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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Adeus 2012

Foi um ano em cheio. Antes de entrar de licença, trabalhei, trabalhei, trabalhei, o que nos dias que correm é uma bênção. E brilhei no que fiz. Orientei uma tese e fiz parte do juri na sua defesa. Participei num projecto de cidadania e senti-me útil. 

Passámos a ser quatro cá em casa. A partir daí, fui mãe a tempo inteiro. A minha filha soube o que é ter férias grandes fora da escola, algo que em seis anos nunca tinha acontecido. Acompanhei de perto a sua entrada para o primeiro ano. Fui buscá-la à hora do toque. Fui levá-la à natação. Brinquei. Ensinei-a a estudar. Estive lá. Sempre.


Vi o Tiago crescer, crescer, crescer como ele só. Amamentei-o tantas vezes quanto o seu apetite voraz pediu, tal como ainda acontece. E dei-lhe a primeira papa, a primeira sopa, a primeira carne, a primeira fruta. Estimulei-o, estimulei-o, estimulei-o. Acalmei-o. E vi-o dormir. E chorar. E acalmei-o novamente. Ou não. Vi o amor entre irmãos nascer e ficar forte de dia para dia. Brinquei com ambos, tanto quanto consegui. E descansei a cabeça, apesar de o corpo acusar mais de cinco meses de sonos interrompidos. 


Aproveitei o que pude o tempo livre antes do Tiago nascer. Fiz o curso de fotografia que tanto ambicionava... 


... passeei o máximo que a barriga enorme me permitiu...


... entrei nos desafios do Dorie às Sextas e, com eles, passei a partilhar a paixão pela comida. Cozinhei e experimentei como se não houvesse amanhã, mesmo depois do Tiago nascer. 


Voltei a fazer tricô, algo em que não pegava há tantos anos... 


... costurei, costurei, costurei... e fiz metade das prendas de Natal que oferecemos este ano. 


Pintei os quartos da casa e mudei os móveis de sítio. Arrumei, organizei, reorganizei, refiz...


E escrevi. Bastante.



Acima de tudo, vi este blog crescer, graças a vocês, que me estimulam com as vossas visitas e os vossos comentários. 2012 foi um grande ano para nós. Espero que, mesmo com as dificuldades que se adivinham, 2013 seja igualmente feliz. E desejo sinceramente que essa felicidade chegue também a todos vós. Até para o ano e obrigado por aqui virem e por todo o carinho!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Bolo de (e para o) Natal


Depois de receber isto, não consegui parar de pensar no All-in-one Holiday Bundt Cake, que teve por isso que marcar presença no nosso Natal. Mais uma vez, a Dorie a fazer das suas...


... e não me deixou ficar mal. A minha forma de cano é das lisas, por isso resolvi arriscar fazê-lo numa forma de pudim para ficar mais bonito. Untei-a meticulosamente para não haver hipótese de pegar. Deixei também o bolo arrefecer bem antes de o tirar da forma, tenho tendência para partir bolos por desenformá-los demasiado quentes. Como qualquer bolo festivo que se preze, esta delícia leva muitos ingredientes que por si só são já um regalo para os olhos: maçã, abóbora, arandos, nozes, canela, gengibre, noz-moscada... tudo para garantir uma explosão de sabores na nossa boca.  


A única alteração que fiz à receita original foi substituir nozes pecans (diz-se pecãs em português de Portugal?) por nozes comuns. Ficou lindo e é delicioso, perfeito para a mesa de Natal.



*****

All-in-one Holiday Bundt Cake, "Baking", Dorie Greenspan

Duas chávenas (cups) de farinha
Duas colheres e meia de chá de fermento
Duas colheres de chá de canela em pó
Um quarto de colher de chá de noz-moscada moída
Uma colher de chá de gengibre em pó (ou 1,5 colheres de gengibre fresco ralado)
Uma pitada de sal
150 gramas de manteiga
Uma chávena de açúcar branco
Meia chávena de açúcar mascavado
Dois ovos grandes
Uma colher de chá de extracto de baunilha
Uma chávena e um quarto de puré de abóbora
Uma maçã em juliana fina
Uma chávena de arandos vermelhos (cranberries). Não encontrei frescos, por isso usei secos
Uma chávena de nozes

Açúcar em pó para servir.

