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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Wellington vegetariano


 
2014 não foi o meu ano. Não posso dizer que tenha sido um mau ano: tivemos saúde, trabalho, amor. Não houve um daqueles momentos marcantes no mau sentido. Mas não posso dizer que tenha sido um grande ano. Estive (estou) cansada, muito cansada. Entrei num novo período de insónias severas que ainda estou a tratar e que esgotou a maior parte da minha energia. Foi um ano difícil no trabalho. A Catarina passou por uma fase complicadíssima e o Tiaguinho exige a minha presença constante. Pela primeira vez na vida, não me entusiasmei com o meu aniversário. Nem com o Natal. Comprei todos os presentes, o que é algo que odeio fazer. Não fiz nada cá em casa. Mal cozinhei. Enfim, nem me reconheço. Espero voltar a recuperar a minha energia porque, sinceramente, não sei viver assim.


Para a quinzena do Quinze dias com..., dedicada ao Natal, escolhi várias receitas. Mas, pelo que escrevi em cima, fiz duas e apenas vou conseguir partilhar uma. Não vale a pena chorar pelo que não aconteceu, por isso aqui fica o que se conseguiu: um Wellington vegetariano. Delicioso, como tudo o que sai das mãos do Jamie Oliver. Não foi feito especificamente para a mesa de Natal mas poderia ter sido. Tem o requinte necessário para tal. 


Recomendo, é trabalhoso mas maravilhoso.

*****

Wellington vegetariano
Jamie Oliver, original aqui

1 abóbora butternut, cortada ao meio e limpa de pevides
Azeite
1 malagueta seca, esfarelada (não usei)
1/2 colher de chá  de canela
1 colher de sopa de sementes de coentros
1 pé de alecrim fresco, folhas escolhidas e picadas
2 cebolas roxas, cortadas em fatias finas
Sal marinho
Pimenta moída no momento
1 molho de salva fresca, folhas escolhidas
100 gramas de castanhas descascadas e picadas grosseiramente
2 fatias de pão
3 dentes de alho
1 limão
20 gramas de manteiga
250 gramas de cogumelos, finamente fatiados
200 gramas de espinafres lavados
50 gramas de pinões
25 gramas de sultanas
500 gramas de massa folhada
1 ovo
Leite

Pré-aquecer o forno a 200ºC. Cortar a abóbora ao comprimento em fatias grossas, colocá-las num tabuleiro, deitando por cima um bom fio de azeite, a malagueta e a canela. Num almofariz, esmagar as sementes de coentro, juntar o alecrim, um pouco de sal e esmagar mais um pouco para libertar os aromas. Deitar sobre a abóbora e espalhar bem até os pedaços estarem bem cobertos. A pele deve estar para baixo e deve cobrir-se com papel de alumínio, levando ao forno por cerca de 45 minutos, ou até estar macia. Deixar arrefecer e cortar em pedaços pequenos (eu excluí a casca).
Entretanto, aquecer um tacho, deitar um pouco de azeite e as cebolas. Temperar com sal e pimenta, mexendo até estarem macias e alouradas. Juntar a salva e as castanhas e cozinhar por mais uns minutos. Torrar o pão e esfregá-lo bem com um dente de alho. Cortar em pedaços pequenos e juntar à mistura das cebolas e castanhas. Misturar bem, rectificar temperos e juntar a raspa do limão.

Numa frigideira, deixar derreter a manteiga e fritar os cogumelos com um dente de alho cortado até ficarem macios e secos. Espremer um pouco e sumo de limão e reduzir a puré numa picadora,

Escaldar os espinafres em água a ferver com sal. Escorrer bem e espremer para eliminar o excesso de água. Fatira o outro dente de alho e fritar em azeite numa frigideira. Juntar os pinhões, as sultanas e os espinafres, salteando bem. Temperar com sal e pimenta.

Esticar a massa folhada num rectângulo de 30x40 cm. Barrar bem com a mistura de cogumelos. Misturar numa taça a abóbora, a mistura de espinafres e a mistura de cebola e com uma colher fazer uma linha grossa no meio, deixando espaço de cada ladopara poder enrolar a massa. Cada metade deverá ser dobrada para o centro, devendo sobrepor-se. 

