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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Semear...

Chegou Fevereiro e com ele a vontade de voltar a prestar atenção ao "jardim". Dezembro e Janeiro são tipicamente meses em que negligencio as minhas varandas, no primeiro porque nunca há tempo, no segundo porque nunca há paciência. Sim, se Dezembro é para mim um dos melhores meses do ano, Janeiro é invariavelmente o meu mês "não", um mês que me deprime até ao âmago. Mas em Fevereiro já se nota que os dias são mais longos, o sol já inunda as varandas, já começam a despontar os primeiros rebentos nos vasos, a nascer timidamente uma ou outra flor - ainda fechadas, claro está - e eu volto a ter vontade de passar a tarde na varanda a aproveitar o sol. Por isso, na semana passada enchi-me de coragem e estive a preparar a terra dos vasos, a arrancar ervas daninhas e a tirar folhas secas e esta semana começámos a semear. A maioria das sementes que tenho são para Março, mas Fevereiro é mês de plantar tomate e beringela. Como está muito frio e um vento inclemente, semeámos dentro de casa, nuns vasinhos improvisados que se revelaram bem catitas. A Cat gosta sempre de me ajudar nestas coisas e foi ela que fez praticamente tudo. No ano passado andava quase tão entusiasmada com a nossa horta na varanda quanto eu e este ano vamos dar um passo em frente, diversificar a produção e plantar quase tudo através de semente. 

O primeiro passo foi pôr alguma terra nos nossos recipientes. Resolvemos experimentar usar caixas de ovos, que parecem ter uma boa profundidade para deixar os rebentos crescer. Como usámos terra de um vaso que já levou outras coisas, foi necessário limpá-la de uma ou outra raiz que tivesse ficado por lá...


Limpa a terra, plantámos as sementes. Duas ou três em cada espaço, enterradas a um centímetro de profundidade. Nada como dedos pequenos e fininhos para o trabalho ficar bem feito.


Plantámos dois "vasos" de tomate-cereja, seis de tomate-chucha "de compra" (ou seja, das sementes que retirámos de uns tomates que comprámos no fim do Verão), seis de tomate-chucha biológico (sementes retiradas de um tomate nascido do nosso tomateiro no ano passado) e duas de beringelas.


Foi tudo devidamente identificado para não haver confusões quando transplantarmos os rebentos. Por fim, é só regar e pôr perto de uma janela. 


Dentro de uma semana ou duas, já devemos ter novidades. 

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Levantando o véu...

Há uns tempos referi aqui que ando a fazer umas experiências nas varandas cá de casa. Após dois anos a usar ervas aromáticas colhidas no momento, coroadas com uma plantação bem sucedida de rúcula no início da primavera, resolvi este ano ir um pouco mais longe. Quão longe? Ora vejam...  


Quando fui no outro dia ao horto comprar terra, estavam a vender rebentos de tomateiro (tomate-chucha, o meu favorito) aos quais não consegui resistir. Mesmo ao lado, estavam rebentos de courgetes. Demorei uns dias até ter tempo para os plantar num vaso decente e quando os plantei, já estavam com um aspecto moribundo. No meu desconhecimento da coisa, pus tudo no mesmo vaso, rebentos de tomate e rebentos de courgete ao molho. Os tomateiros começaram a crescer a um ritmo alucinante e as courgetes, coitadas, não passavam de uma ou duas folhas com mau aspecto. Tal como me acontece com tudo na vida, se um assunto despertar o meu interesse, fico com uma sede insaciável de conhecimento sobre o dito cujo. Então comecei a pesquisar, a ler uns livros e a ficar realmente entusiasmada com esta experiência. É a minha veia de investigadora a funcionar...

Dei então às courgetes uma casa mais espaçosa e apropriada e, no espaço de uma (!) semana, cresceu desmesuradamente. Agora já tem flores-macho e flores-fêmea, já com o projecto de courgete à espera de ser polenizado. Quanto aos tomateiros, em duas semanas cresceram tanto que têm agora um metro e vinte de altura e uns vinte frutos a crescer e a amadurecer lentamente.