Pré-aquecer o forno a 175 graus. Misturar numa tigela a farinha, o fermento, a canela, a noz moscada, o gengibre (só se for em pó) e o sal. Juntar os arandos em pedaços e as nozes picadas grosseiramente e mexer bem. Noutra tigela, bater a manteiga com os açúcares, juntar os ovos e a baunilha e misturar bem. Juntar o puré de abóbora (e o gengibre, se for do fresco) e a maçã e envolver. Juntar os secos e bater até estarem bem incorporados. Deitar numa forma de cone bem untada com manteiga polvilhada com farinha e cozer durante cerca de 60 minutos. Deixar arrefecer, desenformar e polvilhar com açúcar em pó antes de servir.

sábado, 29 de dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Segunda vida - avental para jardinar


Desde que me conheço, lembro-me do meu tio sempre metido nalgum projecto. Jamais esquecerei a pequena "oficina" no vão das escadas da sua casa antiga, onde um dia me deslumbrou com um brinquedo feito de caricas que eu tinha apanhado horas antes num café.  Recordo-me de quando se dedicou de corpo e alma à apicultura, de quando comprou uma ambulância VW antiga, da paixão pela astronomia e, a minha favorita, da sua pancada da mota, que me fez adorar andar à pendura e ter o sonho de um dia ter uma para mim. O mais recente é a hidroponia, que o tornou num agricultor de telhado. Literalmente. Com isso em mente, resolvi fazer-lhe um avental para as ferramentas e para o efeito, usei as minhas antigas e tão adoradas calças de bolsos. Pareceu-me que, assim, irão ter uma boa segunda vida. Abri uma das pernas e aproveitei o bolso grande; cosi os bolsos traseiros; debruei o avental e fiz a fita de atar à cintura com pedaços de umas calças de ganga. Nunca tinha cosido dois tecidos tão grossos juntos, então algumas partes estão com a costura um bocado imperfeita, sobretudo na fita de atar à cintura. Mas acho que o resultado final ficou engraçado e interessante. O que acham? 


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O avental do cozinheiro

Em todas as famílias que conheço, há sempre alguém que tem uma paixão por cozinhar. Bem, na nossa família há mais do que uma pessoa, ou não fossemos todos amantes de boa comida, bem cozinhada. Mas há uma pessoa que, quando eu desenho com a Catarina as nossas caricaturas familiares, aparece sempre com uma colher de pau associada. Pois bem, este avental foi feito para essa pessoa, como não podia deixar de ser. 


Apesar de eu não gostar de (e de não estar habituada a) coser peças grandes, a tarefa foi relativamente fácil. Usei um dos aventais cá de casa como modelo e cortei o tecido à medida. O mais difícil foi mesmo fazer a fita para atar à cintura, isto porque eu detesto ter que virar as peças de tecido ao contrário por um buraquinho minúsculo. 


Mas acho que fez sucesso e será um bom augúrio para os petiscos que vão sair em breve da nova cozinha!   

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Vintage retro chic... ou qualquer coisa do género



Há cerca de um ano, a minha avó deu-me alguns retalhos que tinha lá por casa. Deu-me também um tecido de estopa estampada que a minha mãe tinha comprado ainda solteira, com o objectivo de fazer uma toalha de mesa. Os meus pais casaram em setenta e cinco, por isso dá para imaginar o quão retro o tecido é. Retro na verdadeira acepção do termo. A toalha ficou-se pelos alinhavos e eu fiquei em êxtase por poder fazer qualquer coisa com um tecido tão diferente. Pensei logo numa mala para a minha mãe, mas não me organizei o suficiente para a fazer para o seu aniversário, por isso lá ficou para o Natal. E assim foi. Tive que sacudir meticulosamente o tecido (quem é que se arrisca a fazer mais do que isso a uma estopa que deve ter quase quarenta anos?), que mesmo assim manteve algum cheiro a pó e, provavelmente, alguns ácaros anciães.   

Não se pode dizer que seja um tecido fácil de trabalhar porque desfia um bocado, mas a minha tesoura de bicos limitou um pouco os estragos. Também não me atrevi a passar o tecido a ferro (é praticamente uma relíquia) e isso dificulta um bocado o trabalho. Ainda assim, consegui montar bem a mala e fazê-la do tamanho que a minha mãe gosta: bem grande para caber a tralha toda. As alças são suficientemente compridas para usar a mala ao ombro e suficientemente curtas para andar com ela no braço.


