O desafio da quinzena das
Dories é um pão de passas em espiral, perfeito para ser o primeiro pão caseiro ao fim de mais de um ano sem me meter nessas andanças. Adoro fazer pão, comê-lo ainda quente, a fumegar, mas no último ano pura e simplesmente não usei a máquina. Um crime, aliás, porque se há coisa que eu detesto é ter em casa coisas a que não dou uso, sobretudo quando são trambolhos do tamanho de uma máquina de fazer pão. Espero que seja este suficientemente inspirador para voltarmos a ter pão caseiro com frequência.
Decidi também usar pela primeira vez fermento fresco. Até agora usava apenas fermento seco, mas já estava para dar o salto há algum tempo e esta pareceu-me uma boa oportunidade. Então ontem lá comecei a fazer o pão. Sim, comecei, porque com tanta coisa em que o Tiaguinho podia puxar a mim logo tinha que ser o não gostar de dormir durante o dia. Então digamos que este pão foi feito ao longo de quase vinte e quatro horas e a massa foi posta a levedar três vezes... contingências de ter um bebé...
Mas vamos ao que interessa. O primeiro passo foi dissolver o fermento. Depois de algumas pesquisas concluí que poderia replicar o processo descrito na receita original, apesar de este ser para fermento seco. Depois pus os ingredientes na máquina do pão e deixei-a tratar do resto no programa para massas, que apenas amassa e leveda.
Resultado: a massa cresceu imenso, mas ficou demasiado mole, pelo que tive que passá-la para uma tigela, acrescentar alguma farinha, amassar o resto à mão e deixar levedar novamente. Com tudo isto já não consegui fazer o pão ontem, por isso lá ficou a massa quietinha no frigorífico até hoje de manhã. Estiquei-a, cobri-a com a manteiga e o recheio de passas - que enriqueci com pedaços de chocolate - e lá tentei enrolar o pão bem apertadinho. Uff...
A minha forma de bolo inglês é bastante pequena e depois de ver o quanto esta massa cresce durante a levedura, decidi dividi-la e fazer também uns mini-pães numas forminhas de madalenas que comprei em tempos. Não ficaram com uma espiral perfeita, mas o sabor acaba por ser bem mais intenso.
E assim ficou concluído mais um desafio. Gostei muito da mistura das passas com o cacau, o chocolate e a canela mas para a próxima não vou barrar o topo dos pães com manteiga. Talvez a substitua por ovo ou por um doce qualquer. Mas o que é certo é que este pão semi-doce vai muito bem com um belo café bem forte.

************
Raisin swirl bread, "Baking with
Dorie" de Dorie Greenspan
Para a massa:
§ 20 gramas de fermento fresco (ou 2 colheres de chá de seco)
§ 50 gramas de açúcar branco
§ 300 mililitros de leite morno
§ 50 gramas de manteiga à temperatura ambiente, partida em pedaços
§ 3/4 de colher de chá de sal
§ 1 ovo grande ligeiramente batido
§ 1/4 colher chá de extracto de baunilha ou raspa de meia laranja ou uma pitada
de noz moscada (usei noz moscada)
§ 470 gramas de farinha de trigo (usei cerca de 550 gramas)
Para o recheio:
§
1 colher de sopa de açúcar
§
2 colheres de chá de canela
§
2 colheres de chá de cacau
§ Meia medida (cup) de passas
§ Meia medida (cup) de chocolate amargo em pedaços
pequenos
§
50 gramas de manteiga amolecida
Como fazer:
Pôr o fermento
numa tigela pequena, acrescentar uma pitada de açúcar e 60 mililitros de leite
morno, deixar repousar durante 3 minutos e mexer bem. Na máquina de pão,
colocar os ingredientes pela ordem descrita e seleccionar um programa para
massa. Se, em alternativa, se fizer com batedeira, misturar o restante leite, a
manteiga e o açúcar, adicionar o sal, o ovo e a baunilha/raspa/noz moscada,
batendo bem. Incorporar bem a farinha, batendo sempre até que a massa esteja
lisa e brilhante. Colocar a massa numa tigela untada, que se põe num local
morno durante hora e meia de modo a dobrar de tamanho. Vai ficar uma massa mole
em qualquer dos processos, pelo que deverá ir ao congelador durante trinta
minutos, envolta em película aderente. A minha ficou no frigorífico durante a
noite.
Untar com
manteiga uma forma de pão ou de bolo inglês. Numa tigela, misturar o açúcar, a
canela, o cacau, as passas e o chocolate. Pôr a massa numa superfície grande, levemente
polvilhada de farinha, e estendê-la num rectângulo de 30 por 45 centímetros.
Barrar a massa com 2/3 da manteiga e polvilhar com a mistura do açúcar e das
passas. Começando por um dos lados mais curtos, enrolar o pão de modo a ficar
bem apertado. Encaixar o rolo na forma untada, com a costura para baixo.
Cobrir a forma
com papel vegetal untado com manteiga e colocar num local morno, deixando
levedar até que cresça ligeiramente acima do limite da forma, aproximadamente
durante 45 minutos. Quando a massa estiver quase pronta, pré-aquecer o forno a
190ºC, derreter o restante terço de manteiga e pincelar o topo do pão. Colocar
a forma sobre o tabuleiro e cozer durante 20 minutos. Cobrir com papel de
alumínio e assar durante mais 25 minutos, até que o pão esteja dourado e o
fundo soe oco. Transferir a forma para uma grade e deixar arrefecer 5 minutos.
Desenformar e deixar arrefecer antes de servir (é claro que não liguei a isto e comi logo
um dos pãezinhos ainda a ferver).