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sexta-feira, 21 de março de 2014

Bolo de aniversário surpresa



A Cat fez anos no final de Fevereiro e, tal como no ano passado, quis que fosse a mãe a fazer-lhe o bolo. Nada pode dar-me mais prazer! Quis fazer-lhe um bolo-surpresa, com um desenho no interior. O Polka Dot Cake do aniversário do Tiago foi a minha primeira experiência com twice-baked cakes e não saiu totalmente como eu tinha antecipado: as bolas ficaram um pouco secas para o meu gosto e não fiz massa exterior em quantidade suficiente para dar o efeito pretendido. O que aprendi? O óbvio: há que testar estas coisas com antecedência! Então desta vez portei-me bem: comecei as pesquisas em Janeiro e fiz o teste logo no início de Fevereiro. Como não ia rechear com creme, escolhi usar a receita da torta de cenoura que a mãe do André costuma fazer, que fica bem molhadinha, e limitei-me a usar corante na massa. Para o bolo exterior, resolvi adaptar a receita do bolo de chocolate e beterraba do Henrique Sá Pessoa, que é pura e simplesmente espectacular.



A técnica do twice-baked cake é relativamente simples: faz-se o bolo pretendido para o recheio, corta-se com um cortador de bolachas para dar a forma desejada, faz-se a massa do bolo exterior e distribui-se os pedaços do bolo cortado pelo interior, fazendo uma espécie de tronco, para um bolo rectangular. Infelizmente as fotografias do passo-a-passo ficaram uma caca, então para entenderem a lógica espreitem aqui.



No teste, experimentei cortar o bolo de cenoura em corações (que ficaram com um vermelho lindo) e borboletas, mas estas pareciam símbolo do Batman pelo que achei por bem não repetir a façanha (pôr coisas vagamente de rapaz num bolo de aniversário da Cat seria quase pecado capital no entender da miúda...) então fiquei-me pelos corações. Tudo bem encaminhado e no rumo do sucesso total, não fosse eu um bocado indisciplinada e ter pensado: humm, em vez de usar corante artificial, vou tingir a massa de cenoura com beterraba!!! E assim fiz, contente da vida com a linda cor vermelha da massa. Mas querem saber? A beterraba perde (muita) cor no forno (eu não fazia ideia, só a tinha usado ainda no bolo de chocolate, onde o castanho absorve o vermelho) e os meus corações vermelhos ficaram... cor-de-laranja... sniff...


O que interessa é que ficou bom. Mesmo bom! Usei a cobertura de chocolate e malte da Dorie Greenspan e decorei com Smarties e bolinhas de açúcar.

E a Cat adorou: dois dos seus bolos favoritos num só! Como não???


*****

Bolo de Aniversário Surpresa

Bolo rectangular de 25 cm por 40 cm - serve cerca de 45 fatias

Para o interior

Bolo molhado de cenoura
(receita da sogrinha)

1,25 kg de cenouras descascadas, pesadas em cru
1,2 kg de açúcar amarelo
13 ovos
Raspa de 3 laranjas
300 g. de farinha
Corante alimentar a gosto

Cozer as cenouras em água. Pré-aquecer o forno a 180º. Escorrer bem e reduzir a puré com a varinha mágica. Bater as gemas com o açúcar amarelo até ficarem muito fofas e juntar o puré de cenoura, batendo bem. Adicionar o corante até conseguir a cor desejada. Juntar a raspa de laranja e a farinha, tornando a bater. Juntar as claras batidas em castelo muito firme. Forrar um tabuleiro de 25x40 cm com papel vegetal, deitar a massa e levar ao forno durante cerca de 20 minutos (ao espetar um palito, este deve sair seco, mas não é conveniente deixar o bolo no forno durante muito tempo, caso contrário irá secar). Deixar arrefecer completamente. Se houver tempo, levar ao frio durante pelo menos uma hora após arrefecer, facilita o processo de corte. Desenformar e usar um cortador de bolachas pequeno para obter a forma desejada. Reservar.