Com estes resultados, voltei ao horto e resolvi comprar sementes para fazer outras experiências. Aqui, temos rabanetes e nabos. Os rabanetes crescem muito depressa e dentro de uma semana ou duas já devem poder ser colhidos. Os nabos demorarão um pouco mais, talvez um mês.


Como o espaço não abunda, resolvi comprar um sistema de horta vertical, que permite empilhar até nove vasos, com três entradas cada. Comprei apenas três para experimentar, onde tenho oito morangueiros plantados. Estão a dar morangos  pequeninos, muito doces. Para já só dá dois ou três de cada vez e é a Catarina que se tem deliciado com eles. Segundo li, só no segundo ano terei uma boa colheita, mas para já vai dando para a piada...


Comprei também estas malaguetas e, ao lado, semeei uns pimentos, que estão a demorar um pouco a despontar. Não sei se irão germinar. Veremos...


Resolvi tentar uma vez mais ter manjericão, que é uma das plantas que nunca consegui manter com bons resultados. Depois das duas semanas iniciais, parece que se adaptou. Talvez seja desta... 



Para terminar, mostro-vos como o tomilho e a hortelã estão bonitos.


Confesso que me tem dado um gozo tremendo chegar a casa e vir espreitar a minha "horta", regá-la, colher os seus frutos. A Catarina ajuda-me com bastante entusiasmo e é tempo de qualidade que passamos juntas. Não tenho objectivos específicos para esta experiência, apenas apreciar o processo, aprender com ele, enfrentar os desafios do "biológico" e, porque não, comer legumes acabadinhos de colher, mesmo que não dêem para mais do que uma ou duas refeições.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O apelo da terra

Se há algo que ainda não consegui explicar é o fascínio que a terra exerce sobre mim. Há como que um chamamento, uma ligação muito forte, quase umbilical e, por isso, completamente estranha. Tanto quanto sei a minha família esteve sempre ligada à cidade ou ao mar, pelo menos nas duas gerações que me antecedem. Consigo explicar por isso a centralidade que o mar sempre teve na minha vida, a necessidade que sempre senti de o ver, de o escutar, o alvoroço que me traz o cheiro a maresia. Consigo explicar o meu interesse pela cidade, pela sua arquitectura, pela cultura, pela sua vida e pelas suas pessoas. No entanto, nos últimos anos, tem-se desenvolvido em mim um interesse cada vez maior pela terra, um interesse que se vai convertendo aos poucos numa necessidade, numa atracção quase obsessiva cuja razão é uma perfeita incógnita.

Esta atracção poderia justificar-se se desde pequena tivesse passado férias no campo ou numa quinta. Poderia justificar-se se fosse apenas o ar puro do campo, o sossego ou o cheiro intenso das árvores a determiná-la, aqueles que vou sentindo nas caminhadas ou nalgumas viagens a destinos mais rurais. Mas não. É o cheiro da terra, o seu calor, a sua aspereza. É o que sinto ao tocar-lhe, ao revolvê-la, ao senti-la nos meus dedos. É o aroma que dela emana quando chove, a vida que tem dentro dela, a vida que dela nasce. São as plantas e as flores, as árvores e os seus frutos que dela brotam. É a natureza, mesmo no seu estado selvagem.


Este fim-de-semana foi, por isso, completamente gratificante. Fomos convidados por uns amigos para ir à casa deles, que fica na Sobreira Formosa. Já lá não íamos há nove anos e eu estava convicta que era perto do Fundão. Não é. É perto de Proença-a-Nova. A memória prega-nos destas partidas...


Voltando aos amigos. Há uns doze anos decidiram deixar Lisboa e ir viver para o campo. Tinham um terreno, construiram uma casa e, aos poucos, foram-se entregando à terra. Há nove anos, tinham pouca coisa plantada; agora, com muito trabalho, muita pesquisa, sempre à procura do melhor método, têm uma série de cerejeiras e de oliveiras, algumas pereiras, ameixoeiras, medronheiros, videiras, romãnzeiras e uma horta em expansão. Dedicam-se à terra como se dedicam a todos os que conhecem: de coração aberto e dando tudo. São pessoas extraordinárias.

Chegámos no Sábado à hora do almoço. Esperava-nos um bucho delicioso e maranhos caseiros, divinais, a saber a hortelã. Demorámo-nos à mesa, perdidos nas conversas, e depois de almoço fomos dar uma volta para ver o que tinha mudado naqueles anos.


