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sábado, 28 de maio de 2011

Best jam ever...

Eu adoro cozinhar e acho que o faço bem, mas por qualquer razão sabe-me sempre melhor comer aquilo que não foi feito por mim. Desconfio que o efeito loiça e cozinha sujas e o facto de ter que as limpar (que é provavelmente uma das coisas que mais detesto fazer) sejam responsáveis por este sentimento. No entanto, fiz esta semana a melhor compota que comi na vida. E eu já comi variadíssimas compotas, industriais, semi-industriais e caseiras, de todos e mais alguns sabores. Para além disso, até esta semana, a minha compota preferida era a de framboesas. Já não é. Passou a ser a de cerejas. Não consigo explicar: está doce, mas não demasiado, fica aveludada na boca, deixa um sabor persistente a cereja... enfim, está divinal. E passo a gabarolice, mas desta vez é impossível evitar...

Não costumo ter grande paciência para fazer compotas. No entanto, sobraram-me as cerejas que tinha guardado para a minha mãe e para a minha avó e a quem não as consegui entregar. Estavam a amadurecer a um ritmo alucinante e, obviamente, não podia deixar que se estragassem. Como tal, na segunda-feira, passei o serão a descaroçar cerejas. Duas horas em pé, de faca na mão, com sumo vermelho a escorrer-me pelos dedos, numa cena que não ficaria nada mal no genérico do Dexter (que eu acho brilhante, aliás...).


É claro que a coisa deu para o tarde e, então, fiz algo que nunca tinha feito e que provavelmente fez toda a diferença no sabor final. Deixei-as cortadas, dentro do tacho, a macerar em açúcar amarelo, canela e cravinho.


E ali ficaram até ao dia seguinte, quase vinte e quatro horas dentro do frigorífico, até finalmente serem levadas ao lume para fazer o doce. Quando abri o tacho, já estavam com uma calda espessa e deliciosa e foi nessa calda que cozinharam durante mais de duas horas. Só lhe acrescentei sumo de limão, que ajuda no processo de conservação. Depois enchi alguns frascos que tinha guardado (sim, sou incapaz de deitar fora frascos de vidro, há sempre algum uso cá em casa para lhes dar), que esterilizei previamente numa panela com água a ferver. Escorri-os ligeiramente e enchi-os ainda quentes. Em tempos tinha lido algures que o processo de conservação beneficia se os frascos, depois de fechados, forem introduzidos em água a ferver entre dez e quinze minutos, numa panela que deverá ser deixada ao lume durante esse processo. Experimentei, é claro, e o resultado é que o frasco cria vácuo e as tampas ficam completamente vedadas. Como é que se vê? Carrega-se no centro da tampa e, se não for para baixo, significa que o processo correu bem. Ah, depois de os tirar do lume, devem ficar virados de cabeça para baixo durante cinco minutos.


No caso das minhas compotas qualquer ajuda adicional no processo de conservação é fundamental porque eu não cumpro de modo algum a regra do 'quilo de açúcar por cada quilo de fruta', que é um dos truques para fazer compotas. Aliás, eu prefiro reduzir o açúcar a metade, não acrescentar água e deixar cozinhar um pouco mais para garantir o necessário ponto de estrada. As compotas aguentam um pouco menos tempo - entre um e dois anos - mas não ficam enjoativas e ganham claramente em sabor.


Agora já há uns frasquinhos para distribuir pelos apreciadores. Afinal parece que a minha mãe e a minha avó sempre vão provar as cerejas...

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