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domingo, 1 de março de 2015

O prazer das coisas simples numa torta de cenoura



Adoro os desafios do Dia um ... na cozinha porque me levam mais longe. Tento sempre inovar, inventar, experimentar. Mas, sendo o tema do desafio de Março dedicado às tortas, aproveitei para colmatar uma grande falha deste blog: ainda não tinha aqui publicado a torta de cenoura da mãe do André que é, provavelmente, um dos mais maravilhosos doces que conheço. Já tinha usado a receita aqui, ligeiramente adaptada, mas nunca lhe tinha dado o devido destaque.  


A lista de ingredientes é pequena e só demora um pouco mais porque é  necessário cozer as cenouras, caso contrário seria preparada em 5 minutos. Enrolada quente, não parte nem um pouco, mas é um processo que se torna mais fácil a quatro mãos, pois deve ficar bem apertada. Não foi o caso da minha porque não tinha ajuda por perto.


O resultado? É densa, mas leve ao mesmo tempo, muito húmida e um daqueles doces que não apetece parar de comer.


*****

Torta de cenoura
Receita da sogrinha

500 gramas de cenouras descascadas, pesadas em cru
400 gramas de açúcar amarelo
5 ovos
Raspa de uma laranja
90 gramas de farinha
Açúcar branco

Cozer as cenouras em água. Pré-aquecer o forno a 180º. Escorrer bem e reduzir a puré com a varinha mágica. Bater as gemas com o açúcar amarelo até ficarem muito fofas e juntar o puré de cenoura, batendo bem. Juntar a raspa de laranja e a farinha, tornando a bater. Juntar as claras batidas em castelo muito firme. Forrar um tabuleiro de 25x40 cm com papel vegetal, deitar a massa e levar ao forno durante cerca de 20 minutos (ao espetar um palito, este deve sair seco, mas não é conveniente deixar a torta no forno durante muito tempo, caso contrário irá secar). 
Cobrir um pano de cozinha com uma camada fina de açúcar branco. Virar a torta ainda quente sobre o pano, retirar o papel vegetal e cobrir também com uma camada fina de açúcar. Com a ajuda do pano, enrolar a torta, deixando-a o mais apertada possível. Servir fria.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Uma tarte de limão extra-cremosa


Uma das coisas para que mais falta me faz ter tempo livre é fotografar. Em qualquer referência sobre fotografia, a luz natural e a repetição exaustiva das fotos sob vários ângulos são sempre apontadas como cruciais. Ultimamente, quase só consigo fotografar à noite ou, na melhor das hipóteses, tenho dois minutos ao final da tarde no fim-de-semana, rapidamente interrompidos por um pedido de colo ou de ajuda nos T.P.C. (as crianças deviam ter sempre entre quatro e seis anos, é uma idade tão boa e tão fácil...). Ultimamente não consigo tirar uma fotografia de que goste. Não tenho tempo para criar um ambiente, a luz é invariavelmente péssima, não consigo ver em tempo útil como ficou o resultado e as fotos saem-me sempre uma porcaria. Quase nem tenho vontade de colocar o que vou fazendo aqui no blog. Mas há que optar e eu escolho manter o blog, mesmo com más fotografias.


Todo este relambório para dizer que uma receita tão deliciosa como a que se segue, cortesia do Dorie às Sextas, merecia fotografias em condições. Foi o que se arranjou e não se fala mais disso.

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The most extraordinary french lemon cream tart
Baking, Dorie Greenspan

1 chávena de açúcar
Raspa de 3 limões
4 ovos grandes
3/4 chávena de sumo de limão (4-5 limões)
300 gramas de manteiga sem sal, cortada em pedaços do tamanho de colheres de sopa
1 base de Spiced Tart Dough, já cozinhada e arrefecida

Preparar um termómetro para doces, um passador de rede e um liquidificador (ou processador de alimentos). Pôr uma panela ao lume com alguns centímetros de água, deixando fervinhar.

Numa taça à prova de calor que possa ser colocada em cima da panela, juntar o açúcar com a raspa de limão. Ainda fora do calor, esfregar o açúcar com a raspa até este estar húmido, granuloso e bastante aromático. Adicionar os ovos, batendo bem, e depois o sumo de limão. Colocar a taça em cima da panela que está em lume brando e começar a bater com uma vara de arames assim que a mistura estiver tépida ao toque. Cozinhar o creme de limão até o termómetro marcar 82ºC, nunca parando de bater senão o creme transforma-se em ovos mexidos. À medida que se bate, o creme vai ficando leve e espumoso; as bolhas vao começar a ficar maiores e, quando estiver a atingir os 82ºC, a mistura estará grossa e a varade arames estará já a "deixar rasto" no creme, o que significa que o creme vai estar quase pronto. Todo o processo deve levar cerca de 10 minutos.