Para o exterior

Bolo de chocolate e beterraba
(adaptado de uma receita do Henrique Sá Pessoa)

Três beterrabas pequenas (c. cem gramas/cada)
Trezentas gramas de chocolate com 70% cacau
Um café e meio (usei descafeinado por causa dos miúdos)
Trezentas gramas de manteiga amolecida
Duzentas gramas de farinha de trigo
Uma e meia colher de chá de fermento em pó
Quatro colheres de sopa de cacau em pó
Oito ovos
Duzentas e oitenta gramas de açúcar amarelo

Cozer a beterraba inteira, com casca, em água a ferver e sem sal. Escorrer bem, deixar arrefecer, descascar e reduzir a puré com a varinha mágica. Derreter o chocolate com a manteiga e, assim que estiverem derretidos, juntar o café. Envolver bem. Bater as gemas metade do açúcar até ficarem bem fofas. Adicionar a mistura de chocolate e, em seguida, juntar o puré de beterraba. Peneirar a farinha com o cacau e o fermento e acrescentar à mistura de gemas e chocolate. Bater as claras em castelo com o restante açúcar e envolver suavemente no preparado anterior. Deitar cerca de um centímetro de massa num tabuleiro de 25x40 cm, untado com manteiga e polvilhado com farinha. Levar ao forno pré-aquecido a 175º durante cinco minutos, apenas para dar alguma textura à massa. Retirar do forno e, com cuidado para evitar queimaduras, montar as formas recortadas do bolo de cenoura como se fosse um tronco, seguindo ao longo da massa e fazendo três filas, comprimindo bem o espaço entre cada forma. Atenção: no caso dos corações, montei-os com a parte de cima virada para baixo, uma vez que queria que a base do bolo ficasse virada para cima. É importante pensar qual o lado que queremos que fique para cima no bolo ou corremos o risco de ficar com o desenho interior de pernas para o ar. Deitar a restante massa de chocolate sobre o bolo, tendo o cuidado de cobrir bem o bolo de cenoura. Levar ao forno durante cerca de 45 minutos, ou até o palito sair seco. Novamente, o bolo não deverá ficar demasiado tempo no forno para não secar. Deixar arrefecer bem e desenformar, tendo o cuidado de ficar com o desenho virado para cima.

Para a cobertura



Creme de chocolate e malte
Dorie Greenspan

Cento e setenta gramas de chocolate a setenta por cento picado grosseiramente
Um terço de chávena de açúcar amarelo
Um quarto de chávena de Ovomaltine
Duzentas e vinte gramas de manteiga sem sal, à temperatura ambiente
Uma pitada de sal
Três quatros de colher de chá de extracto de baunilha
Uma chávena de açúcar em pó, peneirado

Derreter o chocolate com metade do açúcar amarelo em banho-maria. Retirar do lume. Misturar o Ovomaltine e acrescentar o chocolate derretido, gradualmente, mexendo até ficar liso e brilhante. Bater a manteiga até ficar macia e fofa. Adicionar o açúcar amarelo restante e bater durante uns minutos. Juntar o extracto de baunilha, o sal e, aos poucos, o açúcar em pó. Cobrir o bolo. Levar ao frigorífico pelo menos uma hora.

Para enfeitar

Smarties Grandes
Smarties Pequenos
Bolinhas de açúcar multicolores

Começar com os smarties grandes pela base do bolo, colocando-os um a um, em fila, o mais juntos possível. Na fila seguinte, usar os smarties nos espaços da linha de baixo. Seguir a mesma lógica para os smarties pequenos, cobrindo bem os lados do bolo. Fazer uma bordadura na parte superior do bolo. Deitar as bolinhas coloridas no resto da parte superior do bolo. Levar ao frigorífico até à hora de servir. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Segunda vida - avental para jardinar


Desde que me conheço, lembro-me do meu tio sempre metido nalgum projecto. Jamais esquecerei a pequena "oficina" no vão das escadas da sua casa antiga, onde um dia me deslumbrou com um brinquedo feito de caricas que eu tinha apanhado horas antes num café.  Recordo-me de quando se dedicou de corpo e alma à apicultura, de quando comprou uma ambulância VW antiga, da paixão pela astronomia e, a minha favorita, da sua pancada da mota, que me fez adorar andar à pendura e ter o sonho de um dia ter uma para mim. O mais recente é a hidroponia, que o tornou num agricultor de telhado. Literalmente. Com isso em mente, resolvi fazer-lhe um avental para as ferramentas e para o efeito, usei as minhas antigas e tão adoradas calças de bolsos. Pareceu-me que, assim, irão ter uma boa segunda vida. Abri uma das pernas e aproveitei o bolso grande; cosi os bolsos traseiros; debruei o avental e fiz a fita de atar à cintura com pedaços de umas calças de ganga. Nunca tinha cosido dois tecidos tão grossos juntos, então algumas partes estão com a costura um bocado imperfeita, sobretudo na fita de atar à cintura. Mas acho que o resultado final ficou engraçado e interessante. O que acham? 


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O avental do cozinheiro

Em todas as famílias que conheço, há sempre alguém que tem uma paixão por cozinhar. Bem, na nossa família há mais do que uma pessoa, ou não fossemos todos amantes de boa comida, bem cozinhada. Mas há uma pessoa que, quando eu desenho com a Catarina as nossas caricaturas familiares, aparece sempre com uma colher de pau associada. Pois bem, este avental foi feito para essa pessoa, como não podia deixar de ser. 


Apesar de eu não gostar de (e de não estar habituada a) coser peças grandes, a tarefa foi relativamente fácil. Usei um dos aventais cá de casa como modelo e cortei o tecido à medida. O mais difícil foi mesmo fazer a fita para atar à cintura, isto porque eu detesto ter que virar as peças de tecido ao contrário por um buraquinho minúsculo. 


Mas acho que fez sucesso e será um bom augúrio para os petiscos que vão sair em breve da nova cozinha!   

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Vintage retro chic... ou qualquer coisa do género



Há cerca de um ano, a minha avó deu-me alguns retalhos que tinha lá por casa. Deu-me também um tecido de estopa estampada que a minha mãe tinha comprado ainda solteira, com o objectivo de fazer uma toalha de mesa. Os meus pais casaram em setenta e cinco, por isso dá para imaginar o quão retro o tecido é. Retro na verdadeira acepção do termo. A toalha ficou-se pelos alinhavos e eu fiquei em êxtase por poder fazer qualquer coisa com um tecido tão diferente. Pensei logo numa mala para a minha mãe, mas não me organizei o suficiente para a fazer para o seu aniversário, por isso lá ficou para o Natal. E assim foi. Tive que sacudir meticulosamente o tecido (quem é que se arrisca a fazer mais do que isso a uma estopa que deve ter quase quarenta anos?), que mesmo assim manteve algum cheiro a pó e, provavelmente, alguns ácaros anciães.   

Não se pode dizer que seja um tecido fácil de trabalhar porque desfia um bocado, mas a minha tesoura de bicos limitou um pouco os estragos. Também não me atrevi a passar o tecido a ferro (é praticamente uma relíquia) e isso dificulta um bocado o trabalho. Ainda assim, consegui montar bem a mala e fazê-la do tamanho que a minha mãe gosta: bem grande para caber a tralha toda. As alças são suficientemente compridas para usar a mala ao ombro e suficientemente curtas para andar com ela no braço.


Dificuldades à parte, gostei muito do resultado final. Há que aproveitar enquanto se volta a usar estes padrões e acho que a minha mãe gostou do uso que dei à sua toalha que nunca o foi.

Agenda para a mãe


Há anos que ofereço à minha mãe uma agenda pelo Natal. Não ofereço apenas a agenda, é claro, mas é sempre um complemento à verdadeira prenda. De facto, tornou-se numa espécie de tradição que, se a memória não me trai, quebrei apenas duas ou três vezes em mais de quinze anos. O modelo é sempre o mesmo: suficientemente pequena para caber na mala, mas suficientemente grande para ter uma página por dia. Geralmente, uma destas ou algo parecido. Mas depois de a minha mãe afirmar o quanto gostou do tecido que usei aqui, resolvi forrá-la com o dito cujo.  E ficou assim...


