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segunda-feira, 30 de maio de 2011

À descoberta

Foi pela mão do meu primo Pedro, sempre à frente de todos nós nas suas descobertas musicais, que a ouvi pela primeira vez. E foi através dele também que vi o clip de lançamento, que só por si é brilhante.




É portuguesa. Tem vinte e três anos. Chama-se Luísa Sobral e a sua história é contada aqui.

O André ofereceu-me o CD na sexta-feira. No Sábado estive a ouvi-lo com calma. Quando gosto de um álbum, oiço-o vezes e vezes sem conta. É o que tenho feito nestes três dias. Irei ouvi-lo muitas mais vezes até conseguir escolher as minhas músicas favoritas. Para já, a minha balança está a pender para esta:


Com excepção do "Saiu para a Rua", dos grandes Rui Veloso e Carlos Tê, todas as músicas são dela. O estilo é muito próprio, mas se tivesse que compará-la com um nome mais conhecido, o que me vem persistentemente à cabeça é o de Stacey Kent. Mas o melhor será tirarem as vossas próprias conclusões e, para tal, podem ouvir o álbum aqui.

Cá para mim, ainda vai dar que falar... e assim espero, porque será bem merecido.

domingo, 29 de maio de 2011

Simplesmente... ginjinha

Comecei a gostar realmente de ginjinha há uns três anos, quando provei uma que a minha mãe tinha feito. Por qualquer razão, as de compra nunca tinham despertado em mim especial interesse. Mas aquela ginjiinha fez toda a diferença. No ano seguinte, os pais do André trouxeram-me umas ginjas da casa dos nossos amigos e alguma aguardente e eu experimentei a receita do meu fiel livro, que nunca me falha...


Assim, em dois mil e nove, fiz apenas dois frascos. Seis meses depois, experimentámos a dita cuja e, se a ideia era deixá-la envelhecer um pouco, tal foi impossível: não estando tão boa quanto a da minha mãe, o Sr. Pantagruel tinha feito uma vez mais um bom trabalho. 

Foi assim com grande excitação que no ano passado recebi nova leva de ginjas, mas às vezes os produtos biológicos trazem-nos surpresas e a ginjinha que fiz foi a última morada de uns hóspedes indesejados. Fiquei infelicíssima e tivemos que passar o ano todo sem outra ginjinha à maneira.

Este ano decidi que teria mesmo que fazê-la. Já andava a planear ir neste fim-de-semana ao mercado para tentar a minha sorte quando a mãe do André me fez uma enorme surpresa na sexta-feira. Tinham ido à Sobreira e trouxeram-nos uma caixa de ginjas lindas, vermelhinhas e brilhantes. Então hoje pus mãos à obra.


Há uma linha ténue entre a culinária e a ciência, sobretudo no que à doçaria respeita. Como tal, peguei na receita de há dois anos e, como tinha bastante mais matéria-prima que na experiência original, fiz sete frascos, com diferentes quantidades de açúcar (açúcares, porque usei do amarelo e do branco) e de aguardente, estando tudo devidamente anotado e identificado. 


Dentro de um ano, antes de fazer a ginjinha de dois mil e doze, vou experimentar as sete versões e ver qual a melhor, que será a receita a replicar e a base de novas experiências. Aliás, acho que vou fazer uma prova aberta aos meus amigos que gostem de ginjinha. Há voluntários? 

sábado, 28 de maio de 2011

Best jam ever...

Eu adoro cozinhar e acho que o faço bem, mas por qualquer razão sabe-me sempre melhor comer aquilo que não foi feito por mim. Desconfio que o efeito loiça e cozinha sujas e o facto de ter que as limpar (que é provavelmente uma das coisas que mais detesto fazer) sejam responsáveis por este sentimento. No entanto, fiz esta semana a melhor compota que comi na vida. E eu já comi variadíssimas compotas, industriais, semi-industriais e caseiras, de todos e mais alguns sabores. Para além disso, até esta semana, a minha compota preferida era a de framboesas. Já não é. Passou a ser a de cerejas. Não consigo explicar: está doce, mas não demasiado, fica aveludada na boca, deixa um sabor persistente a cereja... enfim, está divinal. E passo a gabarolice, mas desta vez é impossível evitar...