Quando atingir os 82ºC (ou quando tiver a textura acima descrita, caso não se tenha termómetro), retirar o creme do lume e coá-lo no passador para dentro do liquidificador ou do processador de alimentos. Deitar fora a raspa de limão que ficará no passador. Mexendo ocasionalmente, deixar o creme arrefecer até aos 60ºC, o que deve levar cerca de 10 minutos. Ligar o liquidificador na velocidade alta (ou ligar o processador) e juntar a manteiga, 5 pedaços de cada vez, raspando ocasionalmente os lados do recipiente. Quando toda a manteiga estiver incorporada, manter a máquina ligada durante cerca de 3 minutos, de mdo a que o creme fique leve e cheio de ar. Se a máquina ficar muito quente, azer pequenas pausas a cada minuto.

Deitar o creme num recipiente hermético (ou vedar com película) e refrigerar durante pelo menos 4 horas ou de um dia para o outro (a mistura aguenta 4 dias no frigorífico ou 2 meses no congelador, devendo ser descongelada dentro do frigorífico).

Para montar a tarte, bater ligeiramente o creme com a vara de arames e deitá-lo às colheradas na base da tarte. Servir ou refrigerar até ser necessário.

Spiced Tart Dough

1 chávena de amêndoas ou avelãs ou nozes raladas
1 chávena de farinha
1 colher de sopa de cacau em pó
1 colher de chá de canela moída
1/4 colher de chá de sal
1 pitada de cravinhos moídos
1 gema grande
1 colheres de sopa de água
90 gramas de manteiga sem sal àtemperatura ambiente
6 colheres de sopa de açúcar

Untar com manteiga uma tarteira de 23 cm, com fundo amovível (fiz metade da receita e usei uma tarteira retangular).
Misturar as amêndoas com a farinha, o cacau, a canela, o sal e os cravinhos. Com um garfo, misturar numa tigela a gema de ovo e a água. Numa batedeira de pé, bater bem a manteiga e o açúcar até ficarem suaves, cerca de 3 minutos, raspando a taça sempre que necessário. Juntar a mistura de ovo e água e bater por mais um minuto. Reduzir a velocidade e juntar os ingredientes secos, misturando os apenas até desaparecerem na massa, que não deve ficar trabalhada em demasia. Se sobrarem na taça restos mais secos de massa, misturá-los à mão ou com uma espátula.
Colocar a massa entre duas folhas de pelicula aderente ou papel vegetal, pressionando com as mãos até ficar achatada. Estender com o rolo até ficar com cerca de 28 cm de diâmetro, tendo o cuidado de ir virando frequentemente a massa. Remover a folha superior do papel vegetal ou da película e virá-la cuidadosamente sobre a tarteira, pressionando-a levemente sobre a base e os lados. Se se partir, voltar a juntar a massa e pressionar levemente com os dedos. Refrigerar a massa, coberta com película, durante pelo menos duas horas. 

Pré-aquecer o forno a 190ºC. Remover a película e cortar o excesso de massa com uma faca afiada. Untar a parte brilhante de umafolha de alumínio, cobrir a massa com a parte brilhante da folha para baixo, cobrir com feijões e levar ao forno durante 20 minutos. Remover a folha de alumínio e levar ao forno durante mais 8 ou 10 minutos, ou até estar dourada, seca e firme. Deixar arrefecer à temperatura ambiente.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Marmelade que é mais doce de laranja...



O convidado a quinzena do Quinze dias com... é James Martin. Nesta senda por chefes, vou-me cruzando com uns que nunca ouvi falar. Foi o caso. Seleccionei e fiz duas receitas, mas uma não vou publicar porque não me convenceu. E não convenceu o André, o que é algo que faz soar sirenes pois um não gostei muito não é algo que costume sair daquela boca no que a comida toca, entenda-se.

A minha segunda experiência foi algo que, apesar de não apreciar por ser amargo, já andava para fazer há algum tempo O André adora e é algo que trago obrigatoriamente sempre que vou a Londres: marmelade.


É evidente que o produto que se usa afecta inevitavelmente o resultado final e é quase impossível fazer uma marmelade amarga quando se usa laranjas do Algarve em pleno mês de Fevereiro. Não que me rale, porque finalmente consegui comer um doce de laranja de que gostei realmente.


Reduzi um pouco o açúcar da receita original e cortei o vidrado da laranja com um descascador porque assim minimiza-se a quantidade de pele branca. De resto, segui as instruções e gostei bastate do resultado.