Dificuldades à parte, gostei muito do resultado final. Há que aproveitar enquanto se volta a usar estes padrões e acho que a minha mãe gostou do uso que dei à sua toalha que nunca o foi.

Agenda para a mãe


Há anos que ofereço à minha mãe uma agenda pelo Natal. Não ofereço apenas a agenda, é claro, mas é sempre um complemento à verdadeira prenda. De facto, tornou-se numa espécie de tradição que, se a memória não me trai, quebrei apenas duas ou três vezes em mais de quinze anos. O modelo é sempre o mesmo: suficientemente pequena para caber na mala, mas suficientemente grande para ter uma página por dia. Geralmente, uma destas ou algo parecido. Mas depois de a minha mãe afirmar o quanto gostou do tecido que usei aqui, resolvi forrá-la com o dito cujo.  E ficou assim...


Um bom ano para ti, mãe!

domingo, 23 de dezembro de 2012

O encanto das compotas

Este verão fartei-me de fazer compotas. Tinha em mente não só abastecer a nossa despensa para o inverno, como também oferecer algumas pelo Natal. 


Agora limitei-me a cortar uns quadrados de tecido para cada frasco, prendê-los com ráfia e acrescentar-lhes uma etiqueta feita por mim. O resultado final foi este. 


Os desenhos, que eu adoro, foram adaptados daqui: usei alguns como foram disponibilizados e outros alterei no paint para acrescentar mais uns frutos ao leque de escolhas. As compotas, fi-las assim, mas sem o cravinho, que resulta muito bem no doce de cereja, mas nem tanto no de outras frutas. E oferece-se assim um pouco de verão para ajudar a enfrentar os rigores do inverno.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Um saco para compras

Começa aqui o périplo pelas prendas de Natal feitas por mim. Há muitos anos que faço pequenas coisas para oferecer, mas como tive mais tempo desta vez, fui um pouco além do habitual. E a primeira que mostro é um saco para as compras. Um saco pequeno, para aquelas compras de primeira necessidade e em pequena quantidade, mas muito resistente, mais bonito e mais ecológico do que os habituais sacos de plástico. 


Ficou um pouco mais estreito do que o tinha idealizado inicialmente, mas percebi o que fiz mal e para a próxima já não falho. Ainda assim, tem bastante capacidade, apesar de não dar para compras muito volumosas.


Eu ando sempre com dois sacos de pano na mala, assim dobradinhos, e não quero outra coisa.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E o mundo não se acabou

Para memória futura...




Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a boca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Chamei um gajo
Com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele
Mais de quinhentão...
Agora eu soube
Que o gajo anda
Dizendo coisa
Que não se passou
E, vai ter barulho
E vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a boca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar...

Os muffins choc-choc chunk


Há receitas que se preparam em dez minutos, ou menos até. Esta é uma delas. Uns muffins muito fofos, com um sabor bem intenso a chocolate, que nos presenteiam no seu interior com pedaços de quê? Mais chocolate! Fi-los no fim-de-semana, aproveitando a visita da minha mãe, que os adorou e apontou logo a receita. Usei açúcar amarelo em vez de branco, porque acho que liga na perfeição com o chocolate e melhora a textura do bolo. Os meus chunks de chocolate ficaram demasiado irregulares, o que significa que mal se sentiam nalguns muffins e que predominavam noutros. Mas isso corrige-se facilmente...

A minha provadora oficial nem deixou que arrefecessem... duas sopradelas bastaram para a temperatura ficar perfeita. Se fosse uma tigela de sopa, ficaríamos à espera duas horas, não é dona Catarina? 
 

Quanto ao André, classificou-os como "ainda melhores que os outros". Estes. Eu não concordo - afinal, consegui manter a compostura e não comer três de seguida -, o que não invalida que sejam muito, muito bons.


