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domingo, 15 de abril de 2012

Fiz buttermilk e... manteiga!!!

O novo desafio do Dorie às Sextas consiste em fazer scones com maçã e queijo Cheddar. O post não será sobre eles, já que só poderei publicá-lo a partir de sexta, mas antes sobre um dos seus ingredientes: buttermilk, que é o soro que resulta do processo de fabrico da manteiga.
Nunca tinha usado buttermilk, nunca o comprei e para ser sincera nem conhecia o seu aspecto. Quando a receita do desafio foi publicada, a Isabel mostrou-nos mesmo como se faz, mas estive a explorar mais um pouco e resolvi fazer the real thing, o que implica... fazer manteiga.

Não é a coisa mais rápida do mundo, sobretudo para quem não tenha Bimbys, Kenwoods e afins, não sai propriamente mais barato e, a menos que se use uma taça bem funda - o que eu não fiz -, salpica um bocado. Mas, apesar do esforço, o resultado final é mesmo gratificante... e emocionante, diria eu. Pelo menos, fiquei bastante orgulhosa com a proeza.

Mas vamos ao que interessa: como se faz? A minha fonte de inspiração foi esta, mas deixo-vos a minha experiência.

Usei dois pacotes de duzentos mililitros cada de natas frescas. Na receita original, é referido heavy cream, que tem cerca de quarenta por cento de gordura. As nossas natas têm trinta por cento e o resultado foi o mesmo. Segundo li, não convém usar natas UHT, a ultra-pasteurização dificultará bastante o processo. Esta quantidade dará para sensivelmente cem gramas de manteiga (não pesei, mas a olho parece andar por aí). Depois coloquei numa taça e comecei a bater com as varas que uso para as claras. 

Na primeira fase ficam fofas, como no chantili...


... passando a uma consistência muito espessa...


... para depois começarem a solidificar e, rapidamente, a granular, deixando um líquido translúcido.


Esse líquido é o famoso buttermilk. Nesta fase, usei um passador de rede para separar a manteiga do líquido, espremendo-a bem. 


Bati mais um pouco, repeti o processo e voltei a bater. Como já não largava mais líquido, assumi que estaria pronta. Então juntei um pouco de sal fino (tive receio de usar o grosso), juntei tudo numa bola e guardei numa caixa.


O buttermilk ficou assim...


... e a manteiga, assim.


Ambos já foram provados e aprovados. O buttermilk foi usado na massa dos scones, como era o seu propósito. A manteiga começou a ter uso ainda ontem à noite, para barrar pão alentejano ao jantar. Hoje, serviu para barrar os scones. É mais leve e mais suave que a de compra, sabe maravilhosamente e deve ficar óptima com alho, ervas e outras iguarias. Como vêem, dá trabalho, mas não tanto que me dissuada de voltar a fazê-la no futuro.   


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Canela + Requeijão = Perfeição

Há fins-de-semana que nos transcendem, em que parece que tivemos um problema de agenda e que marcámos tudo o que havia para marcar numas meras quarenta e oito horas. O nosso fim-de-semana foi assim, com um almoço nos sogros, uma ida à biblioteca para a hora das histórias, um jantar em casa dos amigos, uma ida às compras com a minha mãe seguido de um almoço em nossa casa... no fundo, comer, beber, cozinhar, passear, comer, beber, beber, cozinhar, passear, cozinhar comer, conversar, beber, conversar, beber, conversar... 

Em cheio, tal como eu gosto!!!

Na sexta, planeava tirar um monte de fotografias para relatar as várias experiências culinárias e gastronómicas que se iriam suceder nos dias seguintes. Wishful thinking... é claro que mal tive tempo para me coçar, por isso o plano só se concretizou para a tarte de requeijão que fiz para levar à jantar em casa dos nossos amigos.... o frango com ervas e limão, as batatas gratinadas, a sopa de castanhas e cogumelos e o crumble de maçã terão que ficar para posts futuros.

Vamos à bela da tarte. Esta é uma receita que faço há anos e que foi herdada ou da minha mãe ou de uma amiga dela, não me lembro bem. É fácil, rápida e deliciosa.

Para a base, é necessário um pacote de bolacha Maria e cem gramas de manteiga. A maneira mais fácil é picar a bolacha com a manteiga (a minha picadora é pequena, por isso faço-o em duas vezes), uma vez que fica logo um bom areado que basta deitar na tarteira (forrada com papel vegetal) e calcar para dar a forma da base.


Depois vem o recheio. Um requeijão bem escorrido, que se esborracha com um garfo e ao qual se junta quatro colheres de sopa de açúcar e quatro gemas. Pode bater-se com a batedeira, mas como o requeijão deixa sempre alguns grumos eu prefiro usar a varinha mágica. 


Fica um creme liso e corredio ao qual se junta um pacote de natas, que se vai misturando muito bem. Por fim, canela, tanta quanto gostarem. Como eu gosto muito, pus cerca de duas colheres de sopa e bati até fazer espuma. Por fim, bate-se as claras em castelo com mais duas colheres de açúcar e quando estiverem merengadas, incorporam-se na massa do requeijão. 