*****

Marmelade
James Martin, original aqui

600 gramas de laranjas
Sumo de 1 limão
1,4 litros de água
800 gramas de açúcar

Descascar as laranjas com um descascador. Raspar qualquer vestígio de casca branca e cortar em juliana fina. Reservar. Retirar toda a casca branca das laranjas e triturar os gomos com a varinha mágica. Coar com um passador de redepara dentro de um taço. Levar ao lume com a água e as casquinhas e deixar ferver até o líquid ficar reduzido a metade e as cascas muito bem cozidas. Juntar o açúcar, deixar dissolver bem e ferver até ficar em geleia (o que se vê colocando uma colher do doce num prato e deixando arrefecer no frigorífico). Colocar em frascos esterilizados e guardar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Convidei para jantar... o Eddie Vedder


O Convidei para Jantar está de volta e temos que convidar o nosso Ailaviu, que segundo a Ana, criadora e anfitriã deste desafio, define como "paixões assolapadas, paixonites agudas, amor de morrer…". 

Sim, o Eddie Vedder é o meu Ailaviu. É e desconfio que sempre será, falando de ailavius impossíveis, claro está. É meu ailaviu desde o décimo ano, decorria o remoto ano de 1992. Apanhou-me o coração num início de tarde de Outubro (ou talvez Novembro) quando um daqueles programas de telediscos pedidos passou o Jeremy, o primeiro hit dos Pearl Jam. Eu, que andava perdida e indecisa entre o Bryan Adams e os Guns n'Roses, tive uma revelação e soube que no que de música se tratava andava cega, surda e louca. Ajudou, é claro, ser também paixão do meu primeiro ailaviu de carne e osso, que partilhava comigo os headphones do seu walkman para ouvirmos o Ten no autocarro e nos intervalos das aulas (este ailaviu, de sua feita, foi um amor quase platónico por um grande amigo ao lado de quem me sentava num bom punhado de aulas, com quem ia para a escola no autocarro -num período de tempo em que vivemos em casa da minha avó, no seguimento de umas obras intermináveis em nossa casa -, com quem desfiava rolos de conversa durante horas a fio e que, obviamente, apenas me tomava como grande amiga. Ah, e que me ofereceu uma cassete onde gravou o Ten, algo que me marcou para sempre).



O Eddie era (muito, muito, muito) giro e tinha a voz rouca, era surfista, vestia-se como gente normal e fazia canções que me abriam a alma, conversavam com ela e ajudavam-na a ultrapassar os seus problemas de adolescente que odiava adolescentes. E, como bónus, tinha uma banda fantástica, mas isso era secundário (só mais tarde é que comecei realmente a prestar atenção ao resto dos elementos, confesso)!




Eu fui crescendo e o Eddie também, sempre juntos. Sentia orgulho genuíno por me ter assolapado por ele e não pelo Kurt (Cobain), cujo trágico fim se conhece. É sempre bom preferirmos os persistentes. Os activistas. Os que se mantêm fiéis a si mesmos. E ano após ano, álbum após álbum, esta paixão foi amadurecendo, sem nunca se extinguir. Hoje, com trinta e sete anos, posso dizer que ainda oiço Pearl Jam quase todos os dias e que há pouca coisa que me deixe mais empolgada do que um concerto do Eddie ou dos PJ. Ou um CD novo. Ou uma música que alguém publica algures, mesmo que a tenha ouvido já centenas de vezes.





Leva-nos isto ao meu verdadeiro ailaviu, que atura todos estes devaneios há quase quinze anos. Aquele que vai comigo aos concertos e que me vê histérica por causa de outro e ainda assim adora e diverte-se a olhar para as minhas figuras. Aquele que ouve os CDs comigo (apesar dos protestos "no do cavaquinho"), que me atura os suspiros e que se pudesse, me apresentava o Eddie só para eu poder cumprir um dos meus sonhos e falar com ele nem que fosse por quinze minutos.



Isto porque convido para jantar o Eddie Vedder, mas cozinho-lhe um dos pratos que leva o André às lágrimas: uma empada de carne de vaca e cerveja preta, daquelas que se comem nos pubs escoceses e britânicos e que acredito que iria também levar o Eddie a cantar o Black só para mim. 




Ah, e como o Eddie é rapaz com bom gosto, comprei-nos uma garrafinha de Cartuxa para acompanhar esta empada (um vinho que ele bebe recorrentemente nos concertos em Portugal e que eu gostava de beber com maior frequência).




Eddie, anda daí rapaz, não te vais arrepender!