Estava muito calor. Muito mesmo. Tinhamos que esperar pelo final da tarde para ir apanhar as cerejas. A aragem que corria era fresca à sombra e ali estive, na espreguiçadeiras, a sentir o cheiro dos pinheiros das matas circundantes.


A Catarina estava deliciada: podia andar por todo o lado, sem restrições. Posso ir explorar, mãe? E por explorar entenda-se correr à vontade, apanhar flores, cheirar a relva, descobrir caminhos, encontrar esconderijos, enfim, todas aquelas coisas que não tem na cidade. Mas mais importante do que essa liberdade pouco habitual na cidade foi a primeira amizade real que fez com um animal: o Apolo, um brincalhão de sete meses que em pé consegue pôr as patas nos meus ombros e que se derrete com festas na barriga. E a Catarina, extasiada com as lambidelas que recebia em troca. Há menos de um ano, era impensável aproximar-se sequer de um cão. Ficava lívida, suava em bica, mas quando em Outubro conheceu um cão de trinta centímetros e cara de Gremlin achou que se calhar os cães - e animais em geral - não são necessariamente maus.


Quando o calor finalmente acalmou, pudemos ir apanhar cerejas. O nosso amigo também tem colmeias e as abelhas gostam de se alimentar nas flores das cerejeiras, como tal não usa nas árvores qualquer químico. Se usasse, poderia matar as abelhas. Essa ausência de químicos faz com que se possa comer as cerejas directamente das árvores. Nos livros que lia em miúda havia sempre personagens a apanhar barrigadas de cerejas e confesso que tinha inveja por nunca ter apanhado uma dessas dores de barriga. Consegui a proeza de apanhar a barrigada de cerejas sem a dor de barriga associada. E a Catarina, quando ler esses mesmos livros, irá lembrar-se da sensação de comer esses frutos que ela própria apanhou. É que havia uma cerejeira mais pequena, só para ela. Esta é só para mim!, dizia, enquanto se debatia com os ramos para arrancar as cerejas ainda com os pés.



Ainda antes de o sol se pôr, deu para ir dar milho às galinhas e apanhar morangos para o jantar. O orgulho de encher um cesto com morangos fragantes dificilmente foi contido.


Não sei se quando crescer, a Catarina virá a sentir o apelo da terra. Ou do mar. Ou até mesmo da cidade. Mas pelo menos poderá lembrar-se deste dia em que se orgulhou por ter apanhado algo que iria comer a seguir. No que me toca, senti-me em casa.

sábado, 14 de maio de 2011

Sobre saladas e hortas caseiras

Adoro legumes. Como-os em grande quantidade, cozidos, salteados, com massa, estufados e, claro está, na sopa, que juntamente com o leite é a base real da minha alimentação. Não sou, no entanto, grande fã de saladas. Tal como me acontece com as maçãs, as saladas fazem-me ficar com fome - mais do que tinha antes de as ter comido - o que não me parece uma coisa muito lógica. O que é certo é que as saladas e o calor são bons amigos e acabamos por fazê-las com alguma frequência no Verão. A primeira do ano foi de rúcula com presunto e parmesão. É forte demais para o meu gosto, mas o André adora. E demora menos de cinco minutos a fazer, bastando para tal ter...

... rúcula...


... presunto...


... e parmesão.


Totalmente inesperado, eu sei...

Para além dos três ingredientes, sugiro que se tempere com um fio de azeite. Pode complementar-se com uma salada de tomate que leva...



... tomate! Estou fascinada com o nível de surpresa deste post...


Sejamos precisos: tomate cortado em cubinhos temperado com sal marinho, azeite e vinagre balsâmico. O resultado final fica inegavelmente bonito. Eu acho, pelo menos...


Hortas caseiras? Está no título? Pois está! É que a rúcula saiu da varanda directamente para a cozinha. Plantei-a numa floreira, ainda em semente. E, diz quem mais a aprecia, é deliciosa! 


Tal como a rúcula, há outras experiências a decorrer nas varandas cá de casa. Mas dessas, falarei a seu tempo...