Não costumo ter grande paciência para fazer compotas. No entanto, sobraram-me as cerejas que tinha guardado para a minha mãe e para a minha avó e a quem não as consegui entregar. Estavam a amadurecer a um ritmo alucinante e, obviamente, não podia deixar que se estragassem. Como tal, na segunda-feira, passei o serão a descaroçar cerejas. Duas horas em pé, de faca na mão, com sumo vermelho a escorrer-me pelos dedos, numa cena que não ficaria nada mal no genérico do Dexter (que eu acho brilhante, aliás...).


É claro que a coisa deu para o tarde e, então, fiz algo que nunca tinha feito e que provavelmente fez toda a diferença no sabor final. Deixei-as cortadas, dentro do tacho, a macerar em açúcar amarelo, canela e cravinho.


E ali ficaram até ao dia seguinte, quase vinte e quatro horas dentro do frigorífico, até finalmente serem levadas ao lume para fazer o doce. Quando abri o tacho, já estavam com uma calda espessa e deliciosa e foi nessa calda que cozinharam durante mais de duas horas. Só lhe acrescentei sumo de limão, que ajuda no processo de conservação. Depois enchi alguns frascos que tinha guardado (sim, sou incapaz de deitar fora frascos de vidro, há sempre algum uso cá em casa para lhes dar), que esterilizei previamente numa panela com água a ferver. Escorri-os ligeiramente e enchi-os ainda quentes. Em tempos tinha lido algures que o processo de conservação beneficia se os frascos, depois de fechados, forem introduzidos em água a ferver entre dez e quinze minutos, numa panela que deverá ser deixada ao lume durante esse processo. Experimentei, é claro, e o resultado é que o frasco cria vácuo e as tampas ficam completamente vedadas. Como é que se vê? Carrega-se no centro da tampa e, se não for para baixo, significa que o processo correu bem. Ah, depois de os tirar do lume, devem ficar virados de cabeça para baixo durante cinco minutos.


No caso das minhas compotas qualquer ajuda adicional no processo de conservação é fundamental porque eu não cumpro de modo algum a regra do 'quilo de açúcar por cada quilo de fruta', que é um dos truques para fazer compotas. Aliás, eu prefiro reduzir o açúcar a metade, não acrescentar água e deixar cozinhar um pouco mais para garantir o necessário ponto de estrada. As compotas aguentam um pouco menos tempo - entre um e dois anos - mas não ficam enjoativas e ganham claramente em sabor.


Agora já há uns frasquinhos para distribuir pelos apreciadores. Afinal parece que a minha mãe e a minha avó sempre vão provar as cerejas...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Verão rima com limão

Fomos jantar a casa de uns amigos no Sábado e a sobremesa ficou a meu cargo. Tinhamos trazido limões daqui e usá-los num doce pareceu-me fazer absoluto sentido. Inspirada num bolo que comprámos na sexta-feira para o aniversário de um colega de trabalho, resolvi fazer cheesecake de limão. Como tive preguiça para ir pesquisar a receita na internet, resolvi basear-me na receita original de cheesecake, com pequenos ajustes nas quantidades e no açúcar.


Para a base: mói-se na picadora um pacote de bolacha-maria e cento e cinquenta gramas de manteiga ou margarina, que devem ficar em areia grossa. Usa-se uma forma de mola num prato de servir e calca-se a massa de bolacha até formar uma base, que pode ou não cobrir os lados da forma. Deixa-se solidificar no frigorífico. 