*****


Empada de vaca e cerveja preta

Recheio inspirado nesta receita do Jamie Oliver
Massa feita com esta receita do Gordon Ramsey

Para o recheio

Duas colheres de sopa de manteiga
Uma noz de manteiga sem sal
Três cebolas roxas, sem pele e cortadas finamente
Três hastes de alecrim fresco, removendo as folhas e picando-as finamente
Três hastes de tomilho fresco, removendo as folhas
Três folhas de louro fresco
Um quilo de carne para estufar, cortada em cubos
Quinhentas gramas de cogumelos Paris, limpos e fatiados
Duas colheres de sopa de puré de tomate
Sal marinho
Pimenta preta moída no momento
Três colheres de sopa de vinagre balsâmico
Três decilitros de cerveja preta
Três colheres de sopa rasas de farinha
Sete decilitros e meio de caldo de carne quente

Para a massa

1 2/3 chávenas de farinha
1 colher de chá de sal fino
6 colheres de sopa de manteiga sem sal muito fria, cortada em cubos
4-6 colheres de sopa de água gelada

Colocar um tacho grande ao lume com duas colheres de sopa de azeite e a manteiga, juntando as cebolas e as ervas. Cozinhar durante 20 minutos ou até as cebolas ficarem douradas e macias, mexendo ocasionalmente. Juntar os cubos de carne e deixar caramelizar, adicionar os cogumelos, o puré de tomate e temperar com sal e pimenta. Juntar o vinagre, a cerveja, a farinha e o caldo e deixar ferver. Baixar o lume para o mínimo, tapar e deixar cozinhar durante uma hora e vinte, rectificando frequentemente os temperos. A carne vai ficar muito tenra e o molho vai reduzir e ficar espesso. Fica melhor de um dia para o outro.

Para a massa, misturar numa taça a farinha com o sal. Juntar a manteiga e misturar rapidamente com os dedos, esfregando a manteiga e a farinha até formar uma areia gossa. Deitar aos poucos a água e amassar até formar uma bola, não trabalhando demasiado a massa. Envolver em película e levar ao frio durante pelo menos 30 minutos.

Pré-aquecer o forno a 190ºC. Dividir a massa num rácio um terço-dois terços e forrar um pirex redondo com papel vegetal. Estender com o rolo numa superfície enfarinhada a porção maior da massa e cobrir o pirex, ajeitando cuidadosamente os lados e a base da massa. Rechear com a carne, reservando um pouco do molho para servir. Esticar a restante massa e cobrir, vedando bem os lados e fazendo um corte em cruz no centro da tampa para sair o vapor. Pincelar com uma mistura de uma gema diluída num pouco de leite e levar a forno até a massa estar dourada e totalmente cozinhada. 

Servir com puré de batata e regar com o molho que se reservou.



sábado, 14 de fevereiro de 2015

Quase-folhados de framboesa


A Catarina tem que escrever uma receita para levar para a escola, para o livro de receitas da turma. Pode também confeccioná-la, se quiser. Calhou-lhe um doce. E já me disse: mãe, vou fazer aqueles triângulos que fizeste na outra semana. São tão bons que era capaz de comê-los todos sem parar...


Eu não diria melhor. A massa é leve, folha ligeiramente, é saborosa, aromática e muito, muito fácil de fazer. Recheei-os com doce de framboesa, pois é o meu favorito. Pode ser com qualquer doce, desde que seja relativamente espesso.


Tem que se vedar bem a massa e não colocar muito recheio, porque babam um bocado no forno. Eu desculpei-lhes já que são realmente magníficos.

Mais uma receitinha da Dorie Greenspan para o Dorie às Sextas


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Cottage Cheese Pufflets

Rende 48 bolachas de 5 cm

225 gramas de manteiga sem sal à temperatura ambiente
2 colheres de sopa de açúcar
1/4 colher de chá de sal
225 gramas de requeijão
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 2/3 chávenas de farinha
1/4 de chávena de doce ou compota espessa à escolha

Açúcar em pó para polvilhar

Colocar a manteiga,o açúcar e o sal num processador de alimentos (como não tenho, usei a varinha mágica e funcionou às mil maravilhas), processando por 2 minutos até a manteiga estar em creme e raspando de vez em quando os lados do recipiente. Juntar o requeijão e a baunilha e processar durante mais 2 minutos (ainda com a varinha, no meu caso). A mistura ficará aveludada, como queijo creme batido. Juntar a farinha e pulsar até esta estar apenas incorporada (aqui já fiz À mão). Deitar a mistura num pedaço de película aderente. Moldar a massa num retângulo, espalmá-la um pouco, cobrir completamente e refrigerá-la durante 3 horas ou até 3 dias (poderá também ser congelada durante 2 meses e descongelada no frigorífico).

