. Nigiris de salmão. Sashimi de salmão. O arroz no ponto, bem temperado. Uma delícia!

Ontem os meus amores trataram de mim. Fizeram tudo para que o meu dia fosse perfeito. E foi. 

domingo, 7 de outubro de 2012

Trinta e cinco

Adoro fazer anos. Não me interessa se vou deixar de ser trintinha e passar a ser trintona. Não me preocupa estar a caminho dos quarenta. Quero lá saber se vou tendo cabelos brancos ou se começo a ter uma ou outra ruga. Para mim fazer anos não significa ter menos um ano para viver. Significa ter vivido mais um ano. Significa que nestes trinta e cinco anos que agora completo alcancei muito: tenho a minha família, tenho amor, tenho amigos verdadeiros, gosto do meu trabalho, continuo a querer saber mais em várias vertentes da minha vida, tenho as minhas paixões e continuo a dedicar-lhes algum tempo e, acima de tudo, tenho equilíbrio. Posso não ter feito tudo aquilo que queria já ter feito aos trinta e cinco. Mas, afinal, ainda conto ter mais uns cinquenta anos pela frente por isso não é nada que me tire o sono. 

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