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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Aprender a fotografar

Desde meados de Março, os meus Sábados de manhã têm sido ocupados por um curso de técnica fotográfica no Instituto Português de Fotografia. Foi uma prenda de mim para mim, algo que já queria ter feito e para a qual será difícil arranjar tempo nos próximos dois anos. Foi um risco ter-me inscrito: se esta gravidez tivesse corrido como a da Catarina, teria tido que estar algum tempo em casa e o investimento no curso teria sido em vão. Mas felizmente está tudo a correr bem e consegui ir a todas as aulas sem grandes complicações.

O curso está a ser óptimo: tem uma componente teórica muito forte, mas onde se aprende realmente é nas aulas práticas. Fizemos uma série de exercícios para aprender a lidar com a máquina e para testar as suas potencialidades em modo totalmente manual, claro está! Não se pode dizer que tenha sido fácil. Mas vale mesmo a pena saber lidar com aquele bicho e perceber o quão pouco o sabia usar até agora.

Das aulas de exterior não há grande coisa para mostrar. Foram exercícios para aplicar conceitos, logo as imagens não têm grande relevância estética, apenas técnica. Mas a última aula foi de estúdio e com dois modelos. Difícil, mas óptimo para treinar a parte mais complicada para mim: fotografar pessoas. Aqui ficam alguns exemplos do trabalho de Sábado. Os modelos são a Mariana Borges e o Rodrigo Paganelli da Central Models e foram no mínimo excelentes. 





Fui a primeira a fotografar, então não se pode dizer que tenha propriamente dirigido a Mariana. Não saberia como. Mas mesmo com as minhas parcas indicações, ela conseguiu dar-me óptimas fotografias. 
Cada um de nós tinha apenas cinco minutos, então cortei muitos pés, escalpes e cotovelos à pobre rapariga. Com ele já foi diferente. Já tinha visto os meus colegas, já tinha dicas do professor e tudo foi feito com mais cuidado e atenção. Podiamos escolher fotografar ambos desta vez, então pedi-lhes para fazerem uma pequena encenação. Para as fotografias a solo, ele seria um mafioso to be, pretenso durão...


... mas que se derreteria todo quando a visse. 


Ela não estaria minimamente interessada nele...



... mas em alguém que avistaria ao longe...


...o que originaria uma cena de ciúmes e subsequente acesa discussão. 


Lugar comum? Sem dúvida, mas foi uma forma divertida de os dirigir e, pelo menos na minha opinião, deu bom resultado.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Aprendendo a tricotar

Quando era miúda, a maioria das minhas camisolas eram feitas pela minha avó que, mais tarde, me ensinou também as bases do tricot: a liga e a meia. Acho que então era mais preguiçosa do que agora e nunca me preocupei realmente em aprender a "fazer malha" a sério. Fiz uma (enorme) camisola nos meus tempos de faculdade mas tive ajuda para as partes difíceis: reduções, cavas, golas e para coser as peças. Por isso nunca aprendi muito mais do que fazer peças a direito.

Como acontece com tantas outras coisas, a minha amiga M. partilha este desejo de saber fazer estas coisas bem feitas. Por isso, lá fomos as duas para um curso de tricot para aprender a aumentar, reduzir, decifrar os códigos dos livros e melhorar um pouco a nossa técnica. O curso foi aqui e, tal como o outro, foi difícil, desafiante e muito divertido.  


Os conhecimentos da turma estavam bastante equilibrados (com uma excepção, que claramente apanhava as coisas mais depressa) e isso permitiu-nos acompanhar bem todo o exercício. O resultado final não tem grande aspecto, mas naquela pequena peça que mais parece um rato morto estão quase quatro horas de trabalho, muitas carreiras desmanchadas, alguns "gatos" e a certeza de que, com treino e persistência, lá chegarei.


Tenho comigo as cábulas para voltar a refazer a peça. Vou tentar ver onde errei e fazê-la sem erros. E, depois disso, terminar a camisola que tenho em curso para a Catarina, quem sabe ainda antes da Primavera.

    

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Levantando o véu...

Há uns tempos referi aqui que ando a fazer umas experiências nas varandas cá de casa. Após dois anos a usar ervas aromáticas colhidas no momento, coroadas com uma plantação bem sucedida de rúcula no início da primavera, resolvi este ano ir um pouco mais longe. Quão longe? Ora vejam...  