Centrar uma grade no forno e pré-aquecê-lo a 205ºC. Forrar 2 tabuleiros com tapetes de silicone ou papel vegetal. Cortar a massa ao meio e estendê-la entre folhas de papel vegetal ou numa superfície enfarinhada até  uma espessura de 3 milímetros. Como vai ser cortada em quadrados, é melhor estender a massa num formato quadrado ou retangular. Se em algum momento a massa ficar muito mole, levá-la ao frigorífico para endurecer. Cortar a massa em quadrados com entre 4 e 6 cm de lado. Colocar um pouco de compota no centro de um quadrado e, com um dedo molhado, humedecer os extremos da massa. Dobrar a massa de modo a formar um triângulo, fechando bem o doce e vedando bem os lado. Repetir para todos os quadrados, colocá-los nos tabuleiros com um espaço de 1 cm entre eles e fazer um pequeno furo no centro de cada para sair o vapor (também podem ser congelados nesta fase, devendo ir directamente ao forno sem descongelar). Cozer entre 10 e 12 minutos (1tabuleiro de cada vez) ou até estarem inchados, firmes e bem dourados.  Polvilhar com açúcar em pó e deixar arrefecer.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Frango assado com manteiga de tomate e manjericão



A segunda receita do Curtis Stone, convidado do Quinze dias com... é um frango temperado com manteiga de tomate e manjericão. Uma receita simples, mas muito saborosa!


O frango é "recheado"com alguns legumes - cenouras, aipo, alho, cebola -, o que lhe dá um sabor fantástico!!!



Mais uma forma de fazer frango, com um twist delicioso e interessante.

*****

Frango assado com manteiga de tomate e manjericão

Para a manteiga de tomate e manjericão
4 tomates-chucha, cortados em quartos
4 ramos grandes de tomilho
3 dentes de alho cortados grosseiramente
2 colheres de sopa de azeite
Sal e pimenta preta moída no momento
1/4 de chávena de manjericão, cortado grosseiramente
120 gramas de manteiga sem sal à temperatura ambiente

Frango
1 frango médio
3 cenouras cortadas grosseiramente
3 talos de aipo, cortados grosseiramente
1 cebola cortada em oitavos
1 cabeça de alho, cortada ao meio na horizontal
Sal e pimenta preta moída no momento
1/2 chávena de caldo de galinha

Pré-aquecer o forno a 190ºC. Numa taça, misturar os tomates com o tomilho, o alho, o azeite, o sal e a pimenta. Levar ao forno num tabuleiro durante uma hora, ou até os tomates estarem dourados. Tirar do forno, deixar arrefecer e deitar fora os ramos de tomilho. Num proceessador de alimentos, reduzir o tomate e o alho a puré. Juntar o manjericão, mexer bem e reservar metade da mistura. Juntar a outra metade à manteiga e bater bem até ficar homogéneo.

Com os dedos e com muito cuidado para não rasgar, descolar a pele do frango e encher os espaços entre a pele e a carne com parte da manteiga de tomate. Barrar a cavidade do frango com alguma manteiga e encher com os legumes e o alho, prendendo as pernas com um fio. Cobrir a pele com a restante manteiga, colocar o frango num tabuleiro sobre os restantes vegetais. Temperar com sal e pimenta e levar ao forno durante cerca de 1 hora e 20 minutos. Quando estiver assado, deixar repousar numa tábua durante 15 minutos.

Tirar os vegetais para uma taça e levar o molho ao lume com o caldo, retirando o máximo possível de gordura. Deixar ferver e rectificar os temperos. Servir numa molheira com os vegetais e o resto do puré detomate assado com manjericão .

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Salada César com ovo a (e de) babar



De volta aos desafios do Quinze dias com... É ridículo não participar no meu próprio grupo, mas não vou voltar a queixar-me do mau momento que ando a passar, por isso o que importa é estar a vir à superfície a pouco e pouco.


O convidado da quinzena é o Curtis Stone, um rapaz que para além de bom cozinheiro dá para lavar devidamente a vista. Na primeira de duas receitas que fiz trago uma salada césar com ovo escalfado. Adoro salada césar e esta ficou bem interessante, com um waffer de parmesão e um belo ovo a babar.


Optei por deixar a alface inteira e não usei manteiga nos croutons. De resto, fui bastante fiel à receita original. Ficou deliciosa.

