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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Acabei de ler...

(daqui)

Muito se ouve sobre o José Luis Peixoto. Há quem adore. Há quem deteste. Para mim, depois de ter lido quatro dos seus livros, é essencialmente um poeta a escrever prosa. A sua escrita transpira poesia. E eu adoro poesia. Em parte por isso, faço parte do primeiro grupo. Acabei de ler o seu primeiro livro de viagens, um relato sobre a viagem que fez à Coreia do Norte durante as comemorações do centenário do nascimento de Kim Il-sung. Uma descrição impressionante sobre a falta de liberdade de um povo numa ditadura construída em torno do culto da imagem de um líder e dos seus descendentes, sobre a farsa, sobre a histeria colectiva e o exagero. Sobre um povo de mente totalmente condicionada. Mas, também, sobre pequenos rasgos de felicidade e de afeto, pequenos sinais de irreverência que por vezes emergem da ordem pré-fabricada e que, talvez, sejam uma semente de mudança.

Citando: num mundo imperfeito, não há ninguém que esteja sempre certo. Da mesma maneira, ninguém está sempre errado.

A não perder!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Uma espécie de scones, para afastar a tempestade


Está um verdadeiro dia de tempestade. A chuva fustiga tudo o que lhe aparece pela frente e o vento entra pelas as frestas, abana todas as janelas e assobia impiedosamente pela casa. O Tiago não percebe, está nervoso. Puro instinto. Não chora, mas custa-lhe adormecer e está muito agitado. A Catarina levanta-se de madrugada e vai brincar. Percebe que está segura, mas não gosta de ouvir o vento quando está escuro. Faz-lhe pesadelos. Eu, porém, dormi mais algumas horas esta noite e sonhei pela primeira vez em muitos dias. Ou melhor, lembro-me do que sonhei pela primeira vez em muitos dias. Então acordei bem disposta e com energia, apenas com uma leve lembrança da enxaqueca que me tem martirizado. E fiz o que mais gosto de fazer numa manhã de fim-de-semana: começar o dia com um grande pequeno-almoço. Geralmente, a manhã de Sábado serve para ir ao mercado, por isso os grandes pequenos-almoços são coisa de Domingo. Mas hoje não me apetece sair, ainda estou a refazer-me de ter voltado ao trabalho e tenho saudades das rotinas dos últimos meses. Tinha a desculpa perfeita, a receita da quinzena, uma espécie de scones feitos quase só com natas e farinha que gritavam 'pequeno-almoço' com toda a sua força. A desculpa perfeita também para uma mesa bonita, posta a rigor, daquelas que não se consegue ter durante a semana. 


Fazem-se em cinco minutos, cozem em menos de quinze. São estaladiços por fora e suaves por dentro. A Catarina, sempre esquisita quando prova coisas novas, sempre miudinha nas quantidades, comeu quatro. Simples, sem mais nada, não gosta de complicar. Eu comi-os da única maneira que como scones e os seus parentes: com manteiga e doce de morango (ou de qualquer outro fruto vermelho). O André, esse, experimentou com geleia, com queijo, com fiambre, que quanto maior a diversidade, melhor...


Gostei muito. Por serem fáceis, por serem rápidos e por serem tão bons. Os meus ficaram baixinhos, não dei à massa a espessura suficiente, mas não acho que tenham ficado piores por isso. Gostei do contraste estaladiço-suave. A casa ficou a cheirar bem, ficou mais quente e os miúdos esqueceram-se dos medos. Foi um belo início de fim-de-semana.


