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domingo, 19 de agosto de 2018

Era uma vez um blogue

Nos próximos meses, os meus blogues fazem oito anos. Surgiram num momento em que comecei a fotografar mais, a escrever mais, a sair mais. Surgiram num período de mudança e a mudança é sempre boa para fazer fervilhar as ideias. Os blogues eram apenas e só um registo dessas ideias.

O mote deste blogue em particular - o tempo é o que fazemos com ele - vem de um antigo anúncio da Swatch, de há muitos anos atrás; o nome, surgiu porque nessa altura estava próxima de alguém que não sabia dizer nada mais do que "não tenho tempo" mas que, na minha perspectiva, tinha muito mais tempo disponível do que eu. Eu tinha acabado de mudar de emprego, com tudo o que isso implica, estava a afogar-me em trabalho por causa da crise financeira, ainda achava que ia terminar a minha segunda tese de mestrado, tinha casa, família, contas para pagar, mas estava cheia de energia - de pica -  e tinha que lhe dar bom uso! A minha filha começava a ser bastante mais independente, a entreter-se sozinha e a exigir menos de mim pelo que, de algum modo, sobrava-me tempo livre.

Os meses passaram e fui mantendo o blogue entre passeios, trabalhos manuais e culinária. A culinária é o mais fácil de registar porque é um bem necessário no nosso dia-a-dia. Comecei a entrar nuns desafios culinários, a experimentar coisas novas e a dar a conhecê-las a um universo um pouco maior de pessoas. Eu gostava desses desafios egostava sobretudo do feedback. Com o nascimento do meu filho e a necessidade de apoiar a minha filha na escola, voltei a ter menos tempo. Os outros dois blogues foram ficando para trás, mas fui mantendo este apenas como um blogue de culinária. Lá está, gostava do feedback. Infelizmente, já nessa altura, era um blogue que tinha pouco do que havia sido outrora. Eu andava cansada, irritada e já sentia que participar nestes desafios era uma obrigação, sobretudo porque eu própria tinha lançado um projeto nessa linha e já não estava a conseguir dar seguimento. 

No Verão de 2015, há três anos, portanto, decidi parar. Estava exausta, farta. A ideia era a pausa durar apenas até ao meu aniversário, mas a inércia foi-se instalando e, pura e simplesmente, deixei de ter paciência. Ainda escrevi mais alguns artigos, mas nem me dei ao trabalho de publicar mais do que três. Ou não gostava do texto, ou as fotografias estavam más ou, simplesmente, não tinha nada de novo para dizer ou mostrar. Não tinha nenhum prato, nenhuma receita, nada.

Na realidade, nos últimos três anos, perdi um pouco a minha paixão por cozinhar. Continuo a fazê-lo, mas não passo dos básicos. O mesmo com os trabalhos manuais. O mesmo com a escrita. Falta-me tempo? Não. Não falta. Continuei com a fotografia e com o teatro. Mas falta-me vontade. Falta-me paixão.

Este ano foi definitivamente um ano de mudança. Tudo ficou de cabeça para baixo, após uma descida vertiginosa. Depois tudo foi subindo a pouco e pouco até a parada ficar altíssima. Foi um ano extremamente difícil para mim. Agora começa a acalmar, espero. Mas quero focar-me na mudança. Quero usá-la como usei há oito anos atrás para reavivar alguns dos meus projetos. E quero usar este blogue para registar esses projectos. Serei capaz?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O colar da Margarida



A Margarida adora peças diferentes. E adora não colarezinhos, mas colares. Grandes, imponentes. Quando viu estes, pediu-me que lhe fizesse um parecido, mas mais curto e muito mais espesso. Tipo gola, dizia-me ela. E com um bom leque de cores outonais. 



A vantagem de fazermos algo por medida é que é simples fazermo-lo exactamente ao gosto da pessoa. Por isso, fomos à loja e ela escolheu os fios. Escolheu o leque de cores. Escolheu o tamanho do colar. No fundo, é o seu colar. Eu apenas decidi fazê-lo com cores um pouco mais vivas de um lado e mais discretas do outro. Adoro peças flexíveis e achei que iria ficar bem. 