*****

Salada César com Ovo Escalfado
Curtis Stone, original aqui

Quantidades para duas pessoas

Meia chávena de parmesão, ralado no momento num ralador com aberturas grandes
Presunto em fatias finas
Uma baguete pequena, sem côdea e cortada em cubos
Azeite
Folhas interiores de uma alface grande
Dois ovos
1/4 de chávena de vinagre
Pimenta

Para o molho

Um dente de alho sem pele
Dois filetes de anchova
1/4 de chávena de sumo de limão espremido no momento
1 gema de ovo
1/3 de chávena de parmesão ralado finamente
1 colher de sopa de mostarda de Dijon
1/2 chávena de azeite
1/4 de chávena de óleo
1 colher de sopa de água (opcional)

Pré-aquecer o forno a 190ºC. Num tabuleiro forrado com papel vegetal ou com um tapete de silicone, dispor o parmesão ralado grosseiramente em dois círculos, de modo a formar waffers finas. Colocar, ligeiramente afastadas, as fatias de presunto. Levar ao forno durante dez minutos, até o presunto estar estaladiço e as waffers douradas. Deixar arrefecer e reservar.

Cortar a baguete em cubos. Levar uma frigideira ao lume com azeite e envolver bem o pão, deixando fritar ligeiramente. Temperar com pimenta (prefiro não pôr sal, já que o prato é bastante salgado) e levar ao forno até ficarem dourados, virando de vez em quando para não queimar. Retirar do forno e reservar.

Levar ao lume uma panela com água e o vinagre e deixar ferver. Pode juntar-se uma pitada de sal, mas eu prefiro simples pois o prato já é salgado.

Preparar o molho. No copo da varinha-mágica, juntar o alho, os filetes, o sumo de limão, a gema de ovo, o parmesão e a mostarda e triturar. Aos poucos, juntar o azeite e o óleo e emulsionar até ficar um creme espesso. Se necessário, juntar um pouco de água e mexer bem para ficar mais leve. Reservar.

Partir cuidadosamente o ovo para uma taça. Com uma vara de arames, mexer a água e o vinagre que estão ao lume de modo a fazer um remoínho. deitar o ovo no centro do remoínhoe deixar cozer durante cerca de 3 minutos. Retirar comuma escumadeira e escorrer sobre papel de cozinha. Repetir para o outro ovo.

Montar a salada. Colocar as folhas de alface, inteiras ou partidas em pedaços, no fundo de um prato. Espalhar bem parte do molho por cima delas. Espalhar os croutons, colocar a waffer de queijo e os pedaços de presunto sobre a alface e o ovo sobre a waffer. Deliciar-se.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Caril de grão e batata doce


Tenho-me recomposto a pouco e pouco. Já me sinto mais organizada e com mais vontade de voltar as minhas tarefas habituais. Mesmo em cima da hora, consegui até preparar uma receita vegetariana para o Dia Um... na Cozinha, onde já não participo há algum tempo.


Sou fã absoluta de caril de batata-doce. O André acha pouco substancial mas eu adoro-o. E é essa proposta que trago. Pimentos, feijão-verde, grão, batata-doce, tomate e uma pasta de especiarias feita por mim. Como não gosto de picante, o meu caril é leve e suave. O André preferiria um Madras, mas eu dificilmente conseguiria prová-lo para rectificar temperos por isso faço aquilo que é do meu agrado.  


Apesar de ter usado pó de caril, usei mais alguns ingredientes na preparação da pasta: coentros frescos, folha de louro fresca, cardamomo, pimenta, colorau, canela, sementes de mostarda, limão em conserva, raspa de lima, gengibre em pó, cominhos, cravinho, alho e aipo fresco. E fiquei muito feliz com o resultado. Na realidade, o caril não passa de uma mistura de condimentos que, após ser frita em óleo, liberta um aroma e um sabor absolutamente brilhantes.


Acompanhei o caril com a minha primeira tentativa de naan e tenho a dizer que ficou magnífico. 



 *****

Caril de grão e batata-doce

Duas batatas-doces, uma grande e uma média, cortadas em cubos com cerca de 2 centímetros de lado
Um pimento vermelho em cubos pequenos
Meio pimento verde em cubos pequenos
Um tomate em cubos
Oito vagens de feijão-verde em tiras finas
Uma cebola pequena, picada finamente
200 gramas de grão pesado em seco, demolhado e cozido ou um frasco de 400 gramas
Óleo de sabor neutro ou azeite suficiente para cobrir o fundo de um tacho médio
Quatro decilitros de leite de coco
Dois decilitros de caldo de legumes
Sal

Para a pasta de caril

Um molho pequeno de coentros
Uma folha de louro fresca partida em pedaços pequenos e sem o veio central
Um gomo de limão em conserva
Meio pé de aipo cortado em pedaços pequenos
Quatro dentes de alho
Raspa de uma lima
Meia colher de chá de canela
Meia colher de chá e gengibre em pó
Duas colheres de sopa de pó de caril
Meia colher de chá de colorau
Meia colher de chá de sementes de mostarda
Meia colher de chá de pimeta moída no momento
Meia colher de chá de cominhos
Três cápsulas de cardamomo, usando apenas as sementes
Um cravinho
Sal

Cortar e preparar todos os legumes conforme indicado. Reservar. Num almofariz, juntar todos os ingredientes e esmagar muito bem até obter uma pasta homogénea.

