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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Um fim-de-semana na aldeia

Estive para aqui a escrever um grande relambório para contar como a minha vida é ocupada e como ando exausta. Escrevi e apaguei, escrevi e apaguei... é que de facto, não vale a pena escrever sobre o óbvio. Como ter tempo neste mundo retorcido onde o Homem é capaz de inventar a tecnologia para lhe melhorar e facilitar a vida, mas não é capaz de perceber que ele próprio não é uma máquina (inorganicamente falando) e que esta velocidade a que todos vivemos não é sustentável? Como ser capaz de abrandar, de apreciar a vida, de saborear o momento, de criar, de fazer algo diferente ou, pura e simplesmente, de não fazer nada? É difícil. Mas é possível.

Há quase dois anos que eu e o André não fazíamos uma pausa, não tirávamos uns dias apenas para nós, sem fraldas, sem sopas, sem guerras com trabalhos para casa, sem casa em polvorosa, sem stress de manhã, à tarde e à noite... no último fim-de-semana tirámos. Fomos para perto, para muito perto, e ainda assim pareceu-nos tão longe do tempo e do espaço a que estamos habituados.

Foi aqui.
 
 


Uma aldeia pacata, toda recuperada. Uma sensação de enorme conforto, apesar do vento inclemente. Pão fresco à porta de manhã, um pequeno-almoço preparado à moda antiga, em cafeteiras e leiteiras de alumínio. 


Um almoço de petiscos minuciosamente preparados na 'tasquinha' da aldeia. Ler, ler, ler. Demasiado frio e demasiada chuva para irmos jantar onde quer que fosse, então o queijinho, o presunto e a garrafa de vinho que nos lembrámos de levar, just in case.


Um rasgo de sol a permitir algumas fotografias.


Como se chama, afinal? Aldeia da Mata Pequena, bem perto de Mafra.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Tarte de espinafres e queijo e um piquenique no parque


Chegámos ao ponto da história em que o mundo se tornou mais rápido do que nós. Em que mesmo que usássemos as vinte e quatro horas do nosso dia, não conseguiríamos fazer tudo, responder a tudo, cumprir tudo. Reconhecer essa realidade implica reconhecer que não somos capazes. Não é fácil. Eu dou-me por feliz por já o ter reconhecido há algum tempo. Sei que nunca verei todos os e-mails que todos os dias inundam as minhas várias contas. Sei que nunca lerei tudo o que existe para ler, que nunca ouvirei todas as opiniões nem que irei algum dia saber tudo sobre um assunto. Sei que nunca experimentarei todas as receitas ou que farei todos os projectos a que me proponho. Que não lerei todos os livros ou ouvirei todas as músicas. Sei-o e ainda bem pois também sei que enquanto não reconhecermos que somos simplesmente humanos, jamais seremos felizes. Porque estaremos sempre com o coração nas mãos, permanentemente preocupados, constantemente deprimidos. E deixaremos a vida passar, sempre a correr atrás de tudo e sem conseguir agarrar nada. 

Depois deste reconhecimento, chega-nos uma leveza extraordinária, a leveza que nos permite rir, relativizar, brincar mesmo (e sobretudo) com as coisas sérias. A leveza que nos dá a objectividade suficiente para fazermos o melhor com o que temos, com o que conseguimos gerir, com o que a nossa natureza humana nos permite suportar. A leveza que nos permite sair da roda viva em que a humanidade anda metida e que nos permite perceber que só sobreviveremos se abrandarmos. Se aproveitarmos o que a vida nos dá.

Neste espírito, fui esta semana fazer um piquenique à hora do almoço com alguns colegas de trabalho. Não demorámos muito mais do que o habitual, andámos a pé, apanhámos sol. Sentimos o cheiro da relva que estava a ser regada, sentados numa manta à sombra. Conversámos. Rimos. Divertimo-nos. Parámos. Estivemos uns com os outros. Comemos. Voltámos e, por mim falo, trabalhei bem melhor do que nos dias em que mal me levanto da secretária.


Foi bom. Muito bom. Espero que seja o primeiro de muitos. Obrigado a todos!


Tarte de espinafres e queijo
(ou o meu contributo para o piquenique)

Uma embalagem de massa quebrada fresca, já estendida
Um pacote de espinafres frescos
Dois pacotes de natas
Três ovos
Meio pacote de queijo mozzarella ralado (para pizza)
Sal, pimenta e noz moscada a gosto
Parmesão para polvilhar

Pré-aquecer o forno a cento e oitenta graus. Cozer os espinafres em água a ferver durante três minutos. Bater os ovos inteiros com as natas. Espremer muito bem os espinafres, cortar em pedaços e juntar à mistura de ovos e natas. Juntar o queijo. Temperar com sal, pimenta e noz moscada, provando sempre. Forrar com a massa uma tarteira ou forma de mola, deitar o recheio e ralar parmesão no momento, polvilhando-o sobre o recheio. Levar ao forno até estar bem dourada, durante cerca de trinta minutos. 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sol, água e vida mais ou menos selvagem

Foi um óptimo fim-de-semana. No Sábado, o sol venceu o mau tempo e permitiu-nos dar uns belos passeios pela herdade e à beira da albufeira.

A casa tem um estilo simples, com alguns detalhes que a ligam ao antigamente...


... e os animais da herdade por ali andam, à solta, sem qualquer medo, reflectindo os bons cuidados da D. Isabel e do Sr. João.

