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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O colar da Margarida



A Margarida adora peças diferentes. E adora não colarezinhos, mas colares. Grandes, imponentes. Quando viu estes, pediu-me que lhe fizesse um parecido, mas mais curto e muito mais espesso. Tipo gola, dizia-me ela. E com um bom leque de cores outonais. 



A vantagem de fazermos algo por medida é que é simples fazermo-lo exactamente ao gosto da pessoa. Por isso, fomos à loja e ela escolheu os fios. Escolheu o leque de cores. Escolheu o tamanho do colar. No fundo, é o seu colar. Eu apenas decidi fazê-lo com cores um pouco mais vivas de um lado e mais discretas do outro. Adoro peças flexíveis e achei que iria ficar bem. 


Deu-me um gozo imenso fazê-lo. Foi trabalhoso, porque estamos a falar de cento e vinte fios, colados em grupos de dez. Só podia aplicar uma camada quando a anterior estivesse seca. Tive que garantir uma distribuição equilibrada dos fios de modo a fazer o efeito de cone, para a terminação ficar bem.


Mas foi um belo desafio. E, penso, a Margarida gostou do resultado.

sábado, 24 de agosto de 2013

O saco da Ema | Ema's baby bag


Quando a minha amiga Sofia viu o saco de bebé que fiz para o Tiago, avisou-me que se precisasse um dia iria pedir-me um igual. Entretanto, assim que me disse que estava grávida, há já uns meses, relembrou-me do seu pedido e eu, claro está, aceitei com todo o gosto. Assim que soube que seria uma menina, a Ema, escolheu este tecido lindíssimo, e outro de bolinhas para coordenar. 

When my friend Sofia saw the baby bag I made for my son Tiago, she warned she might ask me to make one for her in the future. Meanwhile, she got pregnant and reminded me of her request. It is always such a great pleasure to make things for friends! As soon as she found out that she was expecting a girl, she chose this amazing fabric, with a coordinating polka dot one for the inside and the details.  


Avisei-a que iria ficar imperfeito: fazer um saco destes é das coisas mais difíceis em costura e eu não tenho a prática, a técnica ou o jeito necessários para uma senda destas. Para além disso, guardei os padrões que desenhei na altura, mas não as instruções, por isso fui por memória e tentativa e erro. Mesmo assim, este ficou mais perfeito do que o do Tiago. Tomei muitas decisões que me facilitaram a vida, outras que ma dificultaram. Decidi também debruar a totalidade do saco, o que me deu uma trabalheira fenomenal, mas que valeu bem a pena. E fazer duas pequenas alças para pendurar no carrinho, uma melhoria importante em relação ao saco anterior.

I've warned her it wouldn't be perfect: this kind of bag is one of the most dificult things to sew and I don't have neither the practice, the tecnique nor even the skills to make something like this with store-bought perfection. Adding to that, I kept the patterns I'd designed before, but had never written the step-by-step instructions, so I made it by heart and by trial and error. Despite all, it ended up much more perfect than the previous one. I've made some decisions that were time and life savers, others that turned my work into a nightmare. I've also decided to bind it completely, which took me about one third of the time used for sewing the complete bag. However, the final result was well worthy of the additional effort. I've also made two small handles, to make it easier to attach it to the stroller, something that I miss in my own bag.   


Em suma, não me volto a meter numa destas sem dominar melhor algumas técnicas fundamentais, por isso os próximos projectos de costura terão que ser bem mais simples. No entanto, no fim de contas e apesar dos percalços, acho que ficou bem. A Sofia gostou e não se importou com as imperfeições e isso é o mais importante. Agora só falta nascer a pequena Ema para lhe dar uso.

Long story short, I will not make another complex bag without fully dominating some of the techniques I used here. However, and despite all the imperfections, I think that my friend was happy with the final result and that is what really matters. Now, we just have to wait for little Ema to make use of it.  

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Tarte de espinafres e queijo e um piquenique no parque


Chegámos ao ponto da história em que o mundo se tornou mais rápido do que nós. Em que mesmo que usássemos as vinte e quatro horas do nosso dia, não conseguiríamos fazer tudo, responder a tudo, cumprir tudo. Reconhecer essa realidade implica reconhecer que não somos capazes. Não é fácil. Eu dou-me por feliz por já o ter reconhecido há algum tempo. Sei que nunca verei todos os e-mails que todos os dias inundam as minhas várias contas. Sei que nunca lerei tudo o que existe para ler, que nunca ouvirei todas as opiniões nem que irei algum dia saber tudo sobre um assunto. Sei que nunca experimentarei todas as receitas ou que farei todos os projectos a que me proponho. Que não lerei todos os livros ou ouvirei todas as músicas. Sei-o e ainda bem pois também sei que enquanto não reconhecermos que somos simplesmente humanos, jamais seremos felizes. Porque estaremos sempre com o coração nas mãos, permanentemente preocupados, constantemente deprimidos. E deixaremos a vida passar, sempre a correr atrás de tudo e sem conseguir agarrar nada. 