Fritar a pasta no óleo para libertar os aromas. Juntar a cebola e deixar refogar ligeiramente. Juntar mais gordura se necessário. Deitar a batata-doce, envolver bem e juntar os restantes legumes. Deixar cozinhar durante 5 minutos. Juntar o caldo e deixar cozinhar por mais cinco minutos. Juntar o leite de coco, envolver bem, baixar o lume e deixar engrossar em lume brando, provando frequentemente e rectificando o sal. Servir bem quente. Feito de um dia para o outro fica ainda melhor!!!






sábado, 24 de janeiro de 2015

Brownie de chocolate com bolacha de pepitas


Voltei! Foi um mês complicado, física, psicologicamente e em termos de trabalho. Tive mesmo que estar um pouco afastada, mas agora vou retomar as minhas coisas e espero que com toda a força. Desta vez consegui participar no desafio do Dorie às Sextas com uns brownies cobertos de bolacha com pepitas de chocolate. Uma tentação, não?


Nunca tinha feito brownies e, enquanto primeira experiência, correram bastante bem. Ficaram bem molhados na base, mas um pouco altos demais porque fiz metade da receita, mas não tinha uma forma exactamente com metade da capacidade. A cobertura de bolacha ficou leve e estaladiça e liga muito bem com o brownie. A receita usa dois tipos de chocolate, mas eu usei somente o de 70% de sólidos de cacau. De resto, não fiz alterações.


Mais uma receita de sucesso da nossa Dorie. 




*****


Chipster-topped brownies 
"Baking", Dorie Greenspan
Faz 24 brownies

Para a camada de brownie

170 gramas de chocolate preto (bittersweet), cortado grosseiramente
85 gramas de chocolate amargo (unsweetened), cortado grosseiramente
225 gramas de manteiga sem sal, cortada em pedaços
1 2/3 chávenas de açúcar
4 ovos grandes
1/2 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de extrato de baunilha
1 chávena de farinha
1 chávena de nozes, cortadas grosseiramente

Para a camada de bolacha

1 1/4 chávenas de farinha
1/2 colher de chá de bicarbonato e sódio
1/2 colher de chá de sal
170 gramas de manteiga sem sal, à temperatura ambiente
3/4 de chávena rasa de açúcar amarelo
2/3 de chávena de açúcar branco
1 ovo grande
1 gema de ovo grande
1 colher de chá de extrato de baunilha
170 gramas de chocolate preto, cortado em pedacinhos ou 1 chávena de chips de chocolate

Centrar uma grade no forno e pré-aquecê-lo a 175ºC. Untar com manteiga uma forma retangular de 23x33 cm, forrá-la com papel vegetal e untar o papel.

Para o brownie

Juntar numa taça os dois chocolates e a manteiga e levar a banho-maria sobre um tacho com água a fervinhar. Mexendo ocasionalmente, aquecer apenas até os ingredientes estarem derretidos, brilhantes e suaves, tendo cuidado para a manteiga não se separar (o que pode acontecer se fcar demasiado quente). Retirar a taça do calor.
Com uma batedeira em velocidade média-alta, bater os ovos com o açúcar até ficarem pálidos, grossos e cremosos. Juntar o sal e a baunilha. Reduzir a velocidade para o mínimo e misturar o chocolate e a manteiga, batendo apenas até ficar incorporado. Raspar a massa dos lados da taça e, ainda na velocidade mínima, adicionar a farinha, batendo apenas até a farinha desaparecer.Com uma espátula de borracha, envolver as nozes e deitar a massa na forma. Reservar.

Para a massa de bolacha

Misturar a farinha,o bicarbonato e o sal. Bater a manteiga e os açúcares em velocidade média-alta até ficar suave e cremoso, durante 3 minutos. Juntar primeiro o ovo inteiro e depois a gema, batendo durante 1 minuto entre cada adição. Juntar a baunilha. Reduzir a velocidade e adicionar os ingredientes secos, batendo apenas até desaparecerem. Ainda em baixa velocidade, misturar o chocolate cortado. Deitar colheradas da massa de bolacha sobre a massa de brownie e, usando a espátula, espalhar a massa com suavidade.