Quando fui no outro dia ao horto comprar terra, estavam a vender rebentos de tomateiro (tomate-chucha, o meu favorito) aos quais não consegui resistir. Mesmo ao lado, estavam rebentos de courgetes. Demorei uns dias até ter tempo para os plantar num vaso decente e quando os plantei, já estavam com um aspecto moribundo. No meu desconhecimento da coisa, pus tudo no mesmo vaso, rebentos de tomate e rebentos de courgete ao molho. Os tomateiros começaram a crescer a um ritmo alucinante e as courgetes, coitadas, não passavam de uma ou duas folhas com mau aspecto. Tal como me acontece com tudo na vida, se um assunto despertar o meu interesse, fico com uma sede insaciável de conhecimento sobre o dito cujo. Então comecei a pesquisar, a ler uns livros e a ficar realmente entusiasmada com esta experiência. É a minha veia de investigadora a funcionar...

Dei então às courgetes uma casa mais espaçosa e apropriada e, no espaço de uma (!) semana, cresceu desmesuradamente. Agora já tem flores-macho e flores-fêmea, já com o projecto de courgete à espera de ser polenizado. Quanto aos tomateiros, em duas semanas cresceram tanto que têm agora um metro e vinte de altura e uns vinte frutos a crescer e a amadurecer lentamente.


Com estes resultados, voltei ao horto e resolvi comprar sementes para fazer outras experiências. Aqui, temos rabanetes e nabos. Os rabanetes crescem muito depressa e dentro de uma semana ou duas já devem poder ser colhidos. Os nabos demorarão um pouco mais, talvez um mês.


Como o espaço não abunda, resolvi comprar um sistema de horta vertical, que permite empilhar até nove vasos, com três entradas cada. Comprei apenas três para experimentar, onde tenho oito morangueiros plantados. Estão a dar morangos  pequeninos, muito doces. Para já só dá dois ou três de cada vez e é a Catarina que se tem deliciado com eles. Segundo li, só no segundo ano terei uma boa colheita, mas para já vai dando para a piada...


Comprei também estas malaguetas e, ao lado, semeei uns pimentos, que estão a demorar um pouco a despontar. Não sei se irão germinar. Veremos...


Resolvi tentar uma vez mais ter manjericão, que é uma das plantas que nunca consegui manter com bons resultados. Depois das duas semanas iniciais, parece que se adaptou. Talvez seja desta... 



Para terminar, mostro-vos como o tomilho e a hortelã estão bonitos.


Confesso que me tem dado um gozo tremendo chegar a casa e vir espreitar a minha "horta", regá-la, colher os seus frutos. A Catarina ajuda-me com bastante entusiasmo e é tempo de qualidade que passamos juntas. Não tenho objectivos específicos para esta experiência, apenas apreciar o processo, aprender com ele, enfrentar os desafios do "biológico" e, porque não, comer legumes acabadinhos de colher, mesmo que não dêem para mais do que uma ou duas refeições.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O apelo da terra

Se há algo que ainda não consegui explicar é o fascínio que a terra exerce sobre mim. Há como que um chamamento, uma ligação muito forte, quase umbilical e, por isso, completamente estranha. Tanto quanto sei a minha família esteve sempre ligada à cidade ou ao mar, pelo menos nas duas gerações que me antecedem. Consigo explicar por isso a centralidade que o mar sempre teve na minha vida, a necessidade que sempre senti de o ver, de o escutar, o alvoroço que me traz o cheiro a maresia. Consigo explicar o meu interesse pela cidade, pela sua arquitectura, pela cultura, pela sua vida e pelas suas pessoas. No entanto, nos últimos anos, tem-se desenvolvido em mim um interesse cada vez maior pela terra, um interesse que se vai convertendo aos poucos numa necessidade, numa atracção quase obsessiva cuja razão é uma perfeita incógnita.

Esta atracção poderia justificar-se se desde pequena tivesse passado férias no campo ou numa quinta. Poderia justificar-se se fosse apenas o ar puro do campo, o sossego ou o cheiro intenso das árvores a determiná-la, aqueles que vou sentindo nas caminhadas ou nalgumas viagens a destinos mais rurais. Mas não. É o cheiro da terra, o seu calor, a sua aspereza. É o que sinto ao tocar-lhe, ao revolvê-la, ao senti-la nos meus dedos. É o aroma que dela emana quando chove, a vida que tem dentro dela, a vida que dela nasce. São as plantas e as flores, as árvores e os seus frutos que dela brotam. É a natureza, mesmo no seu estado selvagem.


Este fim-de-semana foi, por isso, completamente gratificante. Fomos convidados por uns amigos para ir à casa deles, que fica na Sobreira Formosa. Já lá não íamos há nove anos e eu estava convicta que era perto do Fundão. Não é. É perto de Proença-a-Nova. A memória prega-nos destas partidas...