Um bom ano para ti, mãe!

domingo, 23 de dezembro de 2012

O encanto das compotas

Este verão fartei-me de fazer compotas. Tinha em mente não só abastecer a nossa despensa para o inverno, como também oferecer algumas pelo Natal. 


Agora limitei-me a cortar uns quadrados de tecido para cada frasco, prendê-los com ráfia e acrescentar-lhes uma etiqueta feita por mim. O resultado final foi este. 


Os desenhos, que eu adoro, foram adaptados daqui: usei alguns como foram disponibilizados e outros alterei no paint para acrescentar mais uns frutos ao leque de escolhas. As compotas, fi-las assim, mas sem o cravinho, que resulta muito bem no doce de cereja, mas nem tanto no de outras frutas. E oferece-se assim um pouco de verão para ajudar a enfrentar os rigores do inverno.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Um saco para compras

Começa aqui o périplo pelas prendas de Natal feitas por mim. Há muitos anos que faço pequenas coisas para oferecer, mas como tive mais tempo desta vez, fui um pouco além do habitual. E a primeira que mostro é um saco para as compras. Um saco pequeno, para aquelas compras de primeira necessidade e em pequena quantidade, mas muito resistente, mais bonito e mais ecológico do que os habituais sacos de plástico. 


Ficou um pouco mais estreito do que o tinha idealizado inicialmente, mas percebi o que fiz mal e para a próxima já não falho. Ainda assim, tem bastante capacidade, apesar de não dar para compras muito volumosas.


Eu ando sempre com dois sacos de pano na mala, assim dobradinhos, e não quero outra coisa.


sábado, 1 de dezembro de 2012

Calendário do advento


No ano passado o André deu à Catarina um calendário do advento da LEGO. Ela só poderia abrir a janelinha do dia caso fizesse uma tarefa ou uma boa acção. A ideia fez sucesso e este ano resolvi fazer-lhe um para repetirmos o conceito: vinte e quatro saquinhos em pano, cada um com o respectivo dia e com um pequeno presente lá dentro. Resolvi intercalar chocolates, chupas ou sugos com canetas de purpurinas, uns pequenos batons de brilho, elásticos para o cabelo, um verniz (depois conto esta história), trancinhas postiças e dois presentes maiores que vão implicar uma caça ao tesouro: uma coroa para substituir a que se partiu há algum tempo e um filme.

Fi-lo em azuis, brancos e vermelhos, com vários tecidos diferentes, uns comprados, outros reciclados de roupas antigas. Para desenhar os números sobre feltro branco, usei cortadores de plasticina. Cosi os números a um pedaço de tecido e este aos sacos. Inicialmente pensei fechá-los com um fio, mas os números não iriam ver-se bem, por isso optei por manter a sua forma quadrangular e fechá-los com um botão (usei os das camisas velhas e polos que o André e o meu pai me vão dando para os meus trabalhos). Uma solução melhor mas mais trabalhosa, que teve no entanto a vantagem de me pôr a saber fazer casas de botões. Afinal tive que repetir a proeza vinte e quatro vezes. Terminados os saquinhos, prendi-os com pionés a um placard de cortiça.

E foi este o resultado final: um calendário para a Cat, que poderá voltar a ser usado durante muitos anos.





     

sábado, 3 de novembro de 2012

Babete para baba



No outro dia aventurei-me a fazer um babete para a filha de uma amiga que vai nascer dentro de uns meses. Peguei num babete do Tiago e copiei o modelo. Revelou-se uma tarefa muito simples e um excelente uso para um tecido que comprei há uns dois anos. Cortei a frente e o verso à medida e usei um pouco de plástico entre os dois tecidos e velcro para fechar. Para debruar o babete fiz uma fita verde com umas tiras de tecido. A parte mais difícil foi mesmo coser a fita nas partes redondas, não tenho prática suficiente para impedir que ficasse com umas quantas dobras. 