Cozer durante 50-55 minutos ou até a bolacha estar bem dourada e firme. Uma faca inserida até à massa de brownie deverá sair apenas ligeiramente húmida. Retirar do forno e deixar arrefecer à temperatura ambiente. Quando estiver completamente frio, passar uma faca fina pelos lados da massa, desenformar e voltar a virar sobre uma tábua de cortar, ficando a bolacha para cima. Cortar em retângulos de 2,5 x 5 cm e servir simples, com gelado, com natas batidas, com crème fraîche ou com molho de chocolate.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Wellington vegetariano


 
2014 não foi o meu ano. Não posso dizer que tenha sido um mau ano: tivemos saúde, trabalho, amor. Não houve um daqueles momentos marcantes no mau sentido. Mas não posso dizer que tenha sido um grande ano. Estive (estou) cansada, muito cansada. Entrei num novo período de insónias severas que ainda estou a tratar e que esgotou a maior parte da minha energia. Foi um ano difícil no trabalho. A Catarina passou por uma fase complicadíssima e o Tiaguinho exige a minha presença constante. Pela primeira vez na vida, não me entusiasmei com o meu aniversário. Nem com o Natal. Comprei todos os presentes, o que é algo que odeio fazer. Não fiz nada cá em casa. Mal cozinhei. Enfim, nem me reconheço. Espero voltar a recuperar a minha energia porque, sinceramente, não sei viver assim.


Para a quinzena do Quinze dias com..., dedicada ao Natal, escolhi várias receitas. Mas, pelo que escrevi em cima, fiz duas e apenas vou conseguir partilhar uma. Não vale a pena chorar pelo que não aconteceu, por isso aqui fica o que se conseguiu: um Wellington vegetariano. Delicioso, como tudo o que sai das mãos do Jamie Oliver. Não foi feito especificamente para a mesa de Natal mas poderia ter sido. Tem o requinte necessário para tal. 


Recomendo, é trabalhoso mas maravilhoso.

*****

Wellington vegetariano
Jamie Oliver, original aqui

1 abóbora butternut, cortada ao meio e limpa de pevides
Azeite
1 malagueta seca, esfarelada (não usei)
1/2 colher de chá  de canela
1 colher de sopa de sementes de coentros
1 pé de alecrim fresco, folhas escolhidas e picadas
2 cebolas roxas, cortadas em fatias finas
Sal marinho
Pimenta moída no momento
1 molho de salva fresca, folhas escolhidas
100 gramas de castanhas descascadas e picadas grosseiramente
2 fatias de pão
3 dentes de alho
1 limão
20 gramas de manteiga
250 gramas de cogumelos, finamente fatiados
200 gramas de espinafres lavados
50 gramas de pinões
25 gramas de sultanas
500 gramas de massa folhada
1 ovo
Leite

Pré-aquecer o forno a 200ºC. Cortar a abóbora ao comprimento em fatias grossas, colocá-las num tabuleiro, deitando por cima um bom fio de azeite, a malagueta e a canela. Num almofariz, esmagar as sementes de coentro, juntar o alecrim, um pouco de sal e esmagar mais um pouco para libertar os aromas. Deitar sobre a abóbora e espalhar bem até os pedaços estarem bem cobertos. A pele deve estar para baixo e deve cobrir-se com papel de alumínio, levando ao forno por cerca de 45 minutos, ou até estar macia. Deixar arrefecer e cortar em pedaços pequenos (eu excluí a casca).
Entretanto, aquecer um tacho, deitar um pouco de azeite e as cebolas. Temperar com sal e pimenta, mexendo até estarem macias e alouradas. Juntar a salva e as castanhas e cozinhar por mais uns minutos. Torrar o pão e esfregá-lo bem com um dente de alho. Cortar em pedaços pequenos e juntar à mistura das cebolas e castanhas. Misturar bem, rectificar temperos e juntar a raspa do limão.

Numa frigideira, deixar derreter a manteiga e fritar os cogumelos com um dente de alho cortado até ficarem macios e secos. Espremer um pouco e sumo de limão e reduzir a puré numa picadora,

Escaldar os espinafres em água a ferver com sal. Escorrer bem e espremer para eliminar o excesso de água. Fatira o outro dente de alho e fritar em azeite numa frigideira. Juntar os pinhões, as sultanas e os espinafres, salteando bem. Temperar com sal e pimenta.

Esticar a massa folhada num rectângulo de 30x40 cm. Barrar bem com a mistura de cogumelos. Misturar numa taça a abóbora, a mistura de espinafres e a mistura de cebola e com uma colher fazer uma linha grossa no meio, deixando espaço de cada ladopara poder enrolar a massa. Cada metade deverá ser dobrada para o centro, devendo sobrepor-se. 

Bater o ovo com um pouco de leite e pincelar a dobra para selar. Dobrar as extremidades e selar também. Virar o Wellington com a dobra para baixo e pincelá-lo generosamente com a mistura de ovo. Levar ao forno durante 45 minutos, até a massa folhar e ficar dourada. Servir em fatias grossas.

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