O resultado deve ser um creme muito leve e fofo, que se verte sobre a base da bolacha. 


Vai ao forno a cento e oitenta graus, devendo tirar-se quando começar a dourar por cima, mas antes de secar completamente por dentro.


Fica óptima, com uma consistência suave e húmida, fragante, enchendo a casa com o seu cheiro a canela. Enfim, perfeita para comer no Outono.

domingo, 23 de outubro de 2011

Bombons com creme Regina

Há anos que não comia os meus bombons favoritos, os bombons com creme Regina. Anos. É provável que os haja à venda em muitos sítios, mas nunca mais os vi. Ontem, no nosso passeio matinal pela Baixa, encontrei-os na Casa Pereira. 


E assim são eles, em forma de pequeno sino. Como quase sempre acontece com as coisas que me marcaram na infância, comê-los implica um ritual muito pessoal.


Vêm embrulhados em prata colorida, que se abre com cuidado para não rasgar...


... trinca-se e come-se a parte de cima ...


... lambe-se o creme...



... come-se o chocolate...


... e alisa-se a prata no final.

As saudades que eu tinha destes bombons e deste pequeno ritual.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O outro lado dos dias de chuva em terras algarvias

Os primeiros dias no Algarve foram de chuva. E o que é que se pode fazer quando chove, por vezes a potes, num sítio onde o que tem de melhor é a praia? Quando está um céu como este?


Bem, cada um com os seus prazeres. Para a Catarina, na impossibilidade de ir para a praia ou para a piscina, ir andar de carrossel e comer um gelado parecia um bom plano alternativo. Se Monte Gordo é feio, Vila Real tem muito mais encanto, não só pelo mercado, mas também (e sobretudo) pelas vistas do Guadiana, com Espanha lá ao longe. 


Para o André, a chuva até foi uma bênção, já que o relógio não pára nunca e ainda faltava pintar algumas coisas para o torneio do próximo fim-de-semana. No entanto, quando falei em irmos sair, a  resposta foi: vamos comer um crepe a Vilamoura! Para quem está em Monte Gordo, é preciso um bom motivo para ir a Vilamoura comer um crepe. Como este:


Digamos que lhe ficou debaixo de olho desde o jantar com os nossos amigos aqui. O original leva chantili, mas se se pedir sem o dito cujo, pode-se escolher mais uma bola de gelado... que foi de Ferrero Rocher (go figure...). 

O meu prazer? Fotografar, fotografar, fotografar...

... a trégua de São Pedro...


... a pesca...


... o sol em chamas a apagar-se nas águas da marina...


... a beleza do antigo...


... o contraste...


Termina assim o relato das nossas férias. Nos poucos dias de bom tempo que nos restaram, a máquina ficou em casa e limitámo-nos a aproveitar um pouco o sol e a água do mar, que estava bem quente. Foram umas belas férias, com três mil e quinhentos quilómetros de estrada percorridos, boa comida, boa dormida (salvo algumas excepções) e, sobretudo, com tempo para estarmos juntos, que é a melhor coisa do mundo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Grove ou a desculpa para uma bela mariscada

Dia 4. O céu continuava de um cinzento carregado e o calor que se fazia sentir no quarto de hotel fez-nos ir demasiadamente à fresca para a rua. Ficámos mesmo na zona do porto, onde barcos de pesca, de recreio e de passeio partilhavam um descanso mais ou menos merecido. 


A manhã, que ia já a meio, agitava-se com o movimento dos turistas que se preparavam para um passeio pela Ria de Arousa. As vendedoras de colares de coral e outras bugigangas aguardavam pacientemente por clientes e o avançado da hora calara já o bulício dos pescadores, cujo peixe e marisco esperava por ser vendido nos mercados ou cozinhado nos restaurantes.


O Grove e A Toxa (ou La Toja em castelhano) estão ligados por uma pequena ponte e, atravessada a dita, muda completamente o cenário: dos prédios com restaurantes e marisqueiras, hotéis e hostals, lojas de recuerdos e lojas chinesas passa-se para as urbanizações de veraneio perfeitamente ordenadas, às filas de vivendas luxuosas, aos relvados aparados, aos jardins cuidados; passa-se das vistas de cais, do ambiente de vila costeira para as da estância de veraneio de luxo. Passa-se das crianças de ar descontraído e chinelo no pé para as crianças impecavelmente vestidas à beira de água, a tentar brincar com as algas, mas impedidas de o fazer pelo olhar de uma mãe vigilante e preocupada com a eventual ruína dos sapatos ou dos vestidos ou dos casacos a condizer.


Então e a mariscada? Sim, porque foi ela que nos trouxe a O Grove. Ora cá está...


Tenho a dizer que foi o melhor e mais fresco marisco que já comi. Comemo-lo aqui, mas certamente terá uma qualidade semelhante ao das outras marisquerias que proliferam naquelas ruas. Absolutamente divinal.