Depois deste reconhecimento, chega-nos uma leveza extraordinária, a leveza que nos permite rir, relativizar, brincar mesmo (e sobretudo) com as coisas sérias. A leveza que nos dá a objectividade suficiente para fazermos o melhor com o que temos, com o que conseguimos gerir, com o que a nossa natureza humana nos permite suportar. A leveza que nos permite sair da roda viva em que a humanidade anda metida e que nos permite perceber que só sobreviveremos se abrandarmos. Se aproveitarmos o que a vida nos dá.

Neste espírito, fui esta semana fazer um piquenique à hora do almoço com alguns colegas de trabalho. Não demorámos muito mais do que o habitual, andámos a pé, apanhámos sol. Sentimos o cheiro da relva que estava a ser regada, sentados numa manta à sombra. Conversámos. Rimos. Divertimo-nos. Parámos. Estivemos uns com os outros. Comemos. Voltámos e, por mim falo, trabalhei bem melhor do que nos dias em que mal me levanto da secretária.


Foi bom. Muito bom. Espero que seja o primeiro de muitos. Obrigado a todos!


Tarte de espinafres e queijo
(ou o meu contributo para o piquenique)

Uma embalagem de massa quebrada fresca, já estendida
Um pacote de espinafres frescos
Dois pacotes de natas
Três ovos
Meio pacote de queijo mozzarella ralado (para pizza)
Sal, pimenta e noz moscada a gosto
Parmesão para polvilhar

Pré-aquecer o forno a cento e oitenta graus. Cozer os espinafres em água a ferver durante três minutos. Bater os ovos inteiros com as natas. Espremer muito bem os espinafres, cortar em pedaços e juntar à mistura de ovos e natas. Juntar o queijo. Temperar com sal, pimenta e noz moscada, provando sempre. Forrar com a massa uma tarteira ou forma de mola, deitar o recheio e ralar parmesão no momento, polvilhando-o sobre o recheio. Levar ao forno até estar bem dourada, durante cerca de trinta minutos. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Canela + Requeijão = Perfeição

Há fins-de-semana que nos transcendem, em que parece que tivemos um problema de agenda e que marcámos tudo o que havia para marcar numas meras quarenta e oito horas. O nosso fim-de-semana foi assim, com um almoço nos sogros, uma ida à biblioteca para a hora das histórias, um jantar em casa dos amigos, uma ida às compras com a minha mãe seguido de um almoço em nossa casa... no fundo, comer, beber, cozinhar, passear, comer, beber, beber, cozinhar, passear, cozinhar comer, conversar, beber, conversar, beber, conversar... 

Em cheio, tal como eu gosto!!!

Na sexta, planeava tirar um monte de fotografias para relatar as várias experiências culinárias e gastronómicas que se iriam suceder nos dias seguintes. Wishful thinking... é claro que mal tive tempo para me coçar, por isso o plano só se concretizou para a tarte de requeijão que fiz para levar à jantar em casa dos nossos amigos.... o frango com ervas e limão, as batatas gratinadas, a sopa de castanhas e cogumelos e o crumble de maçã terão que ficar para posts futuros.

Vamos à bela da tarte. Esta é uma receita que faço há anos e que foi herdada ou da minha mãe ou de uma amiga dela, não me lembro bem. É fácil, rápida e deliciosa.

Para a base, é necessário um pacote de bolacha Maria e cem gramas de manteiga. A maneira mais fácil é picar a bolacha com a manteiga (a minha picadora é pequena, por isso faço-o em duas vezes), uma vez que fica logo um bom areado que basta deitar na tarteira (forrada com papel vegetal) e calcar para dar a forma da base.


Depois vem o recheio. Um requeijão bem escorrido, que se esborracha com um garfo e ao qual se junta quatro colheres de sopa de açúcar e quatro gemas. Pode bater-se com a batedeira, mas como o requeijão deixa sempre alguns grumos eu prefiro usar a varinha mágica. 