Bater o ovo com um pouco de leite e pincelar a dobra para selar. Dobrar as extremidades e selar também. Virar o Wellington com a dobra para baixo e pincelá-lo generosamente com a mistura de ovo. Levar ao forno durante 45 minutos, até a massa folhar e ficar dourada. Servir em fatias grossas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A tarte de maçã da avó russa


A receita da quinzena do Dorie às Sextas é muito parecida com a da minha tarte de maçã (que por acaso nunca publiquei aqui). Mas leva limão e fermento na massa e faz-se como se de um bolo se tratasse, apesar de ficar com boa consistência e de ser fácil de estender. Deve, porém, ficar fina porque a massa cresce. E é deliciosa, ou não fosse a Dorie uma pastry queen.


Quis estrear uma tarteira baixinha que comprei há um tempo, mas arrependi-me pois acho que lhe faltou um pouco mais de recheio. Por isso, mantenho as quantidades originais da receita. Pincelei-a com compota em vez de polvilhar com açúcar. Aprovada!


*****

Russian grandmothers' apple pie-cake 

Para a massa

225 gramas de manteiga sem sal à temperatura ambiente
1 chávena de açúcar
2 ovos grandes
1 colher de sopa de fermento
1/2 colher de chá de sal
Sumo de 1 limão
3 1/4 - 3 1/2 chávenas de farinha

Para as maçãs

10 maçãs médias (Fuji, Red Delicious, ou uma mistura de ambas)
Sumo de limão
1 chávena de passas
1/4 chávena de açúcar
1 1/4 colheres de chá de canela em pó

Açúcar pouco refinado para decorar


Para a massa

Com a batedeira de pé ou a manual bater a manteiga com o açúcar até ficar suave, durante cerca de 2 minutos. Juntar os ovos até a mistura estar leve e fofa, durante cerca de 3 minutos. Reduzir a velocidade para o mínimo, juntar  fermento e o sal e misturar. Juntar o sumo de limão. A mistura vai talhar, mas não há problema. Ainda com a velocidade baixa, juntar aos poucos 3 1/4 chávenas de farinha até ficar incorporada, raspando a taça sempre que necessário. A massa vai ficar relativamente mole, mas se ficar muito líquida, deve juntar-se o restante 1/4 de chávena de farinha. Quando estiver tudo devidamente misturado, a massa não vai agarrar-se às pareces da taça. Colocá-la na superfície de trabalho, dividi-la ao meio e formar dois rectângulos. Embrulhar em película aderente e refrigerar durante pelo menos duas horas ou até 3 dias. A massa pode ser congelada durante 2 meses.

Para as maçãs

Descascar e remover o centro das maçãs. Cortá-las em fatias finas e reservá-las numa taça com um pouco de sumo de limão. Juntar as passas. Misturar o açúcar com a canela e deitar sobre as maçãs, envolvendo-as bem na mistura. Provar um pedaço de maçã e juntar mais açúcar, canela e sumo de limão se necessário.

Para a tarte

Centrar uma grade no forno e pré-aquecê-lo a 190ºC. Untar generosamente com manteiga um tabuleiro de 23 por 33 cm.
Tirar a massa do frigorífico. Se estiver muito dura para estender, deixá-la durante 15 minutos à temperatura ambiente. Estendê-la entre folhas de papel vegetal u na bancada polvilhada com farinha até ficar com 6 milímetros de espessura e um pouco maior do que o tabuleiro. Forrar o tabuleiro com a massa, deixando-a sair por fora. Deitar a maçã e espalhá-la bem com as mãos. Estender o outro pedaço de massa, cobrir a maçã, cortar à medida e dobrar a parte de fora da massa por cima da cobertura de modo a vedar bem. Com uma faca afiada, fazer 6 a 8 aberturas para deixar sair o vapor. Pincelar com água e polvilhar com o açúcar. Levar ao forno durante 65-80 minutos ou até estar dourada e com a maçã a borbulhar pelas aberturas. Deixar arrefecer e servir morna ou à temperatura ambiente.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Bolinhos de clementinas


Se gostam da bem britânica marmelade, vão adorar estes bolos. São húmidos, suaves e com aquele travo ligeiramente amargo que caracteriza aquela compota de laranja. Eu não gosto de marmelade, nem do travo amargo deixado pela casca dos citrinos, mas fiquei cativada pela técnica usada (nunca me passaria pela cabeça cozer clementinas inteiras) e pela descrição: "um bolo que parece embebido em calda, mas que não leva calda."