*****
Chocolate-chocolate chunk muffins

"Baking", Dorie Greenspan

(Dorie às Sextas)

80 gramas de manteiga sem sal
120 gramas de chocolate amargo, picado grosseiramente
Duas chávenas de farinha de trigo
Dois terços de chávena de açúcar (usei do amarelo)
Um terço de chávena de cacau em pó sem açúcar
Uma colher de sopa de fermento em pó
Meia colher de sopa de sal
Uma chávena e um quarto de buttermilk (fazer assim ou, alternativamente, juntar umas gotas de vinagre ou sumo de limão ao leite e deixar repousar cerca de quinze minutos, usando apenas o soro)
Um ovo grande (usei dois médios)
Duas colheres de chá de extracto de baunilha

Pré-aquecer o forno a cento e noventa graus. Derreter a manteiga e metade do chocolate picado em banho-maria ou no micro-ondas. Misturar numa tigela grande a farinha, o cacau, o fermento e o sal. Bater noutra tigela os ovos com o açúcar e a baunilha, juntar o chocolate e a manteiga e bater esta mistura com os ingredientes secos. Misturar o restante chocolate picado. Dividir a massa por forminhas de muffin e levar ao forno durante cerca de vinte minutos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

E o Pai Natal chegou mais cedo

Eu bem disse que ia abrir os cordões à bolsa. Ora cá está ele...


Bastou-me folheá-lo para ficar a salivar...


Era para ser uma prenda de mim para mim, mas a minha mãe chegou-se à frente. Thanks mom!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Comfortably Numb

Até me vieram as lágrimas aos olhos...




Hello, 
Is there anybody in there? 
Just nod if you can hear me 
Is there anyone home? 

Come on 
Now 
I hear you're feeling down 
I can ease your pain 
Get you on your feet again 

Relax 
I'll need some information first 
Just the basic facts 
Can you show me where it hurts? 

There is no pain you are receding 
A distant ship's smoke on the horizon 
You are only coming through in waves 
Your lips move 
But I can't hear what you're saying 

When I was a child I had a fever 
My hands felt just like 
Two balloons 
Now I've got that feeling once again 
I can't explain 
You would not understand 
This is not how I am 

I... Have become comfortably numb 

O.K. 
Just a little pin prick 
There'll be no more aaaaaaaah! 
But you may feel a little sick 

Can you stand up? 
I do believe it's working 
Good 
That'll keep you going through the show 
Come on 
It's time to go 

There is no pain you are receding 
A distant ship's smoke on the horizon 
You are only coming through in waves 
Your lips move 
But I can't hear what you're saying 

When I was a child 
I caught a fleeting glimpse 
Out of the corner of my eye 

I turned to look but it was gone 
I cannot put my finger on it now 
The child is grown 
The dream is gone 
I... Have become comfortably numb 

A melhor compra do ano

Estas botas da Serra da Estrela, para andar por casa. Não as largo por nada.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A mala das flores


Ando mesmo numa de desafios. Descobri no outro dia o Clubinho da Costura e resolvi participar no décimo sexto desafio: fazer uma clutch. O objectivo é seguir o passo-a-passo apresentado e depois apresentar o resultado final. Como gostei muito do esquema proposto - simples e claro -, resolvi fazer uma para dar à mãe do André no Natal. A única alteração que fiz foi acrescentar uma alça para se poder usar a mala ao ombro. 


Espero que ela goste.



domingo, 9 de dezembro de 2012

Convidei para jantar... a Escócia

Vou pela primeira vez participar num dos mais interessantes desafios culinários que por aí andam: o Convidei para Jantar. A ideia partiu da Anasbageri e consiste em convidar personagens ou personalidades para jantar e apresentar-lhes um ou mais pratos. Todos os meses há um desafio com um anfitrião diferente e desta vez, na nona edição, foi a Marmita que resolveu convidar um país ou uma cidade, para variar um pouco. E convidou Sevilha, fazendo um brilhante post que não só me fez ter vontade de ir lá passar uns dias como me espicaçou para participar também neste desafio. 
Pela minha cabeça passaram logo Lisboa e Roma, mas depressa me afastei do tema das cidades. Foi a Escócia que plantou a sua semente no meu espírito e ali ficou a maturar durante uns dias. Cozinha escocesa? Sim, eu sei, não é das melhores, mas garanto-vos que as refeições que lá comi souberam pela vida. Já lá vamos. Falemos e mostremos primeiro um pouco da nossa convidada. Aviso já, o post é longo mas acreditem: foi uma tarefa hercúlea escolher 'apenas' estas fotografias havendo tanto para mostrar... 

A Escócia é um dos sítios mais bonitos que conheço. Já lá fui algumas vezes e é, até à data, o meu sítio preferido para passar férias. Apesar de adorar praia, não me importo nem um pouco com a chuva, o céu cinzento e o frio que se sente mesmo no verão. São pequenos detalhes quando somos pura e simplesmente arrebatados pela paisagem e pelos cheiros verdes, azuis e cinzentos emanados da terra, do mar, dos lagos e do céu. 

