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sábado, 10 de setembro de 2011

Vilarinho das Furnas ou a força dos elementos

Bem perto do Parque da Cerdeira está a Albufeira de Vilarinho, onde céu, pedra e água se juntam de forma harmoniosa. A barragem, construida no início dos anos setenta, implicou desalojar a pequena aldeia de Vilarinho das Furnas, que iria ficar submersa nas águas do rio Homem.  Hoje em dia, se o nível da água estiver suficientemente baixo, conseguimos ver as ruínas das antigas casas, que a água foi degradando, mas que ainda assim nos proporcionam um espectáculo digno de nota.   


A estrada para lá chegar daria uma bela caminhada, mas terá que ficar para quando a Cat for um pouco maior. Também é possível ir de carro e foi o que fizemos.


A Catarina adorou, especialmente porque numa das casas ainda é possível subir as escadas. Eu contei-lhe que quando era pequena e fui àquele mesmo sítio, pensei que as pessoas tivessem morrido dentro das casas, uma ideia que me atemorizou durante alguns anos. A minha filha riu-se e chamou-me tonta, mas ficou a matutar naquilo durante algum tempo e o assunto ainda veio à baila uma ou outra vez nos dias seguintes. Pela minha parte, fiquei contente pela limpidez do céu e pelo efeito espelho que a água estava a fazer. Consegui aqui algumas das fotografias de que mais gostei de entre as que fui tirando ao longo das férias.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Gerês ou o desafio da vida (quase) selvagem

Dia 6. Se na véspera haviamos chegado ao Gerês com sol e céu limpo, o nosso sexto dia de férias acordou cinzento, apontando a previsão para uma tarde e noite de chuva. Tal não seria especialmente relevante se não tivessemos trocado o conforto dos hotéis por uma tenda de dois por dois metros quadrados, num parque a seiscentos e quarenta metros de altura, com a temperatura a roçar os oito graus centígrados durante a noite. No dia seguinte, tivemos que mudar a tenda do sítio onde a montaramos na véspera, já que aquele era propenso a inundações, e vimo-nos forçados a ir comprar roupa e sacos-cama quentes. Afinal, ninguém espera uma temperatura dessas em pleno mês de Agosto. A partir das seis da tarde, começou a chover. Torrencialmente. Para primeira noite de campismo da Catarina, foi uma experiência ambígua. Boa porque é excitante adormecer ao som da chuva, a pensar se a tenda aguentará ou não, má porque não é nada agradável andar em campo, ir à casa de banho, lavar a loiça com tudo molhado... bem, o que é certo é que ponderámos seriamente vir embora no dia seguinte, caso o tempo não melhorasse. Teria sido uma pena, porque queriamos mesmo que a Cat experimentasse passar uns dias a viver sem os confortos a que está habituada. 

Felizmente, o tempo deu-nos uma trégua no nosso sétimo dia de férias. Pudemos finalmente explorar o parque e sair para passear.


Se ignorarmos os campistas que levam a casa atrás (sim, vimos tendas com televisão, edredões com folhos, cafeteiras eléctricas e outras preciosidades do género), assassinando completamente a lógica inerente a acampar, o parque é muito bonito, bem integrado na natureza circundante, limpo, organizado, um bom quartel-general para explorar o Gerês.


No dia em que chegámos, fomos para Campos do Gerês pelo caminho mais difícil: a estrada da Fraga Negra. Apesar de alcatroada, a Fraga é muito estreita e no dia em que chegámos e por ela subimos fiquei quase enlouquecida com vertigens. Mas o bicho da fotografia é mais forte e, assim que saí de lá fiquei a pensar nas belas fotografias que conseguiria tirar naquele caminho, se me enchesse de coragem e conseguisse afastar o medo irracional das alturas. Assim, mal o tempo melhorou, voltámos à estrada e, é claro, não me arrependi nem um bocadinho... para além de que, parece-me, se olhar pela lente da máquina, perco as vertigens. Como o post já vai longo, vou deixar as imagens falarem por si, sem muitas mais delongas.