Fica um creme liso e corredio ao qual se junta um pacote de natas, que se vai misturando muito bem. Por fim, canela, tanta quanto gostarem. Como eu gosto muito, pus cerca de duas colheres de sopa e bati até fazer espuma. Por fim, bate-se as claras em castelo com mais duas colheres de açúcar e quando estiverem merengadas, incorporam-se na massa do requeijão. 



O resultado deve ser um creme muito leve e fofo, que se verte sobre a base da bolacha. 


Vai ao forno a cento e oitenta graus, devendo tirar-se quando começar a dourar por cima, mas antes de secar completamente por dentro.


Fica óptima, com uma consistência suave e húmida, fragante, enchendo a casa com o seu cheiro a canela. Enfim, perfeita para comer no Outono.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pelos bons velhos tempos

Há amigos que ficam para sempre, com quem nos identificamos mesmo ao fim de muitos anos, mesmo com as voltas da vida, mesmo com encontros e desencontros. Há amigos com quem gostamos de partilhar planos futuros, histórias do presente e memórias do passado. Há amigos com quem temos pequenos rituais, uns que se perpetuam pelos anos, outros que de repente se perdem mas que, se procurarmos, estão lá à nossa espera para quando nos apetecer repeti-los, para quando algo nos trouxer à memória esses bons velhos tempos. 

Aquilo que se segue marcava uma parte dos pequenos rituais de férias com dois dos meus maiores e melhores amigos, que ao fim de tantos anos ainda me aturam. Como íamos estar juntos, decidi fazê-lo em nome dos bons velhos tempos. Não passava pela minha cozinha há quase doze anos. Tive que ler algumas receitas, fazer alguns ajustes, puxar pela memória e, por fim, lá saiu um belo bolo de bolacha, tal como dele me lembrava. 

Duzentas e cinquenta gramas de manteiga, ligeiramente amolecida, à qual se junta uma chávena de café e cento e cinquenta gramas de açúcar, transformado em pó na picadora para o creme não ter o efeito granulado. Três gemas, batidas com o resto até formar um creme fofo, que se torna ainda melhor quando se junta as claras em castelo. Castelo firme, como ditam os livros. Firme ao ponto de se virar a taça sem qualquer temor de as ver cair ao chão.


Um pacote e meio de bolacha Maria. Trezentas gramas, vai dar ao mesmo, embebidas uma a uma em café bem forte. Uma camada de bolachas, outra de creme.


Bolachas, creme, bolachas, creme...


E assim sucessivamente até esgotar as bolachas e deixando algum creme para a cobertura.


Poderia ter ficado apenas assim, mas torrei umas amêndoas laminadas para enfeitar e para dar um pouco de textura. 


Foi um twist, mas as receitas são por vezes como as grandes amizades: vão ficando mais ricas e elaboradas com o tempo.       

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O apelo da terra

Se há algo que ainda não consegui explicar é o fascínio que a terra exerce sobre mim. Há como que um chamamento, uma ligação muito forte, quase umbilical e, por isso, completamente estranha. Tanto quanto sei a minha família esteve sempre ligada à cidade ou ao mar, pelo menos nas duas gerações que me antecedem. Consigo explicar por isso a centralidade que o mar sempre teve na minha vida, a necessidade que sempre senti de o ver, de o escutar, o alvoroço que me traz o cheiro a maresia. Consigo explicar o meu interesse pela cidade, pela sua arquitectura, pela cultura, pela sua vida e pelas suas pessoas. No entanto, nos últimos anos, tem-se desenvolvido em mim um interesse cada vez maior pela terra, um interesse que se vai convertendo aos poucos numa necessidade, numa atracção quase obsessiva cuja razão é uma perfeita incógnita.

Esta atracção poderia justificar-se se desde pequena tivesse passado férias no campo ou numa quinta. Poderia justificar-se se fosse apenas o ar puro do campo, o sossego ou o cheiro intenso das árvores a determiná-la, aqueles que vou sentindo nas caminhadas ou nalgumas viagens a destinos mais rurais. Mas não. É o cheiro da terra, o seu calor, a sua aspereza. É o que sinto ao tocar-lhe, ao revolvê-la, ao senti-la nos meus dedos. É o aroma que dela emana quando chove, a vida que tem dentro dela, a vida que dela nasce. São as plantas e as flores, as árvores e os seus frutos que dela brotam. É a natureza, mesmo no seu estado selvagem.