A sul, o verde é inigualável. Os prados estendem-se a perder de vista, salpicados por bolas de lã branca - com umas patinhas e um focinho escondidos lá pelo meio - e entrecortados por ribeiros e algumas manchas mais escuras de floresta.


É também a sul, nas borders, que encontramos as abadias e uma série de castelos em ruínas, reflexo das sucessivas guerras com a Inglaterra. Em ruínas sim, mas bem preservados mesmo na sua destruição. Tudo devidamente assinalado. Tudo com enquadramento histórico.


Mas assim que se avança para norte, o terreno começa a mudar, com a planura a dar lugar à montanha e os pequenos cursos de água aos grandes lagos. 


Abundam as cascatas e as charcas de águas cristalinas e não há como o frio da manhã para espelhar os lagos e oferecer-nos um espectáculo de beleza ímpar.


A Escócia é, por isso, um local de excelência para os amantes da caminhada. O André aventurou-se a subir ao Ben Nevis, o ponto mais alto do Reino Unido, com mil trezentos e quarenta e quatro metros de altitude. Eu prefiro caminhadas mais planas, onde as vertigens e a asma não me estragam o prazer e as vistas.


Para além dos prados, das montanhas e dos lagos, o mar é igualmente figura incontornável. O cheiro a maresia é predominante nas zonas costeiras, sendo particularmente intenso na Ilha de Skye. Apesar de chover quase todos os dias do ano, uma visita à ilha é indispensável.


Mas há também uma série de vilas e cidades costeiras a não perder e até mesmo praias para os mais corajosos, estas bem mais perto de Edimburgo.



E para quem estiver farto de natureza selvagem, poderá sempre visitar um dos vários jardins que proliferam pelo país (sim, para mim é um país, digam lá o que disserem). São magníficos e mostram a paixão nacional pela jardinagem.


Não estou a esquecer-me das maiores atracções turísticas: o Eilean Donan, Stirling ou Edimburgo. Acontece que, na minha modesta opinião, ficam muito aquém de tudo mais que o país tem para nos oferecer e que tenho tentado mostrar neste post que já vai tão longo. Ainda assim, fica um cheirinho...



As vilas e cidades são bem cuidadas. Há uma ordem que não conseguimos encontrar em Portugal. Há poucos prédios, mesmo nas cidades maiores, e a maioria das pessoas vive em casas, que por si só não são especialmente bonitas, mas que contam geralmente com jardins cuidados (o tempo ajuda, eu sei), cestos nos alpendres e janelas floridas que lhes dão um encanto extraordinário.


As pessoas são afáveis e bem dispostas, sempre calorosas e prontas a ajudar e a partilhar uma história. Há uma rede assinalável de Bed & Breakfast e nem se deve ponderar ir para um hotel. Apanhámos casas decoradas com gosto duvidoso, mas também casas espetaculares onde apetece viver. Independentemente disso, os B&B são sempre limpos, confortáveis e, acima de tudo, oferecem um pequeno-almoço de chorar por mais, que pode ser cozinhado para os apreciadores - o André não dispensa o scotish breakfast, com haggis, black pudding, bacon, tomate, cogumelos e ovos - ou um pouco mais leve, "apenas" com porridge (papa de aveia), tostas, muesli, compotas caseiras, café com leite e, quando apetece, um ovo quente. E, salvo raras excepções, este manjar é acompanhado por uma boa conversa com os donos da casa, que se interessam genuinamente pelos seus hóspedes. 

E entramos assim no tema deste desafio: a comida. Os pequenos-almoços são tão bons que nos permitem viajar pelo país durante largas horas comendo apenas coisas leves. Mas como tudo acontece mais cedo neste país, janta-se por volta das seis, seis e meia. A partir desta hora, comida quente e reconfortante, só nos pubs. Com tantas milhas para percorrer - e com sol até quase às dez da noite -, não queríamos perder pitada e acabávamos sempre por escolher a segunda opção. É, por isso, comida de pub que vos trago hoje. Vários são os pratos que me deixam boas memórias, mas após várias pesquisas decidi-me por uma sopa e uma empada, já que foi provavelmente o que mais vezes comi e melhor me soube. Não há nada como comfort food para nos deixar boas memórias. Deixo-vos também as bolachas mais populares no país, o shortbread, que ficam a matar com uma chávena de café.