Descendo as rias ou o adeus a Espanha

Dia 5. O tempo parecia finalmente estar a melhorar, o que significava que era hora de voltar a Portugal e ir para o nosso destino principal: o Gerês. Voltámos então pela costa, onde já se voltava a ver gente nas praias e, até, alguns banhistas corajosos. 


Fomos descendo, deixando a Ria de Arousa para trás e entrando pela de Pontevedra. A fome começava a apertar na barriga mais pequenina e lembrámo-nos de tentar encontrar alguma esplanada à beira de água, o que se revelou uma tarefa bastante difícil. Parámos em Aldán, depois de termos visto o que parecia um pequeno snack-bar à beira da estrada e a seta para um restaurante num pequeno cais. O restaurante parecia óptimo, mas a nenhum dos dois apetecia um grande almoço e a Cat jamais comeria um prato daqueles sozinha. Fomos então espreitar o snack-bar, pelo qual não se dava nada por fora mas que, para além de uma maravilhosa esplanada à beira de água, servia as melhores e mais baratas tapas que alguma vez comi em Espanha. Uma verdadeira revelação.


Faltava apenas a Ria de Vigo para fechar o périplo pelas quatro Rias Bajas. Vigo é uma zona industrial e a diferença para as outras rias é notória, não só pela paisagem costeira, como pelas imensas plataformas de 'criação' de mexilhão que dominam as águas.


A nossa última paragem em terras espanholas foi no Monte Ferro, onde se têm uma bela vista da ria de Vigo e do Atlântico. A densa vegetação dificulta um pouco a tarefa de tirar fotografias que façam justiça à beleza do local. O melhor que se conseguiu foi isto...


E seguimos assim para o Gerês, onde passariamos os quatro dias seguintes. Esse relato fica para o próximo post...

Noia, o mar e as rias ou a visita falhada a Santiago

Saindo de O Grove, seguimos para Norte. A ideia era visitar Santiago de Compostela e descer a costa de regresso ao nosso quartel-general. Parámos em Cambados para almoçar umas tapas apenas razoáveis que nos custaram apenas um pouco menos que a mariscada da véspera, o que é ridículo. A cidade é engraçada, com as típicas construções em pedra desta zona de Espanha, mas nada que seja digno de nota. 


Seguimos então rumo a Santiago. Já lá não ia há uns bons vinte anos e na minha memória era uma cidadezinha minúscula. Se não tivesse decidido deixar o modo control freak bem longe destas férias, teria levado um mapa da cidade e pesquisado um pouco sobre o assunto, o que me levaria a perceber a dimensão da coisa. Como não o fiz, andámos às voltas sem conseguir estacionar e sem encontrar a catedral. Decidimos então seguir directo para a costa e deixar esta visita para outra altura, com mais tempo e mais planeamento. Fomos assim até Noia, para espreitar as vistas da Ria de Muros e Noya. 


A cidade não tem nada de especial, aparte de um passadiço ribeirinho que se revelou um óptimo motivo para um passeio de final de tarde. A vista sobre a ria, dominada pelas gaivotas, com o casario ao fundo, o sol a bater na água e um ou outro pescador (de mexilhão?) ocasional revelaram-me das paisagens mais belas que vi neste périplo por terras espanholas.  


De Noia, seguimos para Sul, continuando pela costa. As imagens da ria vão-se intercalando com as do mar, em paisagens tão parecidas e, ao mesmo tempo, tão diferentes que tornam o passeio algo encantador.


Regressados por fim a O Grove, houve ainda tempo para andar na montanha-russa, uma estreia para a Cat (em jeito de preparação para a surpresa do início de Outubro) e, para nós, um reviver da montanha-russa infantil da feira popular, onde senti pela primeira vez o frio na barriga de uma descida quase a pique, a uma velocidade quase vertiginosa. Ou pelo menos assim me pareceu. Depois deste regresso à infância (e recordando-me amargamente da última vez que havia posto os pés numa bem mais a sério), confesso que as montanhas-russas infantis são bem mais do meu agrado...   