Para o recheio: amolece-se no micro-ondas uma embalagem de queijo-creme, que se bate com cem gramas de açúcar. Mistura-se um pacote de natas com cinquenta gramas de açúcar e envolve-se as duas misturas. Hidrata-se três ou quatro folhas de gelatina, que se escorrem e derretem no micro-ondas. Junta-se ao preparado, juntamente com a raspa e sumo de dois limões grandes.


Deita-se a mistura na forma, cobrindo a base de bolacha, e vai ao frigorífico durante umas horas. Também pode ir ao congelador, para uma versão mais gelada. Outra sugestão é cobrir o bolo com raspas de limão quando o recheio começar a solidificar. Just for the good looks...

Apesar de não ter tirado fotografias ao resultado final após desenformado (ainda havia uma viagem de carro a fazer), esta dá para ter uma ideia do aspecto final.


Como éramos poucos, fiz um bolo baixinho, mas pode dobrar-se a receita do recheio e fazer um cheesecake do tamanho convencional.  Limão rima definitivamente com Verão. E nesta sobremesa, a rima parece soar ainda melhor.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O apelo da terra

Se há algo que ainda não consegui explicar é o fascínio que a terra exerce sobre mim. Há como que um chamamento, uma ligação muito forte, quase umbilical e, por isso, completamente estranha. Tanto quanto sei a minha família esteve sempre ligada à cidade ou ao mar, pelo menos nas duas gerações que me antecedem. Consigo explicar por isso a centralidade que o mar sempre teve na minha vida, a necessidade que sempre senti de o ver, de o escutar, o alvoroço que me traz o cheiro a maresia. Consigo explicar o meu interesse pela cidade, pela sua arquitectura, pela cultura, pela sua vida e pelas suas pessoas. No entanto, nos últimos anos, tem-se desenvolvido em mim um interesse cada vez maior pela terra, um interesse que se vai convertendo aos poucos numa necessidade, numa atracção quase obsessiva cuja razão é uma perfeita incógnita.

Esta atracção poderia justificar-se se desde pequena tivesse passado férias no campo ou numa quinta. Poderia justificar-se se fosse apenas o ar puro do campo, o sossego ou o cheiro intenso das árvores a determiná-la, aqueles que vou sentindo nas caminhadas ou nalgumas viagens a destinos mais rurais. Mas não. É o cheiro da terra, o seu calor, a sua aspereza. É o que sinto ao tocar-lhe, ao revolvê-la, ao senti-la nos meus dedos. É o aroma que dela emana quando chove, a vida que tem dentro dela, a vida que dela nasce. São as plantas e as flores, as árvores e os seus frutos que dela brotam. É a natureza, mesmo no seu estado selvagem.


Este fim-de-semana foi, por isso, completamente gratificante. Fomos convidados por uns amigos para ir à casa deles, que fica na Sobreira Formosa. Já lá não íamos há nove anos e eu estava convicta que era perto do Fundão. Não é. É perto de Proença-a-Nova. A memória prega-nos destas partidas...


Voltando aos amigos. Há uns doze anos decidiram deixar Lisboa e ir viver para o campo. Tinham um terreno, construiram uma casa e, aos poucos, foram-se entregando à terra. Há nove anos, tinham pouca coisa plantada; agora, com muito trabalho, muita pesquisa, sempre à procura do melhor método, têm uma série de cerejeiras e de oliveiras, algumas pereiras, ameixoeiras, medronheiros, videiras, romãnzeiras e uma horta em expansão. Dedicam-se à terra como se dedicam a todos os que conhecem: de coração aberto e dando tudo. São pessoas extraordinárias.

Chegámos no Sábado à hora do almoço. Esperava-nos um bucho delicioso e maranhos caseiros, divinais, a saber a hortelã. Demorámo-nos à mesa, perdidos nas conversas, e depois de almoço fomos dar uma volta para ver o que tinha mudado naqueles anos.


Estava muito calor. Muito mesmo. Tinhamos que esperar pelo final da tarde para ir apanhar as cerejas. A aragem que corria era fresca à sombra e ali estive, na espreguiçadeiras, a sentir o cheiro dos pinheiros das matas circundantes.