Deu-me um gozo imenso fazê-lo. Foi trabalhoso, porque estamos a falar de cento e vinte fios, colados em grupos de dez. Só podia aplicar uma camada quando a anterior estivesse seca. Tive que garantir uma distribuição equilibrada dos fios de modo a fazer o efeito de cone, para a terminação ficar bem.


Mas foi um belo desafio. E, penso, a Margarida gostou do resultado.

domingo, 3 de agosto de 2014

Dos colares e dos hobbies





Ultimamente o meu tempo 'livre' pouco mais dá do que para cozinhar. Vicissitudes de quem tem uma criança com dois anos. E outra com oito. E um marido. E um trabalho exigente. E uma casa. E mil projectos ao mesmo tempo. E... bem, deixemos os desabafos para outro dia. 

Apesar desta falta de tempo livre, tenho feito uns colares. Fio de algodão, linha de bordar e polímero para o fecho. Este foi para a minha amiga Alexandra.


Fiz o primeiro deste estilo para oferecer à minha mãe no Natal. Igual a este que agora repliquei.


Os primeiros não sairam a cem por cento, mas acho que já domino a técnica. O que se segue é o meu favorito. Talvez fique com ele...


Gostava de dizer que este é o meu regresso aos meus hobbies. É melhor não me comprometer...

sábado, 24 de agosto de 2013

O saco da Ema | Ema's baby bag


Quando a minha amiga Sofia viu o saco de bebé que fiz para o Tiago, avisou-me que se precisasse um dia iria pedir-me um igual. Entretanto, assim que me disse que estava grávida, há já uns meses, relembrou-me do seu pedido e eu, claro está, aceitei com todo o gosto. Assim que soube que seria uma menina, a Ema, escolheu este tecido lindíssimo, e outro de bolinhas para coordenar. 

When my friend Sofia saw the baby bag I made for my son Tiago, she warned she might ask me to make one for her in the future. Meanwhile, she got pregnant and reminded me of her request. It is always such a great pleasure to make things for friends! As soon as she found out that she was expecting a girl, she chose this amazing fabric, with a coordinating polka dot one for the inside and the details.  


Avisei-a que iria ficar imperfeito: fazer um saco destes é das coisas mais difíceis em costura e eu não tenho a prática, a técnica ou o jeito necessários para uma senda destas. Para além disso, guardei os padrões que desenhei na altura, mas não as instruções, por isso fui por memória e tentativa e erro. Mesmo assim, este ficou mais perfeito do que o do Tiago. Tomei muitas decisões que me facilitaram a vida, outras que ma dificultaram. Decidi também debruar a totalidade do saco, o que me deu uma trabalheira fenomenal, mas que valeu bem a pena. E fazer duas pequenas alças para pendurar no carrinho, uma melhoria importante em relação ao saco anterior.

I've warned her it wouldn't be perfect: this kind of bag is one of the most dificult things to sew and I don't have neither the practice, the tecnique nor even the skills to make something like this with store-bought perfection. Adding to that, I kept the patterns I'd designed before, but had never written the step-by-step instructions, so I made it by heart and by trial and error. Despite all, it ended up much more perfect than the previous one. I've made some decisions that were time and life savers, others that turned my work into a nightmare. I've also decided to bind it completely, which took me about one third of the time used for sewing the complete bag. However, the final result was well worthy of the additional effort. I've also made two small handles, to make it easier to attach it to the stroller, something that I miss in my own bag.   


Em suma, não me volto a meter numa destas sem dominar melhor algumas técnicas fundamentais, por isso os próximos projectos de costura terão que ser bem mais simples. No entanto, no fim de contas e apesar dos percalços, acho que ficou bem. A Sofia gostou e não se importou com as imperfeições e isso é o mais importante. Agora só falta nascer a pequena Ema para lhe dar uso.

Long story short, I will not make another complex bag without fully dominating some of the techniques I used here. However, and despite all the imperfections, I think that my friend was happy with the final result and that is what really matters. Now, we just have to wait for little Ema to make use of it.  

domingo, 31 de março de 2013

Reciclar

Há uns tempos eu e a Cat fizemos a maquete de uma divisão da casa para um trabalho da escola. O objectivo era reutilizar objectos do dia-a-dia, como pacotes de leite, embalagens, brinquedos velhos, enfim, o que fosse adequado para o efeito. Escolhemos fazer uma casa-de-banho, porque eu achei logo que haveria muito poucas - o mais óbvio é sempre fazer o quarto ou a sala - e não me enganei. E este foi o resultado final...