Não ficou perfeito, mas estou contente com o resultado final. Um babete para a baba, plastificado para não passar nenhuma humidade para a roupinha. 


E, já agora, um obrigado ao Tiago por ter servido de modelo sem refilar por ser um babete para rapariga. 

sábado, 14 de abril de 2012

Para os músculos doridos

aniversário da minha avó já lá vai há dois meses e só esta semana consegui terminar o que tinha para lhe dar. Não que fosse difícil, mas a pior coisa que se pode fazer quando se tem pouco tempo é deixar a meio o que estamos a fazer. Dá sempre mau resultado. De facto, era mesmo simples: um saco terapêutico como o que lhe fiz no Natal, mas maior, para poder relaxar os ombros ou as pernas, sempre doridas com as maleitas da idade.

Corta-se um grande rectângulo de tecido (cinquenta por vinte centímetros, por exemplo), ao qual se cose um galão à escolha. 


Eu usei tecido de linho, de cor crua, e um galão branco com um bordado florido, que apliquei ao comprimento do tecido. Depois cose-se o saco pelo avesso, alinhando as duas pontas do galão para ficar perfeito. 


Deixa-se um espaço de uns três a quatro centímetros sem coser, de modo a poder-se virar o saco pelo direito. É sempre uma tarefa penosa, por isso mais vale deixar uma abertura maior e ter trabalho com os pontos invisíveis do que tentar passar o Rossio pela Rua da Betesga... 

Quando o saco estiver virado, convém endireitar os cantos com um pauzinho. Vendem-se uns próprios para o efeito, mas eu fiz o meu com um pauzinho chinês, que afiei ligeiramente com um apara-lápis. Há mariquices que não vale mesmo a pena comprar, basta puxar um pouco pela cabeça e fazê-las nós mesmos... 


Por fim, basta passar o saco a ferro, enchê-lo de arroz, trigo ou caroços de cereja e coser a abertura com o tal ponto invisível. Na falta dos outros ingredientes, usei arroz, mas está nos meus planos guardar e tratar os caroços das cerejas que comer este ano. O arroz parece-me sempre menos resistente, dado que terá que ir ao micro-ondas...


E é só isto. Depois basta levar ao micro-ondas durante um a dois minutos e aplicar sobre os músculos doridos. Também é um bom substituto dos sacos de água quente, pelo menos assim o diz a minha avó. E palavra de avó é palavra de avó!


sábado, 7 de janeiro de 2012

Natal

Os últimos meses do ano foram algo complicados, o que se deve ter reparado pelas poucas vezes que aqui vim. Não foi tanto pelo trabalho, que foi muito mas não mais do que o habitual, não foi apenas por ter tido mais do que fazer em casa do que costumo ter. Talvez tenha sido também um pouco por me meter em demasiadas coisas ao mesmo tempo mas foi, sobretudo, por uma enorme exaustão que, se bem que por bons motivos, me tem esgotado completamente a energia habitual.

Ainda assim, não podia deixar de dedicar algumas horas às coisas que mais me dão prazer na altura do Natal: decorar a casa, preparar a ceia ao pormenor e fazer algumas pequenas lembranças para dar. Há muitos anos que faço coisas para dar no Natal. Não têm que ser coisas complicadas, basta serem coisas feitas com amor e a pensar em quem as vai receber: uma moldura com uma fotografia especial, uns brincos, um colar, um calendário com fotografias, compotas, azeites aromáticos, açúcares fragantes, bolachas... há tanto que se pode fazer e tanto a que podemos recorrer para nos afastarmos da habitual compulsão consumista que passou a caracterizar esta quadra e que roubou parte da sua magia. 

Este ano comecei a fazê-las em Outubro. Não variei tanto como no ano passado, mas os vários galões que fui comprando desde o Verão tinham que ser usados e só conseguia pensar em almofadinhas de cheiro. E cá estão elas...