Então vamos lá:

Scotch Chicken Broth

Adaptado desta receita.



A receita original é feita com borrego. Eu não sou grande fã do sabor nos caldos (nem em lado nenhum, confesso), por isso fiz a sopa com galinha. Também o comi por terras escocesas feito desta maneira, por isso não é propriamente uma heresia...

Para o caldo de galinha

Uma galinha pequena
Uma cenoura
Um nabo pequeno
Duas cebolas
Pimenta preta q.b.
Sal a gosto
Água

Cozinhar em lume brando e durante cerca de três horas a galinha com os legumes e a pimenta cortados em pedaços pequenos. Retirar a galinha e qualquer pedaço de carne que se tenha soltado e guardar o caldo no frigorífico durante algumas horas (ou de um dia para o outro). Limpar a carne, cortar em pedaços pequenos uma parte dela e reservar. Retirar a gordura que se formou à superfície e reservar. A restante galinha pode fazer-se corada ou desfiar e usar o caldo (desdobrado) para uma belíssima canja. O caldo também congela bem.

Para a sopa

Caldo de Galinha desdobrado com água (Quantidade a gosto. Eu fiz 7 decilitros de caldo e 3 decilitros de água, mas podia ter posto mais um pouco de água)
Meia chávena de cevada
Uma cenoura em cubos
Uma cebola picada
Um alho-francês, cortado finamente
Um talo de aipo em cubos
Um nabo pequeno em cubos
Uma chávena de ervilhas

Demolhar a cevada durante uma hora. Aquecer o caldo com os legumes já cozinhados e juntar os legumes crus e a cevada bem escorrida. Deixar em lume brando durante cerca de 30 minutos. Juntar a carne. Servir bem quente, acompanhando com pão e uma noz de manteiga.

Scotch Beef Pie

Inspiração aqui, aqui e aqui.


Para a massa

Um decilitro e meio de leite
Setenta e cinco mililitros de banha (foi a primeira vez que tal coisa entrou na minha casa)
Uma chávena e três quartos farinha
Meia colher de chá de sal

Aquecer o leite e a banha em lume médio até estar quase a ferver. Misturar a farinha com o sal. Adicionar o leite com a banha e amassar até formar uma bola. Dar a forma de um disco e deixar repousar durante vinte minutos numa superfície enfarinhada.
 


Para o recheio

Uma cebola pequena picada
Três dentes de alho picado
Uma cenoura em cubinhos
Meio quilo de carne de vaca, cortada em pedaços pequenos (ou picada)
Uma colher de chá de pimenta
Uma colher de chá de tomilho seco
Um ramo de alecrim fresco
Noz moscada
Azeite

Temperar a carne com sal, pimenta e tomilho. Refogar em azeite a cebola, a cenoura e o alho picados com o azeite e o ramo de alecrim. Juntar a carne e deixar estufar sem secar. 

Montar as tartes

Fazer duas bolas com a massa. Forrar dois recipientes com quinze a vinte centímetros de diâmetro com papel vegetal. Cortar um terço de cada bola de massa e reservar para tapar as tartes. Estender a massa e forrar os recipientes. Rechear. Tapar com a restante massa, que deve ficar bem unida nas bordas. Fazer uma abertura nas tampas para deixar sair o vapor e não empapar a massa. Pincelar com uma gema batida com um pouco de leite. Levar a forno a 180º até ficarem douradas.

Shortbread

Receita daqui



125 gramas de manteiga 
55 gramas de açúcar
180 gramas de farinha

Bater a manteiga amolecida com o açúcar. Acrescentar a farinha e bater até formar uma bola. Estender com o rolo da massa na pedra enfarinhada até ficar com meio a um centímetro de espessura. Cortar em rectângulos com tamanho uniforme. Refrigerar durante vinte minutos (saltei este passo e correu tudo bem) e levar a forno pré-aquecido a 190º até ficarem douradas, mas claras. Perfeitas para complementar uma chávena de chá ou um café.

McEwan's. Provavelmente, a melhor cerveja do mundo.
E para acompanhar esta refeição... cheers!
(infelizmente uma pint de McEwans é só wishful thinking porque que eu saiba só a conseguimos encontrar mesmo na Escócia).

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