Usámos:
- Uma caixa de cereais para a base e para uma parede
- Papel de revista cortado em quadrados de duas cores para os mosaicos do chão
- Uma caixa de saquetas de chá para o armário, onde encaixámos um recipiente redondo para molho de soja que fez de lavatório
- Papel de embrulho espelhado para o espelho
- O topo de duas embalagens de iogurte líquido para a sanita e o bidé
- Rolhas a fazer de autoclismo
- Conchas para a tampa da sanita, a saboneteira e as luzes por cima do espelho
- O fundo de uma garrafa de água para a base do chuveiro; cortámos uma rodela do plástico da garrafa para prender a cortina, que foi feita com papel de revista dobrado em fole
- Uma cápsula de café vazia para fazer de chuveiro
- Um clip para o toalheiro das mãos
- Os ferros que saltaram de algumas molas para as torneiras e para o toalheiro do banho
- Um desenho a fazer de tapete
- Um pedaço de swiffer para as toalhas

Em detalhe...




Fez sucesso e a Cat ficou super-orgulhosa por ter feito algo assim com coisas que iriam para o lixo.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Segunda vida - avental para jardinar


Desde que me conheço, lembro-me do meu tio sempre metido nalgum projecto. Jamais esquecerei a pequena "oficina" no vão das escadas da sua casa antiga, onde um dia me deslumbrou com um brinquedo feito de caricas que eu tinha apanhado horas antes num café.  Recordo-me de quando se dedicou de corpo e alma à apicultura, de quando comprou uma ambulância VW antiga, da paixão pela astronomia e, a minha favorita, da sua pancada da mota, que me fez adorar andar à pendura e ter o sonho de um dia ter uma para mim. O mais recente é a hidroponia, que o tornou num agricultor de telhado. Literalmente. Com isso em mente, resolvi fazer-lhe um avental para as ferramentas e para o efeito, usei as minhas antigas e tão adoradas calças de bolsos. Pareceu-me que, assim, irão ter uma boa segunda vida. Abri uma das pernas e aproveitei o bolso grande; cosi os bolsos traseiros; debruei o avental e fiz a fita de atar à cintura com pedaços de umas calças de ganga. Nunca tinha cosido dois tecidos tão grossos juntos, então algumas partes estão com a costura um bocado imperfeita, sobretudo na fita de atar à cintura. Mas acho que o resultado final ficou engraçado e interessante. O que acham? 


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O avental do cozinheiro

Em todas as famílias que conheço, há sempre alguém que tem uma paixão por cozinhar. Bem, na nossa família há mais do que uma pessoa, ou não fossemos todos amantes de boa comida, bem cozinhada. Mas há uma pessoa que, quando eu desenho com a Catarina as nossas caricaturas familiares, aparece sempre com uma colher de pau associada. Pois bem, este avental foi feito para essa pessoa, como não podia deixar de ser. 


Apesar de eu não gostar de (e de não estar habituada a) coser peças grandes, a tarefa foi relativamente fácil. Usei um dos aventais cá de casa como modelo e cortei o tecido à medida. O mais difícil foi mesmo fazer a fita para atar à cintura, isto porque eu detesto ter que virar as peças de tecido ao contrário por um buraquinho minúsculo. 


Mas acho que fez sucesso e será um bom augúrio para os petiscos que vão sair em breve da nova cozinha!   

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Vintage retro chic... ou qualquer coisa do género



Há cerca de um ano, a minha avó deu-me alguns retalhos que tinha lá por casa. Deu-me também um tecido de estopa estampada que a minha mãe tinha comprado ainda solteira, com o objectivo de fazer uma toalha de mesa. Os meus pais casaram em setenta e cinco, por isso dá para imaginar o quão retro o tecido é. Retro na verdadeira acepção do termo. A toalha ficou-se pelos alinhavos e eu fiquei em êxtase por poder fazer qualquer coisa com um tecido tão diferente. Pensei logo numa mala para a minha mãe, mas não me organizei o suficiente para a fazer para o seu aniversário, por isso lá ficou para o Natal. E assim foi. Tive que sacudir meticulosamente o tecido (quem é que se arrisca a fazer mais do que isso a uma estopa que deve ter quase quarenta anos?), que mesmo assim manteve algum cheiro a pó e, provavelmente, alguns ácaros anciães.   