Resolvi, por isso, correr o risco, sabendo que na pior das hipóteses teria pelo menos um fã: é que o André adora marmelade. Mas tenho a dizer que gostei. O equilíbrio do açúcar com o amargo é bom, provavelmente por serem clementinas, e são, de facto, muito húmidos. Citando novamente a 'dona' da receita, ficam ainda melhor passado uns dias.


Esqueci-me de dizer... receitinha da Nigella, convidada do Quinze dias com...

*****

Bolinhos de clementinas
Original aqui, fiz metade da receita

200 gramas de clementinas
3 ovos
120 gramas de açúcar
125 gramas de amêndoa ralada
1/2 colher de chá de fermento

Cozer as clementinas inteiras e com casca durante duas horas. Pré-aquecer o forno a 190ºC. Cortar ao meio, tirar os caroços e reduzir a puré. Numa taça, bater os ovos com o açúcar, juntar a amêndoa e o fermento e, por fim, o puré de clementina. Levar ao forno em formas de silicone durante cerca de 45 minutos, tapando as formas com papel de alumínio a meio da cozedura para não queimar. Deixar arrefecer completamente dentro das formas.

Servi com iogurte grego bem açúcarado e framboesas.



sábado, 6 de dezembro de 2014

Mini-Linzer Sablés


Sou gulosa, mas não muito. Partilho sempre sobremesas. Passo perfeitamente sem um doce porque o meu ponto fraco é mesmo o queijo... Contudo, adoro fazer doces e adoro ver os outros deliciarem-se com eles. Em particular, bolachas.


Estas bolachas são das minhas favoritas. São das poucas que sou capaz de pedir numa pastelaria. Nunca tinha experimentado fazer e revelaram-se surpreendentemente fáceis. Receita da Dorie Greenspan, trazida pelo Dorie às Sextas.

 
Ficaram tão boas!!! Misturei nozes e amêndoas na massa, usei doce de ameixa e decidi fazê-las em formato mini, daquelas que desaparecem numa só dentada.


Estas vou repetir... e repetir... e repetir...

*****

Linzer Sablés
Baking, Dorie Greenspan

1 1/2 chávenas de amêndoas ou avelãs ou nozes raladas
1 1/2 chávenas de farinha
1 1/2 colheres de chá de canela moída no momento
1/4 colher de chá de sal
1/4 colher de chá de cravinhos moídos no momento
1 ovo grande
2 colheres de sopa de água
115 gramas de manteiga
1/2 chávena de açúcar
1/2 chávena de compota de framboesa

Misturar as amêndoas com a farinha, a canela, o sal e os cravinhos. Com um garfo, misturar numa tigela o ovo e a água. Numa batedeira de pé, bater bem a manteiga e o açúcar até ficarem suaves, cerca de 3 minutos, raspando a taça sempre que necessário. Juntar a mistura de ovo e água e bater por mais um minuto. Reduzir a velocidade e juntar os ingredientes secos, misturando os apenas até desaparecerem na massa, que não deve ficar trabalhada em demasia. Se sobrarem na taça restos mais secos de massa, misturá-los à mão ou com uma espátula.
Dividir a massa em dois. Colocar cada pedaço entre duas folhas de pelicula aderente ou papel vegetal, pressionando com as mãos até ficar achatada. Estender com o rolo ate ficar com cerca de 3 mm de espessura, tendo o cuidado de ir descolando a pelicula para a massa não ficar colada. Repetir para a outra metade. Levar ao congelador durante 45 minutos, ainda com o papel e numa tábua de cortar.
Pré-aquecer o forno a 190ºC e forrar dois tabuleiros com papel vegetal. Retirar a massa do congelador. Remover o papel de metade da massa. Com um cortador redondo ou ondulado com 5 cm de diâmetro, cortar tantas bolachas quanto possível. Repetir o processo na outra metade e, para cada bolacha cortada desta metade, usar um cortador redondo ou ondulado de 2 cm de diâmetro para fazer um buraco no centro. Juntar os restos da massa, esticar novamente e levar ao congelador para depois cortar mais bolachas.
Colocar as metades nos tabuleiros e levar ao forno entre 11 e 13 minutos ou até estarem ligeiramente douradas e firmes ao toque. Deixar arrefecer. Quando todas as bolachas estiverem feitas, polvilhar com açúcar em pó as metades com os buracos e reservar. Barrar com 1 colher de chá de doce cada metade lisa. Unir as duas metades e servir.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O cheiro do Natal numas bolachas de gengibre