Voltando aos amigos. Há uns doze anos decidiram deixar Lisboa e ir viver para o campo. Tinham um terreno, construiram uma casa e, aos poucos, foram-se entregando à terra. Há nove anos, tinham pouca coisa plantada; agora, com muito trabalho, muita pesquisa, sempre à procura do melhor método, têm uma série de cerejeiras e de oliveiras, algumas pereiras, ameixoeiras, medronheiros, videiras, romãnzeiras e uma horta em expansão. Dedicam-se à terra como se dedicam a todos os que conhecem: de coração aberto e dando tudo. São pessoas extraordinárias.

Chegámos no Sábado à hora do almoço. Esperava-nos um bucho delicioso e maranhos caseiros, divinais, a saber a hortelã. Demorámo-nos à mesa, perdidos nas conversas, e depois de almoço fomos dar uma volta para ver o que tinha mudado naqueles anos.


Estava muito calor. Muito mesmo. Tinhamos que esperar pelo final da tarde para ir apanhar as cerejas. A aragem que corria era fresca à sombra e ali estive, na espreguiçadeiras, a sentir o cheiro dos pinheiros das matas circundantes.


A Catarina estava deliciada: podia andar por todo o lado, sem restrições. Posso ir explorar, mãe? E por explorar entenda-se correr à vontade, apanhar flores, cheirar a relva, descobrir caminhos, encontrar esconderijos, enfim, todas aquelas coisas que não tem na cidade. Mas mais importante do que essa liberdade pouco habitual na cidade foi a primeira amizade real que fez com um animal: o Apolo, um brincalhão de sete meses que em pé consegue pôr as patas nos meus ombros e que se derrete com festas na barriga. E a Catarina, extasiada com as lambidelas que recebia em troca. Há menos de um ano, era impensável aproximar-se sequer de um cão. Ficava lívida, suava em bica, mas quando em Outubro conheceu um cão de trinta centímetros e cara de Gremlin achou que se calhar os cães - e animais em geral - não são necessariamente maus.


Quando o calor finalmente acalmou, pudemos ir apanhar cerejas. O nosso amigo também tem colmeias e as abelhas gostam de se alimentar nas flores das cerejeiras, como tal não usa nas árvores qualquer químico. Se usasse, poderia matar as abelhas. Essa ausência de químicos faz com que se possa comer as cerejas directamente das árvores. Nos livros que lia em miúda havia sempre personagens a apanhar barrigadas de cerejas e confesso que tinha inveja por nunca ter apanhado uma dessas dores de barriga. Consegui a proeza de apanhar a barrigada de cerejas sem a dor de barriga associada. E a Catarina, quando ler esses mesmos livros, irá lembrar-se da sensação de comer esses frutos que ela própria apanhou. É que havia uma cerejeira mais pequena, só para ela. Esta é só para mim!, dizia, enquanto se debatia com os ramos para arrancar as cerejas ainda com os pés.



Ainda antes de o sol se pôr, deu para ir dar milho às galinhas e apanhar morangos para o jantar. O orgulho de encher um cesto com morangos fragantes dificilmente foi contido.


Não sei se quando crescer, a Catarina virá a sentir o apelo da terra. Ou do mar. Ou até mesmo da cidade. Mas pelo menos poderá lembrar-se deste dia em que se orgulhou por ter apanhado algo que iria comer a seguir. No que me toca, senti-me em casa.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dias felizes

Um dia feliz! é uma expressão que se costuma usar quando se felicita um aniversariante. Mas o que é que pode tornar um dia de aniversário num dia verdadeiramente feliz? 

Bem, quando perguntei à aniversariante da semana como queria que fosse o seu dia de anos, a primeira resposta foi quero estar contigo e com o pai. Este não tinha que ser um pedido porque tiramos sempre férias nos aniversários uns dos outros para fazermos o que nos der na real gana. Mas vale sempre a pena lembrar, just in case... Os desejos secundários passavam por ir "aos brinquedos" (a.k.a. Pavilhão do Conhecimento) ir à escola só para apagar as velas. Primários ou secundários, foi um dia em grande. E, sem dúvida, um dia realmente feliz, onde houve tempo para...

... jogos de sombras...


... apanhar e ser apanhada...

 

... seguir as gaivotas...



... jogar às escondidas...


...espiar...


... reflectir...


... experimentar um gelado nunca antes saboreado...


... sentir a relva nos pés...


... comemorar com os amigos....


... experimentar vezes e vezes sem conta...


... receber um beijo virtual...


... voar...


... comer com pauzinhos...


... e, por fim, ceder ao cansaço de um dia memorável.