Não se pode dizer que seja um tecido fácil de trabalhar porque desfia um bocado, mas a minha tesoura de bicos limitou um pouco os estragos. Também não me atrevi a passar o tecido a ferro (é praticamente uma relíquia) e isso dificulta um bocado o trabalho. Ainda assim, consegui montar bem a mala e fazê-la do tamanho que a minha mãe gosta: bem grande para caber a tralha toda. As alças são suficientemente compridas para usar a mala ao ombro e suficientemente curtas para andar com ela no braço.


Dificuldades à parte, gostei muito do resultado final. Há que aproveitar enquanto se volta a usar estes padrões e acho que a minha mãe gostou do uso que dei à sua toalha que nunca o foi.

Agenda para a mãe


Há anos que ofereço à minha mãe uma agenda pelo Natal. Não ofereço apenas a agenda, é claro, mas é sempre um complemento à verdadeira prenda. De facto, tornou-se numa espécie de tradição que, se a memória não me trai, quebrei apenas duas ou três vezes em mais de quinze anos. O modelo é sempre o mesmo: suficientemente pequena para caber na mala, mas suficientemente grande para ter uma página por dia. Geralmente, uma destas ou algo parecido. Mas depois de a minha mãe afirmar o quanto gostou do tecido que usei aqui, resolvi forrá-la com o dito cujo.  E ficou assim...


Um bom ano para ti, mãe!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Um saco para compras

Começa aqui o périplo pelas prendas de Natal feitas por mim. Há muitos anos que faço pequenas coisas para oferecer, mas como tive mais tempo desta vez, fui um pouco além do habitual. E a primeira que mostro é um saco para as compras. Um saco pequeno, para aquelas compras de primeira necessidade e em pequena quantidade, mas muito resistente, mais bonito e mais ecológico do que os habituais sacos de plástico. 


Ficou um pouco mais estreito do que o tinha idealizado inicialmente, mas percebi o que fiz mal e para a próxima já não falho. Ainda assim, tem bastante capacidade, apesar de não dar para compras muito volumosas.


Eu ando sempre com dois sacos de pano na mala, assim dobradinhos, e não quero outra coisa.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A mala das flores


Ando mesmo numa de desafios. Descobri no outro dia o Clubinho da Costura e resolvi participar no décimo sexto desafio: fazer uma clutch. O objectivo é seguir o passo-a-passo apresentado e depois apresentar o resultado final. Como gostei muito do esquema proposto - simples e claro -, resolvi fazer uma para dar à mãe do André no Natal. A única alteração que fiz foi acrescentar uma alça para se poder usar a mala ao ombro. 


Espero que ela goste.



sábado, 1 de dezembro de 2012

Calendário do advento


No ano passado o André deu à Catarina um calendário do advento da LEGO. Ela só poderia abrir a janelinha do dia caso fizesse uma tarefa ou uma boa acção. A ideia fez sucesso e este ano resolvi fazer-lhe um para repetirmos o conceito: vinte e quatro saquinhos em pano, cada um com o respectivo dia e com um pequeno presente lá dentro. Resolvi intercalar chocolates, chupas ou sugos com canetas de purpurinas, uns pequenos batons de brilho, elásticos para o cabelo, um verniz (depois conto esta história), trancinhas postiças e dois presentes maiores que vão implicar uma caça ao tesouro: uma coroa para substituir a que se partiu há algum tempo e um filme.

Fi-lo em azuis, brancos e vermelhos, com vários tecidos diferentes, uns comprados, outros reciclados de roupas antigas. Para desenhar os números sobre feltro branco, usei cortadores de plasticina. Cosi os números a um pedaço de tecido e este aos sacos. Inicialmente pensei fechá-los com um fio, mas os números não iriam ver-se bem, por isso optei por manter a sua forma quadrangular e fechá-los com um botão (usei os das camisas velhas e polos que o André e o meu pai me vão dando para os meus trabalhos). Uma solução melhor mas mais trabalhosa, que teve no entanto a vantagem de me pôr a saber fazer casas de botões. Afinal tive que repetir a proeza vinte e quatro vezes. Terminados os saquinhos, prendi-os com pionés a um placard de cortiça.