Fiz também um saco quente para a minha avó, com bagos de arroz lá dentro, que basta aquecer no micro-ondas e usar por cima de qualquer músculo dorido. Experimentei-o no pescoço e fiquei fã, não tarda farei um para mim...


Fiz ainda uns cremes para as mãos com manteiga de cacau, manteiga de Karité, óleo de amêndoas doces e essência de alfazema, mas não consegui tirar-lhes fotografias decentes para mostrar. Para a minha mãe, um colar de troçado com umas pedras que já havia comprado há anos e que ainda não tinha usado. 


O jantar e a ceia de Natal também foram cá em casa. Fiz bacalhau, tronco de Natal, mexidos e panna cotta, mas não tive oportunidade de fotografar nenhum dos pratos. A casa estava decorada a preceito, como gosto, e as mesas bem postas e cheias de velas aromáticas. Mas, acima de tudo, foi um serão bem passado, com boa conversa, boa comida e algumas boas gargalhadas.


 Isto é, para mim, o Natal: dar, uma casa cheia, alegria e paz.

sábado, 5 de novembro de 2011

Uma mala dentro da mala

Às vezes é preciso termos muito à vontade com os amigos para lhes darmos aquilo que é feito por nós. Isto é especialmente verdadeiro quando a nossa técnica é ainda algo limitada, quando ainda erramos e quando a probabilidade de o produto final sair com pequenos "defeitos" é significativa. Este ano decidi fazer algo para dar à minha amiga M. no seu aniversário. Já foi em meados de Outubro e a prenda está pronta desde o fim-de-semana passado, mas só hoje estivemos juntas e, por isso, só agora vos posso mostrar o que andei a fazer. Isto.


O que é? Uma mala para usar dentro da mala. É isso mesmo e é uma das melhores invenções que conheço. Comprei uma há uns três anos e, desde então, praticamente deixei de demorar horas e horas a encontrar a chave ou a carteira ou o que for que por lá andar. Tudo arrumado.


Como a minha é absolutamente eficiente, tentei fazê-la tão parecida quanto possível. Foi difícil, porque implicou coser quatro bolsas diferentes, uma delas com fecho. Aliás, foi o primeiro fecho que cosi na vida e... é tão complicado quanto parece, sobretudo se for numa bolsa... mas a pequena bolsa exterior é imprescindível porque, tendo fecho, dá para guardar uma panóplia de coisas pequenas, daquelas que só se encontram nas nossas malas. 

Decidi fazer várias divisórias externas, muito úteis para o telemóvel, para o passe, para guardar canetas e lápis e para o carregador USB, por exemplo. A bolsa bege sustenta as divisórias; a bolsa interior está dobrada sobre a exterior e permite que se use a fita para fechar e impedir que o conteúdo caia para dentro da mala. E dá para prender as chaves do lado de fora. Clever...


Como disse, o processo não foi fácil; às vezes, foi mesmo frustrante. Mas valeu a pena, não só porque consegui fazer algo realmente difícil como porque, e especialmente, a minha amiga gostou.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Número Três

Fiz a minha terceira mala. Como tenho usado sempre o mesmo modelo, que vou aumentando a cada nova experiência, já a consegui montar num instante. Desta vez fi-la com duas alças, o que também se revelou pacífico. O problema são os detalhes: no momento exacto em que cosi as alças, fiquei desanimada: ficou horrível. Depois tentei dar uns pontos à mão por cima... pior ainda ficou. Então, por fim, fiz um rolinho com a parte solta da alça e lá salvei a honra do convento. Vêem-se os remates, mas consegui evitar que o desastre fosse total...


Desta vez não usei linhas contrastantes para não se notar tanto a falta de técnica e as costuras tortas. E, lição valiosa, aprendi que se o tecido for realmente apelativo, os defeitos ficam mais disfarçados.  O resultado final foi este:


Bem, ficou suficientemente decente para ser a prenda de anos da minha mãe. Ser cobaia nestas experiências é uma das funções das mães. Acho que ela gostou ou então disfarçou bem...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Brigadeiros que significam "Obrigado!"