Este fim-de-semana foi, por isso, completamente gratificante. Fomos convidados por uns amigos para ir à casa deles, que fica na Sobreira Formosa. Já lá não íamos há nove anos e eu estava convicta que era perto do Fundão. Não é. É perto de Proença-a-Nova. A memória prega-nos destas partidas...


Voltando aos amigos. Há uns doze anos decidiram deixar Lisboa e ir viver para o campo. Tinham um terreno, construiram uma casa e, aos poucos, foram-se entregando à terra. Há nove anos, tinham pouca coisa plantada; agora, com muito trabalho, muita pesquisa, sempre à procura do melhor método, têm uma série de cerejeiras e de oliveiras, algumas pereiras, ameixoeiras, medronheiros, videiras, romãnzeiras e uma horta em expansão. Dedicam-se à terra como se dedicam a todos os que conhecem: de coração aberto e dando tudo. São pessoas extraordinárias.

Chegámos no Sábado à hora do almoço. Esperava-nos um bucho delicioso e maranhos caseiros, divinais, a saber a hortelã. Demorámo-nos à mesa, perdidos nas conversas, e depois de almoço fomos dar uma volta para ver o que tinha mudado naqueles anos.


Estava muito calor. Muito mesmo. Tinhamos que esperar pelo final da tarde para ir apanhar as cerejas. A aragem que corria era fresca à sombra e ali estive, na espreguiçadeiras, a sentir o cheiro dos pinheiros das matas circundantes.


A Catarina estava deliciada: podia andar por todo o lado, sem restrições. Posso ir explorar, mãe? E por explorar entenda-se correr à vontade, apanhar flores, cheirar a relva, descobrir caminhos, encontrar esconderijos, enfim, todas aquelas coisas que não tem na cidade. Mas mais importante do que essa liberdade pouco habitual na cidade foi a primeira amizade real que fez com um animal: o Apolo, um brincalhão de sete meses que em pé consegue pôr as patas nos meus ombros e que se derrete com festas na barriga. E a Catarina, extasiada com as lambidelas que recebia em troca. Há menos de um ano, era impensável aproximar-se sequer de um cão. Ficava lívida, suava em bica, mas quando em Outubro conheceu um cão de trinta centímetros e cara de Gremlin achou que se calhar os cães - e animais em geral - não são necessariamente maus.


Quando o calor finalmente acalmou, pudemos ir apanhar cerejas. O nosso amigo também tem colmeias e as abelhas gostam de se alimentar nas flores das cerejeiras, como tal não usa nas árvores qualquer químico. Se usasse, poderia matar as abelhas. Essa ausência de químicos faz com que se possa comer as cerejas directamente das árvores. Nos livros que lia em miúda havia sempre personagens a apanhar barrigadas de cerejas e confesso que tinha inveja por nunca ter apanhado uma dessas dores de barriga. Consegui a proeza de apanhar a barrigada de cerejas sem a dor de barriga associada. E a Catarina, quando ler esses mesmos livros, irá lembrar-se da sensação de comer esses frutos que ela própria apanhou. É que havia uma cerejeira mais pequena, só para ela. Esta é só para mim!, dizia, enquanto se debatia com os ramos para arrancar as cerejas ainda com os pés.



Ainda antes de o sol se pôr, deu para ir dar milho às galinhas e apanhar morangos para o jantar. O orgulho de encher um cesto com morangos fragantes dificilmente foi contido.


Não sei se quando crescer, a Catarina virá a sentir o apelo da terra. Ou do mar. Ou até mesmo da cidade. Mas pelo menos poderá lembrar-se deste dia em que se orgulhou por ter apanhado algo que iria comer a seguir. No que me toca, senti-me em casa.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Brigadeiros que significam "Obrigado!"

Há exactamente um ano mudei de emprego. Trabalhei no mesmo sítio e com as mesmas pessoas durante sete anos e meio e mudar foi um processo muito mais difícil do que alguma vez pude antecipar. Já tinha mudado antes de emprego mas nunca tinha trabalhado num sítio durante tanto tempo nem criado laços tão fortes. Tomar a decisão de mudar foi talvez a parte mais difícil. Dizê-lo aos que ficaram também me custou muito, sobretudo à minha equipa. As saudades que senti, em particular nos primeiros tempos, foram também muito complicadas de superar. Mas o que mexeu mais comigo foi, já no novo emprego, perceber aquilo que eu não sabia fazer, perceber as minhas limitações e ter que ultrapassá-las. Quando trabalhamos num sítio durante tanto tempo e a desempenhar as mesmas funções, há processos que se cristalizam e, de algum modo, perdemos alguma capacidade de adaptação. Ter que sair dessa zona de conforto, ter medo de não estar à altura é algo que abala profundamente as nossas fundações. Por isso, se eu disser que os primeiros meses foram fáceis estou a mentir. Não foram nada fáceis.