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O Rafa e o Max sempre prontos para uma festa e para nos acompanharem nos passeios...


... e a ermida, acompanhada pelas flores selvagens e pela oliveira, também ela solitária.


As pedras do fundo da albufeira, que a seca deixou a descoberto...
  

... a água, agitada pelo vento e pelas aves que por ali passeiam e poisam...


... uma ou outra natureza morta a estragar a paisagem...


... e um par de possibilidades para a próxima visita.


O Domingo amanheceu também ele claro e sem nuvens e, como já disse antes, não há nada como as primeiras horas da manhã para espelhar a água. Foi por uma questão de minutos que consegui ir buscar a máquina e registar o momento... pouco depois, a água já se agitava, pondo fim a esta calmaria...


E assim terminaram as nossas pequenas férias de três dias, que ajudaram a carregar baterias para os meses atribulados que aí vêm.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Pelas ruas desertas de Campo Maior

Sábado amanheceu soalheiro, parecendo ter deixado para trás o mau tempo da véspera. Finalmente pudemos passear pela herdade, à beira de água, aproveitando o calor do sol que tentava sobrepor-se ao vento frio da manhã. Foi um início de dia calmo e deixámo-nos ficar por ali até às primeiras horas da tarde, saltando o almoço e optando antes por um lanche em Campo Maior. Estes pequenos-almoços fartos tomados a meio da manhã têm a vantagem de nos deixar saciados durante várias horas. Assim fizemos. Tinhamos pensado ir visitar o Museu do Café, da Delta, mas não marcámos com antecedência e tal não foi possível. Ficámos mais tarde a saber pelo Sr. João que se tivessemos ido lá e batido à porta, teriamos pelo menos conseguido pelo menos ver a adega e fazer uma prova de vinhos. Bem, será um pretexto tão bom como outro qualquer para voltarmos daqui a uns tempos… principalmente quando eu puder voltar a fazer uma prova de vinhos...

Como tal, ficámo-nos pela vila. Decidimos em primeiro lugar ir ao castelo, que se vê praticamente de qualquer ponto mais aberto. Subimos então as íngremes ruas, mas deparámo-nos com portas fechadas e com um estranho aproveitamento das suas paredes, que aparentemente alojam várias famílias à laia de pura ocupação desordenada do espaço. Assim nos pareceu, pelo menos, e nunca tal tinhamos antes visto num monumento nacional. Enfim.


Aparte desse rebuliço que saía das paredes do castelo, a cidade estava completamente deserta. Um ou outro rosto mais idoso assomava à janela mas não se via praticamente mais ninguém.


A Igreja Matriz, que se ergue imponente no meio do casario e das ruas apertadas, tinha a porta lateral aberta e deparámo-nos com um interior muito amplo, de tectos muito altos e mantida com um cuidado que já não vai sendo comum nos nossos dias. Na parte de fora, no pequeno largo que se forma ao lado da Igreja, ergue-se a Capela dos Ossos. Para meu alívio, a porta estava fechada, mas espreitando pela janela podiamos ver as ossadas misturadas com o cimento e a pedra da parede e uma série de caveiras a dar as boas vindas aos curiosos que procurassem vislumbrar o que está dentro daquele espaço. A minha relação com a morte está longe de ser boa, então qualquer contacto com o que quer que lhe diga respeito faz-me querer estar a milhas.


Por isso, a milhas me pus, caminhando a passos largos até ao largo da Câmara Municipal. Um espaço muito amplo, que contrasta com as restantes ruas apertadas da vila.



E assim continuavamos sem ver vivalma em pleno fim-de-semana de Páscoa e estavamos com dificuldade em perceber porquê. Fomos então tentar ver a igreja de São Francisco, onde está o Museu de Arte Sacra e, mais uma vez, deparámo-nos com as portas completamente fechadas. 



Nem o nome do Museu Aberto contrariava esta tendência e o mesmo se passava no Lagar Museu. Com tudo fechado, faltava ainda um tempo imenso até à hora de jantar e não sabiamos muito bem o que fazer com ele...



Foi preciso eu fazer um comentário à cruz que se via na parede de uma casa para logo aparecer o Sr. Jesus (só de nome, dizia ele insistentemente), que nos acompanhou durante quase uma hora a contar histórias da vila, das igrejas, do castelo e da sua mais recente “ocupação”. Cabelo ligeiramente grisalho, cortado à escovinha, olhos mortiços, hálito e andar etílicos, deu-nos a chave do mistério de tamanha desertificação: era dia de festa no município e todos tinham seguido para perto do santuário de Nossa Senhora de Enxara, a caminho da Ouguela, para fazer um piquenique à beira do rio como manda a tradição.



Estava desfeito o mistério, mas a conversa continuou com outras histórias, nomeadamente sobre o domínio do café sobre o azeite naquela terra, nem sempre tão vantajoso para a população.  E assim fomos por ele acompanhados até ao jardim, com grande insistência para vermos a estátua da Santa Beatriz, erguida com as moedinhas da esmola, tal como o havia sido a Capela dos Ossos.


Deixando o Sr. Jesus só de nome para trás, gastámos o resto do tempo sentados num dos bancos da alameda do jardim da vila. Pareciamos os velhotes locais, mas soube-nos muito bem apanhar os últimos raios de sol do dia enquanto ouviamos as gargalhadas felizes das crianças e desfiavamos um novelo de conversa.