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Grove ou a desculpa para uma bela mariscada

Dia 4. O céu continuava de um cinzento carregado e o calor que se fazia sentir no quarto de hotel fez-nos ir demasiadamente à fresca para a rua. Ficámos mesmo na zona do porto, onde barcos de pesca, de recreio e de passeio partilhavam um descanso mais ou menos merecido. 


A manhã, que ia já a meio, agitava-se com o movimento dos turistas que se preparavam para um passeio pela Ria de Arousa. As vendedoras de colares de coral e outras bugigangas aguardavam pacientemente por clientes e o avançado da hora calara já o bulício dos pescadores, cujo peixe e marisco esperava por ser vendido nos mercados ou cozinhado nos restaurantes.


O Grove e A Toxa (ou La Toja em castelhano) estão ligados por uma pequena ponte e, atravessada a dita, muda completamente o cenário: dos prédios com restaurantes e marisqueiras, hotéis e hostals, lojas de recuerdos e lojas chinesas passa-se para as urbanizações de veraneio perfeitamente ordenadas, às filas de vivendas luxuosas, aos relvados aparados, aos jardins cuidados; passa-se das vistas de cais, do ambiente de vila costeira para as da estância de veraneio de luxo. Passa-se das crianças de ar descontraído e chinelo no pé para as crianças impecavelmente vestidas à beira de água, a tentar brincar com as algas, mas impedidas de o fazer pelo olhar de uma mãe vigilante e preocupada com a eventual ruína dos sapatos ou dos vestidos ou dos casacos a condizer.


Então e a mariscada? Sim, porque foi ela que nos trouxe a O Grove. Ora cá está...


Tenho a dizer que foi o melhor e mais fresco marisco que já comi. Comemo-lo aqui, mas certamente terá uma qualidade semelhante ao das outras marisquerias que proliferam naquelas ruas. Absolutamente divinal.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Monte de Santa Trega ou o encanto das citânias

No cimo daquele pequeno monte que se vê da praia de Moledo está um castro onde, dizem as placas informativas, viveram no século primeiro antes de Cristo mais de três mil pessoas. É assim a Citânia de Santa Trega, com o seu emaranhado de casas minúsculas com um único quarto, duas delas reconstruídas para nos dar ideia do modo de vida daquelas gentes.


Mãe, estas pessoas já morreram? Porque é que as casas eram tão pequenas? Não entrava a chuva por estes telhados? Porquê? As casas só tinham uma janela? Porquê? Eles subiam isto tudo a pé? Porquê? Porquê? Porquê?


Digamos que, para ela, ver uma citânia foi uma revelação absoluta. Aliás, todas as férias o foram, com tantos sítios novos e diferentes para explorar. E, é claro, um sem número de muros para subir e descer, ruas labirínticas para percorrer e, melhor ainda, uma "caminhada" feita com sucesso e pouco cansaço, para mais tarde contar às amigas. 


A caminhada não foi mais do que subir uma espécie de via sacra em miniatura e uma escadaria com uns duzentos degraus para ir ver as vistas no cimo do monte. E que vistas, sobre o Rio Minho, sobre o mar e sobre terras portuguesas e espanholas.


Será um passeio a repetir, de preferência num dia mais soalheiro...


Seguimos viagem para norte, tomando a estrada costeira até Baiona. Não consegui resistir à paisagem do Cabo Silleiro, entre o Atlântico e a Ria de Vigo, com o novo farol em cima e o antigo em baixo. Simplesmente maravilhoso...


Fazia-se tarde. Com uma criança, há mais horários a respeitar, para além dos intermináveis já chegámos? que, afinal, são naturais após tantas horas de viagem. Assim, seguimos pelas desinteressantes autopistas e autovias, directamente até a O Grove, que foi a nossa base para a Galiza durante dois dias.