Mas, passado um ano, posso dizer que consegui. Adaptei-me bem, conquistei o meu lugar, trouxe o meu cunho pessoal à forma como fazemos o nosso trabalho e, acima de tudo, aprendi muitas coisas novas. Espero ter ensinado outras. Mas há outra parte fundamental: neste ano fiz novos amigos. Um mau ambiente de trabalho é algo não consigo tolerar. Preciso de me sentir bem com os que me rodeiam para ser produtiva e tenho a convicção de que um ambiente de cooperação traz muito mais benefícios do que um ambiente de competição selvagem, seja no trabalho, seja na generalidade das situações da vida. Por isso, não me consigo imaginar a passar oito ou nove horas do meu dia, cinco dias por semana, num ambiente hostil. O que tenho - aliás, o que tive nos últimos onze anos em quase todos os sítios onde trabalhei - é um emprego onde me sinto bem com os meus colegas, onde posso debater ideias, onde sinto que posso confiar nas pessoas. Não será assim com todos, mas é assim com a grande maioria.

Foram pequenas coisas que fizeram toda a diferença. Os sorrisos simpáticos nos primeiros dias; o cuidado para que não almoçasse sozinha demasiadas vezes; as perguntas sobre se estava a gostar; o interesse revelado em conhecer-me um pouco melhor; a disponibilidade em ajudar-me... enfim, fizeram-me sentir em casa. Talvez seja estranho para muitos o conceito de "sentir-se em casa" no local de trabalho. Eu acho que é algo de fundamental. 

Posto isto, digo sem qualquer sombra de dúvida que tenho muita sorte. Sorte por gostar do que faço; sorte por estar sempre a aprender, por poder aplicar todos os dias o conhecimento que tenho vindo a adquirir ao logo dos anos na universidade e na minha vida profissional; sorte por estar rodeada por pessoas impecáveis que me ajudaram a ultrapassar as dificuldades do último ano, que me ensinaram muito e que tão bem me acolheram. Pessoas que me ajudaram a pertencer.  A melhor forma de agradecer é tentar retribuir na mesma moeda. É isso que procuro fazer no meu dia-a-dia, da melhor forma que sei. Por isso, exclusivamente com esse propósito, fiz ontem uns brigadeiros para sinalizar o dia de hoje. Uns brigadeiros que querem dizer "Obrigado". Um obrigado sincero.


Já não os fazia há algum tempo, mas a receita é extremamente fácil e rápida, mesmo boa para um dia de semana. É só cozinhar em lume brando uma lata de leite condensado, cinquenta gramas de chocolate e vinte e cinco gramas de manteiga, mexer sempre até engrossar, deixar arrefecer, pôr no frigorífico durante algum tempo. A parte mais trabalhosa é moldar as bolinhas, mas experimentei fazê-lo com duas colheres e funcionou às mil maravilhas. E acho que eles gostaram. Assim espero, pelo menos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Trabalho Para Casa

Há cerca de um mês, eu e a Mafalda fizemos um curso de iniciação à costura na Retrosaria, conforme se pode comprovar aqui e aqui. A Rosa deu-nos um TPC, à boa maneira dos mestres-escola, mas com Natal, Ano Novo e afins, só hoje conseguimos juntar-nos e pôr mãos à obra.

No início, ficámos a olhar para o linho e os pedaços de galão, sem nos lembrarmos muito bem das palavras proferidas no final daquela gloriosa manhã de Sábado. Mas... duas cabeças pensam sempre melhor do que uma e rapidamente reconstituimos as instruções.

Só que o bicho mais temido estava ali à nossa espera...


De manual em punho, lá conseguimos enrolar a linha nos carretos, fazê-la passar pelos sítios certos (o que, acreditem, é qualquer coisa...), puxar o fio de baixo com a agulha e, até, desmontar umas peças da máquina quando este teimou em enrolar-se...

Treinámos um pouco num retalho e, mesmo sem grande confiança, lá nos arriscámos a coser o galão, o que foi sem dúvida a parte mais difícil da peça.