A primeira vez que provei bolachas de gengibre, odiei. Devo ter feito uma cara épica, porque a rapariga com quem conversava esteve uns bons minutos a rir... Passaram uns anos até voltar a experimentar e, dessa vez, apaixonei-me.


Desde então, tenho-as feito com alguma regularidade. A Catarina, apesar de ser relativamente esquisita com sabores diferentes, tem uma certa inclinação - herdada do pai - para os picantes e tem uma paixão por estas bolachas. Ontem não conseguia parar de comê-las.


Já eu acho que têm tudo a ver com o Natal e são, na minha opinião, ideais para fazer no dia em que se enfeita a casa. 


Foi assim que eu e a Catarina passámos ontem a tarde: a montar a árvore, a ver um filme de Natal, a ouvir músicas, a assar bolachas de gengibre e a comê-las.


A receita é da Martha Stewart. Troquei o melaço por mel. O glacé saiu meio líquido (as quantidades da receita são as correctas, eu é que não tinha açúcar suficiente e não consegui ajustar a quantidade de clara), por isso não fazem justiça às originais. Em aspecto, entenda-se, porque em termos de sabor, são perfeitas.


Foi mais um desafio do Dia Um na Cozinha, sob o tema Bolachas de Natal.


. *****

Bolachas de gengibre
Cookies, Martha Stewart

Rende 12 bolachas grandes e 24 pequenas

2 3/4 chávenas de farinha
1/2 colher de chá de fermento
3/4 colheres de chá de sal fino
2 colheres de chá de gengibre em pó
2 colheres de chá de canela em pó
3/4 colheres de chá de cravinho moído
1/2 colher de chá de noz-moscada ralada no momento
110 gramas de manteiga sem sal à temperatura ambiente
1/2 chávena de açúcar mascavado
1 ovo grande
3/4 de chávena de mel, ligeiramente aquecido

Glacé real

1 clara de ovo
250 gramas de açúcar em pó
1 colher de sopa de extrato de baunilha


Numa taça, misturar todos os ingredientes secos, excepto o açúcar. Noutra taça, bater a manteiga com o açúcar até ficar uma mistura fofa. Juntar o ovo e o mel e bater bem. Juntar  os ingredientes secos e bater com a batedeira. Amassar ligeiramente, dividir em duas partes e embrulhar cada uma em película aderente. Refrigerar durante pelo menos uma hora. 

Polvilhar a bancada com farinha e estender metade da massa até ficar com 3 milimetros de espessura. Cortar as bolachas, voltar a juntar as sobras da massa e estender novamente. Repetir o processo até não sobrar massa e fazer o mesmo com a outra metade. 

Pré-aquecer o forno a 175ºC. Forrar um tabuleiro com papel vegetal ou um tapete de silicone e assar as bolachas até estarem levemente douradas. Retirar do forno e deixar arrefecer bem.

Para o glacé real

Bater a clara com o açúcar em pó durante cerca de 5 minutos. Juntar o extrato de baunilha e bater mais um pouco. Colocar a mistura num saco de plástico, cortar a ponta deixando um buraco pequeno. Fazer os desenhos pretendidos, polvilhar com açúcar e deixar secar um pouco. Sacudir cuidadosamente o excesso de açúcar e deixar secar completamente.

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