Há exactamente um ano mudei de emprego. Trabalhei no mesmo sítio e com as mesmas pessoas durante sete anos e meio e mudar foi um processo muito mais difícil do que alguma vez pude antecipar. Já tinha mudado antes de emprego mas nunca tinha trabalhado num sítio durante tanto tempo nem criado laços tão fortes. Tomar a decisão de mudar foi talvez a parte mais difícil. Dizê-lo aos que ficaram também me custou muito, sobretudo à minha equipa. As saudades que senti, em particular nos primeiros tempos, foram também muito complicadas de superar. Mas o que mexeu mais comigo foi, já no novo emprego, perceber aquilo que eu não sabia fazer, perceber as minhas limitações e ter que ultrapassá-las. Quando trabalhamos num sítio durante tanto tempo e a desempenhar as mesmas funções, há processos que se cristalizam e, de algum modo, perdemos alguma capacidade de adaptação. Ter que sair dessa zona de conforto, ter medo de não estar à altura é algo que abala profundamente as nossas fundações. Por isso, se eu disser que os primeiros meses foram fáceis estou a mentir. Não foram nada fáceis.

Mas, passado um ano, posso dizer que consegui. Adaptei-me bem, conquistei o meu lugar, trouxe o meu cunho pessoal à forma como fazemos o nosso trabalho e, acima de tudo, aprendi muitas coisas novas. Espero ter ensinado outras. Mas há outra parte fundamental: neste ano fiz novos amigos. Um mau ambiente de trabalho é algo não consigo tolerar. Preciso de me sentir bem com os que me rodeiam para ser produtiva e tenho a convicção de que um ambiente de cooperação traz muito mais benefícios do que um ambiente de competição selvagem, seja no trabalho, seja na generalidade das situações da vida. Por isso, não me consigo imaginar a passar oito ou nove horas do meu dia, cinco dias por semana, num ambiente hostil. O que tenho - aliás, o que tive nos últimos onze anos em quase todos os sítios onde trabalhei - é um emprego onde me sinto bem com os meus colegas, onde posso debater ideias, onde sinto que posso confiar nas pessoas. Não será assim com todos, mas é assim com a grande maioria.

Foram pequenas coisas que fizeram toda a diferença. Os sorrisos simpáticos nos primeiros dias; o cuidado para que não almoçasse sozinha demasiadas vezes; as perguntas sobre se estava a gostar; o interesse revelado em conhecer-me um pouco melhor; a disponibilidade em ajudar-me... enfim, fizeram-me sentir em casa. Talvez seja estranho para muitos o conceito de "sentir-se em casa" no local de trabalho. Eu acho que é algo de fundamental. 

Posto isto, digo sem qualquer sombra de dúvida que tenho muita sorte. Sorte por gostar do que faço; sorte por estar sempre a aprender, por poder aplicar todos os dias o conhecimento que tenho vindo a adquirir ao logo dos anos na universidade e na minha vida profissional; sorte por estar rodeada por pessoas impecáveis que me ajudaram a ultrapassar as dificuldades do último ano, que me ensinaram muito e que tão bem me acolheram. Pessoas que me ajudaram a pertencer.  A melhor forma de agradecer é tentar retribuir na mesma moeda. É isso que procuro fazer no meu dia-a-dia, da melhor forma que sei. Por isso, exclusivamente com esse propósito, fiz ontem uns brigadeiros para sinalizar o dia de hoje. Uns brigadeiros que querem dizer "Obrigado". Um obrigado sincero.


Já não os fazia há algum tempo, mas a receita é extremamente fácil e rápida, mesmo boa para um dia de semana. É só cozinhar em lume brando uma lata de leite condensado, cinquenta gramas de chocolate e vinte e cinco gramas de manteiga, mexer sempre até engrossar, deixar arrefecer, pôr no frigorífico durante algum tempo. A parte mais trabalhosa é moldar as bolinhas, mas experimentei fazê-lo com duas colheres e funcionou às mil maravilhas. E acho que eles gostaram. Assim espero, pelo menos.