A partir daí foi mais simples. Apesar de termos tido que coser e descoser algumas vezes, lá chegámos a bom porto, sempre sob o olhar atento da Catarina, entretida a fazer bolas com os restos das linhas e a espetar agulhas na almofada dos alfinetes...


Depois de virado do direito, um processo que também tem o que se lhe diga, enchemos os saquinhos com alfazema. Ficaram assim...


e assim...



Acho que da parafernália de coisas que gosto de fazer, esta é a que me dá mais orgulho: quando começo, apetece-me sempre desistir; quando chego ao fim, fico surpreendida com o resultado e feliz por o não ter feito. Mas, melhor do que tudo, é estar a fazê-lo em grande companhia...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Coser...

Há cinco anos atrás a minha mãe deu-me uma máquina de costura. Sendo que não consigo encontrar maior escape do que usar as minhas mãos e imaginação para criar, adorei a prenda. Nessa altura estava grávida e confinada ao nosso 4º andar sem elevador e tentei fazer uma peça para a alcofa da Catarina. Nunca me ensinaram a coser à máquina e fui tentando através do manual perceber como poderia fazê-lo. O resultado foi absolutamente desastroso: uma costura torta e completamente cheia de "cabelo", isto é, um emaranhado de fios no avesso da peça que tem um aspecto ainda pior do que se possa imaginar pela descrição. Com esta experiência aprendi duas coisas: nunca passar para grandes projectos sem concretizar alguns menores e nunca subestimar a complexidade de uma máquina de costura. Fui com a peça para a frente como sabia e fiz tudo à mão, guardando a máquina na caixa e pensando pedir uma aula a alguém minimamente entendido na arte antes de voltar a tentar. Só que, como era previsível, a Catarina nasceu, mudámos de casa, a máquina foi para a arrecadação e lá foi ficando... O inevitável remorso de ter algo a que não dou uso lá me assolava uma vez por ano, sempre naquele dia (há um todos os anos, é verdade) em que acordo e não vejo melhor uso para o meu tempo do que limpar e arrumar aqueles oito metros quadrados de caos ordenado. Mas era um remorso pouco persistente, que passava no preciso momento em que apagava a luz da arrecadação e voltava para cima. No entanto, há mais ou menos um ano e meio, trouxe-a para casa. Ficou guardada (desta vez fora da caixa) e sem uso à mesma, mas permitiu-me mentalizar-me de que teria definitivamente que aprender a usá-la. Perto da vista, perto do coração...

Foi aí também que comecei a visitar diariamente o site da Rosa Pomar, A Ervilha Cor de Rosa, e a ficar fascinada pelo quanto de tão belo se pode fazer com tecidos. Apesar de já existir em linha há mais tempo, a Retrosaria ganhou contornos físicos praticamente na mesma altura em que eu descobri o blogue da Rosa. Algum tempo depois, começaram os workshops, nomeadamente um de Iniciação à Costura. Tentei inscrever-me nos primeiros, mas a procura é enorme e estavam a sair quase como pãezinhos quentes... até que finalmente consegui há cerca de um mês. Melhor ainda, inscrevi-me com a minha grande amiga que há tantos anos me acompanha nestes entusiasmos criativos (e em tantos outros devaneios). E assim... foi hoje que finalmente aprendi a domar a famigerada máquina...

Éramos seis, todas com um ar assustado a olhar para aqueles bichos complicados. Apresentámo-nos, falámos um pouco sobre as nossas experiências com trabalhos manuais e ficou assim aberta aquela sessão de quatro horas, que pura e simplemente voaram como sempre voa o tempo quando estamos embrenhados em algo. A Rosa mostrou-nos as funções básicas da máquina, explicou-nos um pouco o processo e deu-nos para as mãos um retalho de ganga para treinarmos os pontos. Consegui enlear os fios todos logo à primeira e aprendi a desmontar uma parte da máquina e tudo... à segunda, voltei a repetir a proeza do "cabelo" e percebi finalmente o que tinha feito mal cinco anos antes... e assim, aos poucos, fomos todas testando os pontos e ficando mais confiantes, passando depois ao chuleado (que impede o tecido de desfiar) e, finalmente, aos retalhos que iriamos usar para fazer uma pequena almofada para os alfinetes.




Aprendemos a uni-los, a cosê-los, a "pensar pelo avesso", a enchê-los com lã verdadeira (que cheira mesmo a ovelha) e fizemos isto...


Foi uma manhã mesmo bem passada, num sítio lindo e com tantos estímulos à criatividade... gostei muito e vou definitivamente continuar a coser à máquina.