*****

Sweet Cream Biscuits 
"Baking", Dorie Greenspan


Duas chávenas de farinha de trigo 
Uma colher de sopa fermento em pó
Duas colheres de chá de açúcar
Meia colher de chá de sal
Uma chávena de natas (cerca de um pacote e um quarto) 

Pré-aquecer o forno a 220º. Misturar farinha, fermento, açúcar e sal numa tigela. Acrescentar as natas sobre os ingredientes secos e misturar com um garfo. Se estiver seco, adicionar um pouco mais de natas, uma colher de cada vez, até a massa ficar macia. Amassar gentilmente, dando 3 ou 4 voltas, apenas para formar a massa, que não deve ser muito trabalhada. 
Polvilhar a superfície de trabalho e a parte superior da massa muito levemente com farinha e espalmar a massa com as mãos ou com um rolo. Sugiro que se deixe uma altura de um centímetro e meio a dois centímetros, caso contrário ficam baixinhos como os meus. Usar um cortador de bolachas e transferir para o tabuleiro. Repetir o processo com as sobras da massa, trabalhando-a o mínimo possível. Assar durante 15 minutos, até que eles fiquem altos, inchados e dourados. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Acabei de ler...


El Prisionero del Cielo
(daqui)


A terceira porta para o Cemitério dos Livros Esquecidos abriu-se finalmente. E desta vez, ficamos a conhecer a história do Férmin Romero de Torres...

É muito, muito bom. Se o Jogo do Anjo me tinha desiludido (pela forma como o último terço do livro está escrito), aqui não só o autor se redime como torna claro porque é que houve uma alteração tão grande à história e ao estilo da narrativa no final daquele livro. Tudo passa a fazer sentido. Genial!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Finalmente... uma túnica!

Na primeira vez que fui à Retrosaria, apaixonei-me por uma lã mesclada e muito, muito suave. Esta lã, cem por cento merino, com aloe vera e jojoba. Um pequeno luxo! Foi no final de um dia chuvoso de Outubro, o Multibanco estava com problemas e eu não estive para apanhar uma molha e ir levantar dinheiro. Mas dois meses depois estava a fazer o meu curso de iniciação à costura e quando a vi tive que a comprar, apesar de não fazer uma camisola há mais de quinze anos e de o meu tricô estar bastante enferrujado. A Catarina tinha então quatro anos, quase cinco, e comprei a quantidade suficiente para lhe fazer uma camisola com mangas. A minha ideia inicial era fazê-la em jersey, com o peito em quadrados a alternar jersey e ponto mousse (como o entrançado dos cestos). Não gostei do efeito (a mistura de cores da lã já é muito rica e fica excessivo) e desfiz. Depois tentei fazê-la toda em jersey e também não fiquei fã, não pelo aspecto, mas pelo toque, que não realçava a sua suavidade tanto quanto eu gostaria. Entretanto vieram dias mais quentes e a metade da frente da camisola lá ficou arrumada com as agulhas, sem seguimento. No inverno seguinte, fui fazer um curso de tricô com a Mafalda e fiquei novamente entusiasmada para continuar a camisola. No entanto, como já estava grávida e andava tão cansada e com tanto trabalho, só me apetecia dormir ao serão e a camisola parada ficou. 

Este Outubro decidi desfazer o que já tinha tricotado e fazer uma nova tentativa. Desta vez, experimentei o ponto de mousse e achei que tinha finalmente encontrado no ponto mais simples de todos aquele que realmente valoriza esta lã. De facto, é difícil descrever como está fofa, só posso dizer que perdi a conta ao número de vezes que parei de tricotar para apertar ligeiramente o trabalho entre os dedos e apreciar o resultado. 


Com os projectos do Natal em curso, a camisola ficou inevitavelmente em banho-maria, mas assim que entrámos em Janeiro entusiasmei-me e em dez dias consegui terminar o que parecia já fadado a ficar incompleto... Sabia que não ia ter lã suficiente para a fazer com mangas (afinal, a Cat já vai a caminho dos sete), então optei por fazer uma túnica de cavas, ligeiramente cintada e apenas com uns detalhes em jersey. Com a lã restante, fiz um pequeno bolso para dar graça ao trabalho final.    


Estando tantos anos sem tricotar alguma coisa de jeito, foi um risco enorme fazer esta túnica sem instruções. Tinha receio do resultado final, mas estou muito contente. A Cat adorou e, aparte de uma ou outra imperfeição nas costuras - que ainda vou tentar resolver -, acho que ficou mesmo bem!


E assim abro o meu regresso ao tricô, penso que da melhor maneira! 

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