A Catarina estava deliciada: podia andar por todo o lado, sem restrições. Posso ir explorar, mãe? E por explorar entenda-se correr à vontade, apanhar flores, cheirar a relva, descobrir caminhos, encontrar esconderijos, enfim, todas aquelas coisas que não tem na cidade. Mas mais importante do que essa liberdade pouco habitual na cidade foi a primeira amizade real que fez com um animal: o Apolo, um brincalhão de sete meses que em pé consegue pôr as patas nos meus ombros e que se derrete com festas na barriga. E a Catarina, extasiada com as lambidelas que recebia em troca. Há menos de um ano, era impensável aproximar-se sequer de um cão. Ficava lívida, suava em bica, mas quando em Outubro conheceu um cão de trinta centímetros e cara de Gremlin achou que se calhar os cães - e animais em geral - não são necessariamente maus.


Quando o calor finalmente acalmou, pudemos ir apanhar cerejas. O nosso amigo também tem colmeias e as abelhas gostam de se alimentar nas flores das cerejeiras, como tal não usa nas árvores qualquer químico. Se usasse, poderia matar as abelhas. Essa ausência de químicos faz com que se possa comer as cerejas directamente das árvores. Nos livros que lia em miúda havia sempre personagens a apanhar barrigadas de cerejas e confesso que tinha inveja por nunca ter apanhado uma dessas dores de barriga. Consegui a proeza de apanhar a barrigada de cerejas sem a dor de barriga associada. E a Catarina, quando ler esses mesmos livros, irá lembrar-se da sensação de comer esses frutos que ela própria apanhou. É que havia uma cerejeira mais pequena, só para ela. Esta é só para mim!, dizia, enquanto se debatia com os ramos para arrancar as cerejas ainda com os pés.



Ainda antes de o sol se pôr, deu para ir dar milho às galinhas e apanhar morangos para o jantar. O orgulho de encher um cesto com morangos fragantes dificilmente foi contido.


Não sei se quando crescer, a Catarina virá a sentir o apelo da terra. Ou do mar. Ou até mesmo da cidade. Mas pelo menos poderá lembrar-se deste dia em que se orgulhou por ter apanhado algo que iria comer a seguir. No que me toca, senti-me em casa.

sábado, 14 de maio de 2011

Sobre saladas e hortas caseiras

Adoro legumes. Como-os em grande quantidade, cozidos, salteados, com massa, estufados e, claro está, na sopa, que juntamente com o leite é a base real da minha alimentação. Não sou, no entanto, grande fã de saladas. Tal como me acontece com as maçãs, as saladas fazem-me ficar com fome - mais do que tinha antes de as ter comido - o que não me parece uma coisa muito lógica. O que é certo é que as saladas e o calor são bons amigos e acabamos por fazê-las com alguma frequência no Verão. A primeira do ano foi de rúcula com presunto e parmesão. É forte demais para o meu gosto, mas o André adora. E demora menos de cinco minutos a fazer, bastando para tal ter...

... rúcula...


... presunto...


... e parmesão.


Totalmente inesperado, eu sei...

Para além dos três ingredientes, sugiro que se tempere com um fio de azeite. Pode complementar-se com uma salada de tomate que leva...



... tomate! Estou fascinada com o nível de surpresa deste post...


Sejamos precisos: tomate cortado em cubinhos temperado com sal marinho, azeite e vinagre balsâmico. O resultado final fica inegavelmente bonito. Eu acho, pelo menos...


Hortas caseiras? Está no título? Pois está! É que a rúcula saiu da varanda directamente para a cozinha. Plantei-a numa floreira, ainda em semente. E, diz quem mais a aprecia, é deliciosa! 


Tal como a rúcula, há outras experiências a decorrer nas varandas cá de casa. Mas dessas, falarei a seu tempo...

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