E foi este o resultado final: um calendário para a Cat, que poderá voltar a ser usado durante muitos anos.





     

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Tiago...

... aos olhos da mana. Os braços sem corpo são os meus a pegar nele.


Nota: sim, ele está a pensar num gelado. Questionada a autora do desenho, a explicação foi é um gelado feito com o teu leite, ele pode comer...

domingo, 11 de novembro de 2012

Segunda vida - a camisola da mãe


Desde que me lembro, gosto de dar uma segunda vida às coisas. Muitas vezes implica que passem a ter um uso diferente daquele para que foram feitas. Outras vezes, continuam com a mesma utilidade, mas com uma cara diferente. Exemplos disto são os meus antigos cubos de CD e DVD que estão agora na cozinha com as chávenas e pires de café ou dentro dos armários para conseguir espaço extra; os tabuleiros para bolos que de tão grandes raramente são usados e que por isso servem de gavetas também nos armários fundos da cozinha; as caixas de sapatos que passam a organizadores dos armários das casas de banho; as estantes que tenho na arrecadação, que já foram as estantes do meu quarto em casa dos meus pais, para depois serem pintadas de azul, levarem uma cortina e serem o meu espaço de arrumação na cozinha da minha casa anterior; os frascos de vidro que servem para arrumar contas e conchas e botões ou que são reaproveitados para as compotas; os frascos de iogurte que passam a porta-velas; capas de almofada com tecidos de camisa... enfim, há um sem número de exemplos espalhados cá por casa. 

Desta vez dei uma segunda vida a uma camisola. No ano passado, a minha mãe trouxe-me duas camisolas que já estavam velhotas e que ela feltrou para me dar, sabendo que mais tarde ou mais cedo eu faria alguma coisa com elas (obrigado mãe!). A vantagem de feltrar é que se passa a conseguir cortar uma malha sem que esta desfie. Para o processo ficar perfeito, a peça deve ter um alto teor de lã na sua composição: a lã encolhe com a água quente e as malhas ficam muito apertadas, tão apertadas que não desfazem. De qualquer modo, consegue-se feltrar peças com menos lã, apesar de o resultado final não ser tão seguro: a camisola que usei já não tinha etiquetas, mas parece-me que tinha algumas fibras sintéticas na sua composição para além de lã. Ainda assim, conseguiu feltrar o suficiente para não desfiar.Voltando às camisolas: recortei-as pelas costuras para conseguir guardá-las melhor e arrumei-as nas prateleiras de tecidos à espera de um rasgo de inspiração. E ela finalmente veio a reboque dos dias frios: transformar a camisola cor-de-rosa numas luvas sem dedos para a Catarina. Eu adoro luvas sem dedos porque mantêm os pulsos e as mãos quentes mas não nos tiram mobilidade, logo podemos usar as mãos à vontade. 


Quando voltei a montar a camisola para esta fotografia, achei que talvez conseguisse fazer mais qualquer coisa para além das luvas... talvez um gorro com a gola e um cachecol com as mangas... Então pus mãos à obra. Demorei pouco menos de duas horas e cosi à mão, coisa que detesto fazer mas que para aqui teve que ser. Para o gorro, cosi uma extremidade da gola como se fosse uma flor com pétalas cada vez mais juntas. Para o cachecol, cortei as costuras das mangas em viés e cosi uma à outra de modo a ficar um grande rectângulo. Para as luvas, cortei dois rectângulos iguais da frente e das costas da camisola e cosi os lados um ao outro, deixando apenas uma abertura para o polegar. Com as sobras das costuras e dos recortes, fiz seis flores: duas para o gorro, duas para o cachecol e uma para cada luva. E este foi o resultado final.


A Cat ficou felicíssima porque há muito que me pedia umas luvas daquelas. Vieram com bónus e, ainda por cima, em cor-de-rosa!