Último

Se fiz um post no dia um de Janeiro, porque não fazer um no último dia do ano? É um sinal de que não quero que este espaço morra, mesmo que não me dê ao trabalho de cá vir regularmente (nem mesmo esporadicamente). E porquê? Nem sei bem explicar, acho que me perco nas mil e uma solicitações que me impõem e que me imponho. É claro que é tudo uma questão de organização, mas a verdade é que acabo por não ter força ou paciência ou seja lá o que for preciso para compor meia dúzia de parágrafos. Para além disso, o facto de usar inglês todo o dia todos os dias de há uns anos para cá faz-me ter mais dificuldade de pensar em português e, consequentemente, de me estruturar na minha língua. Sim, é uma desculpa, podia simplesmente escrever em inglês, mas a verdade é que a minha cabeça já não é o local arrumado e organizado que era no passado. O trabalho não ajuda neste campo porque é quase impossível de planear (o que isto me custa…) e, com essa realidade a capacidade de foco é inevitavelmente afetada. Para além disso, tenho cada vez mais vontade de fazer coisas diferentes, de me desafiar, de aproveitar o que a vida tem para oferecer e o tempo não estica… tenho quarenta e seis e assumi finalmente este ano que metade da vida já passou. Não vou deprimir-me, mas quero tornar o que ainda está para vir, seja lá quanto tempo for, em algo rico e memorável. E não quero esquecer, sobretudo não quero esquecer. 

Dois mil e vinte e três foi o ano em que não consegui voltar a escrever como queria, em que não passei mais tempo, real ou virtual, com as pessoas de que gosto (apesar de ter estado com quase todas as minhas pessoas pelo menos uma vez), em que não voltei a cozinhar como fazia antigamente, em que não aprendi a tocar guitarra. Não fui a nenhum concerto, não visitei nenhum museu no Luxemburgo (mas visitei noutras bandas). Não fui regularmente à floresta, não terminei de organizar as fotografias (que produzo para além da minha capacidade de gestão), não consegui levantar-me antes das sete para fazer as minhas coisas (apesar de acordar muitas vezes bem antes disso e ficar a morrer debaixo dos lençóis porque não vou para nova e este cansaço não me larga). Não fiquei em forma apesar de ter sido consistente a fazer desporto. 

Contudo, dois mil e vinte e três foi um ano de viagens, de amizades (novas e antigas), de fotografia (com direito a prémio e tudo), de leitura, de teatro. Foi um ano de trabalho, muito trabalho. Foi um ano em que arrisquei e não petisquei, mas que só por ter arriscado consegui perceber um pouco melhor o que fazer daqui para a frente. Foi um ano muito complicado em vários aspectos, mas que consegui levar a bom porto sem saber muito bem como. Foi um ano em que percebi que sou mais forte do que acreditava ser.

Foi o ano que foi. Não escrevi sobre ele, mas fotografei-o. Pelo menos, alguns momentos.



Comentários

  1. Gostei muito da sua postagem! Seus insights são esclarecedores. Por favor, escreva mais!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares